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Melros

31.03.13
Dos vidros da minha janela
vejo-os a esvoaçar 
alvoraçados melros
será esta chuva diluviana
que os atormenta?


Mesmo quando não os vejo

ouço-os para aí crocitar,
em invisíveis palestras.




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Ontem finalmente fui ver o Rebentamento do Judas, espectáculo habitual na véspera de domingo de Páscoa.
Promovido pelo teatro ACERT, de Tondela. E com a colaboração de voluntários jovens e menos jovens que ajudam a fazer tudo. Desde pintar a participar na coreografia.


Gostava que o João tivesse participado. 
Eu também gostava de participar um dia destes. Mas para isso teria que ter tempo, esse bem precioso que por vezes nos escapa das mãos. E sem dar-mos conta disso.


Ainda assim não tinha a noção do que iria ver. É um espectáculo de sátira política, actual, com algumas farpas óbvias. 

Bom acompanhamento sonoro e efeitos pirotécnicos, usados com parcimónia e ao corrente do próprio guião.



Apoteótica queima da porca (creio que usam diferentes bonecos ano após ano). 


É bom contar com um espectáculo assim, de entrada livre. Até o tempo felizmente ajudou todos aqueles que trabalharam para o apresentar.

Certamente que o dinheiro usado podia servir fins mais úteis nesta altura de dificuldades, dirão alguns  bem a propósito.

Mas podem ir buscar a outros sítios. Não venham com a história de tirar o pão da boca das pessoas para pôr na cultura. 

E é um espectáculo para o povo, na província, onde não acontece nada. 

Eu li Troika na Porca.

Os créditos das fotos são de Ricardo Chaves. E foram retiradas da página do ACERT numa rede social.

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Oh o velho, honesto e árduo trabalho. Cansado, nem muito feliz nem pouco, mas com o sentido do dever cumprido. Dei utilidade ao dia com aquilo que mais urgente era necessário fazer: podar os Kiwis. Os pobres já tem borbotos, mas lá os podei como pude e ficaram bem melhor do que estavam. Quando vier a flor logo saberei se vale a pena regá-los gota-a-gