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Quê?

31.01.13

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Começo a compreender o Agostinho da Silva e o Albert Cossery. 


Agora que finalmente escrevo estas linhas no sossego e muitas ideias fervilham. O dia foi atribulado quanto baste para me deixar à beira dum ataque de nervos, mas este blogue também é a minha casa. 

Lembro-me do Inverno do nosso Descontentamento. Mas é apenas literatura forçada ser tão trágico. A idade moderna trouxe consigo demasiadas requisições de adrenalina, para combater as situações de stress, gasta-mo-nos. Numa era antiga da humanidade só seria requisitada por um perigo de vida. Agora o chefe chateia-nos e lá vai uma descarga. 

E o raciocínio volta naturalmente à vida que Albert Cossery decidiu viver. Sem ter automóvel, ou casa, ou bens materiais significativos. Ele nunca precisou de pedir que lhe publicassem os livros. Não precisava. A qualidade deles isso acabava por ditar. Hoje com a mão Draconiana dos impostos e das taxas de juro e doutras manigâncias para nos taxarem tudo, mais me convenço que eles têm razão. 

Mas eram pessoas excepcionais. Ou são porque a qualidade das suas ideias e o que pensavam perdurou o suficiente para nos questionarem valores inquestionáveis. A dialéctica estúpido! 
Tenho apenas a felicidade de lhes conhecer as ideias e de as relacionar com o mundo em que vivo,

Ainda não me transtornaram, mas não vale a pena, a vida real dá-me sarilhos q.b. para me manter entretido.






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7 anos a dormir

31.01.13
Um problema técnico (é o que um gajo diz quando não sabe bem o que se passa) impede-me de publicar uma foto do livro de Albert Cossery, personagem ela própria invulgar. Apelidado de Voltaire do Nilo.

Isto foi o que consegui encontrar (ainda não tinha lido essa dos 7 anos a dormir).

- O teu irmão Galal. Dormir durante sete anos! Que artista!
- Achas que ele é artista?
- Claro. É o que eu tento explicar aos imbecis cá do bairro que vos tomam por uns mandriões.
- Mas isso é verdade. Por que razão contradizê-los?
- São uns burros, digo-te eu. Não compreendem a beleza que há nessa preguiça. Vocês são uma família extraordinária. E tu, Rafik, és o único homem inteligente que há no mundo.

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Aquilo que principio isto eu pensava que iria ser, uma espécie de caderno digital das minhas horas de escrita, transformou-se num hábito e numa obrigação. Tenho roubado muitas horas de sono no Pancadaria, e sinto-me cansado. Até porque tenho bastante que fazer no meu trabalho. 

Adoro fazer isto, faço-o mesmo por isso, mas tenho forçosamente que reduzir o tempo que dedico. Tirar da cabeça aquela formatação de que logo à noite tenho que fazer 2 ou 3 posts.

Gosto de ler e isso é sempre uma fonte de inspiração e partilha. Mas ando a ler Os Mandriões do Vale Fértil. Duas ou três páginas por noite. Mas continuo muito interessado. Apesar de viverem na maior das ociosidades, aquela família não deixa de ter actividade. Muita actividade.




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...

30.01.13



Se eu pudesse te fazer passar dos limites
E garantir uma fonte divina
Te livrar da vontade de ir embora
Permanecer o seu namorado engraçado


Não vá e me deixe
E por favor não me deixe cego
Não vá e me deixe
E por favor não me deixe cego


Se eu pudesse te fazer passar dos limites
Eu sei que eu tenho tentado o melhor
Colocaria sentido em cada respirar seu
E acharia um lugar onde nós dois pudéssemos nos esconder


Não vá e me deixe
E por favor não me deixe cego
Não vá e me deixe
E por favor não me deixe cego
Você não acredita em mim
Mas você faz isso toda vez
Por favor não me deixe cego
Por favor não me deixe cego


Eu sei que você está quebrado
Eu sei que você está quebrado
Eu sei que você está quebrado


Se eu pudesse te fazer passar dos limites
Eu congelaria nós dois no tempo,
E encontraria um novo jeito de ver as coisas
Seus olhos pra sempre juntos aos meus


Não vá e me deixe
E por favor não me deixe cego
Não vá e me deixe
E por favor não me deixe cego


E por favor não me deixe cego
E por favor não me deixe cego
E por favor não me deixe cego
E por favor não me deixe cego


Eu sei que você está quebrado
Eu sei que você está quebrado
Eu sei que você está quebrado

 informalmente gamado em http://letras.mus.br/placebo/444437/traducao.html

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Um tipo esmorece com algumas dificuldades, mas tudo se resolve. Alguns pormenores das coisas que reciclo estão lá para esconder imperfeições...

Cat Power 

Mas para ouvir a versão solo, que é deliciosa, vão ter que ir mesmo lá: http://expresso.sapo.pt/o-homem-perplexo=f503359, vão ouvir estes texto, entre outras iguarias musicais.



O homem, perplexo. Procura raciocinar, mas o cruzamento do presente e do passado deixa-o sempre no mesmo estado : perplexo. Mais um jacto levanta voo e os fragmentos da memória como se fosse uma criança trazem-lhe as perguntas próprias da inocência. Risos, rádios, notícias, um outro mundo onde não se desenhava este.
Uma luz ao fundo do túnel ? Sim, um comboio vem em sentido contrário ! E o homem continua perplexo, uma perplexidade incómoda que teima em não se resolver.
Mais um jacto levanta voo e o mundo desfaz-se um pouco mais.

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Dizer que faço móveis de paletes é demasiado. Qualquer marceneiro de Paços de Ferreira rir-se-à de certeza. Porque a nobreza das madeiras utilizadas, a sua dureza e longevidade não são nada comparáveis ao pinho tratado das paletes. 
Por isso se chamam madeiras nobres ou exóticas (vem de florestas tropicais, eu estou rodeado de Piquiá e de Jatobá, entre outras...).

Não tenho habilidade para tratar a madeira, nem nunca trabalhei nela até à cerca de 6/7 anos em que fui obrigado a fazer aí umas coisas. Algumas aprendi com os operários que construíram a casa (muita coisa, e então de ferramenta para trabalhar, eu sabia lá o que era uma broca craneana ou que isso existia). 
Por exemplo acho que tenho uma aversão à plaina manual, vou ter mesmo que pôr alguém que saiba trabalhar com ela e tentar aprender algo que me escapou desde sempre).
Fiz aí umas cercas para o Óscar, a demarcar o território, senão fugia-me a toda a hora quando era novo (e agora também, mas tem a amabilidade de ladrar quando chega, eu gosto de pensar que sim, que é por isso).

O que eu quero dizer é que não teria paciência para trabalhar apenas com ferramentas manuais. Porque não tenho capacidade para trabalhar daquela maneira. Há peças de mobiliário, ainda que feitas em série, que são como os automóveis feitos à mão. 
E hoje as fábricas utilizam máquinas bem profissionais que dão imensa rentabilidade nos cortes e nos acabamentos que dão desde logo às peças.

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...

29.01.13

não sei mesmo o que dizer sobre o assunto, não hoje, não sei se algum dia perceberei alguma coisas do assunto para me atrever, gosto é do ritmo, foi disso que fiquei escravo.

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Estou à espera que as fotos carreguem. O cansaço de algumas avarias começa irremediavelmente a fazer estragos. E a política pá. E a prima do Júlio também. E os mercados, pá! 

Entretanto já me começo a revoltar. A ficar irritado. Também. Já nem tenho neste momento a ideia de conseguir fazer sentido. Tou sentado mas não estou bem sentado. Misturam-se coisas. Há imensas que vêm de longe. Vem da memória (isso do longínquo ou do próximo não tem interesse). As lembranças são fortes ou não Outras coisas voltam, instalam-se. É uma confusão. 

Mas isso é apenas o processador das emoções que não tem capacidade para dar conta delas. É uma espécie de diabetes emocional.

E por vezes perdemos as estribeiras. Somos searas secas a quem basta um reflexo do sol num vidro para inflamarem e arderem rapidamente. Depois ficamos ainda mais áridos. E chamuscados. Deve ser aliás esta maneira fátua de lidarmos com certas coisas que nos dá o traço latino. Não é mau vir-se de uma civilização que tinha tanto em conta a higiene. Era bom ter-se o azeite e fruta e vinho e tanta coisa deliciosa, mas os bons alunos deram nisto. 

Nunca fui muito marrão, mas tenho a mania de levar muitas coisas a sério. Não descontraio. A alguns bons alunos falta-lhes a centelha do génio para poderem mandar. Eu cá não sou muito de mandar. Sou até mais de andar por aí a estudar caras e tentar adivinhar-lhes os pensamentos (ou outras coisas piores, como sabem não sou responsável por uma parte dos meus pensamentos, sobretudo aqueles que a minha moral burguesa, de que me tento demarcar, me censuram a génese)

ou a tirar fotos, e apanhar qualquer coisas de jeito nas redondezas é cada vez mais difícil.

Sim, porque estas actividades são extra-curriculares. Na ânsia de fazer algo que se veja não gozo o que estou a fazer. Mas já foi muito pior. Por isso tento sempre fazer o que devo primeiro e depois dedicar-me sem rédea ao prazer, a todos os prazeres que me são permitidos. Muitos.

Sempre tive esta ideia, de tentar, através da escrita e dos processos mentais que ela exige, de tentar compreender os outros. Não digo toda a gente. Gente que me fascina, que me rodeia. Com quem tenho o gosto de me cruzar.


Vivi muito tempo sem encontrar pessoas que me fascinassem, que me trouxessem novos cambiantes às minha existência. Precisamos disso, de leves tremores de terra que nos abram As Portas de Percepção, porque foi o senhor Aldous Huxley (sim o da soma d' A Ilha). E eu fui ter ao fulano já não sei bem se sozinho, se foi um outro senhor, o James D. Morrison, dos The Doors, que mo apresentou. Que isto no mundo dos espíritos as apresentações são muito informais. Os artistas tem mau génio (e os outros também).

Uma pausa para ir lá fora. O Óscar tem a amabilidade de ladrar quando volta do seu passeio higiénico quando chega, para eu fechar a porta do quintal dele. Os cães também se adaptam.


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Podia contar-te histórias 
da movida de um caracol, 
fui ali já venho, fui beber água.

Se conhecesses o cheiro do cerne 
de um carvalho recém serrado
O aroma do aipo.
O aroma do pêlo molhado do cão.
O gosto de um dióspiro por maturar. 

Qualquer coisa se passa,
mas é no nível freático, em suaves ondulações, 
HAL prepara a sua poção
que lentamente envenena, suave veneno verde Matrix
linhas de código fluem, os algoritmos congregram
vontades expressas
Blue Pill? Red Pill?
Isto não é novo, antigamente foi com uma maçã
apetitosa maçã do paraíso inaugural:
uma granny smith lustrosa não era.

Alguém se lembra
de quem matou Laura Palmer.
Acho que nunca cheguei a saber,
talvez distracção ou falta de oportunidade.

Foi há tanto tempo. Twin Peaks. 


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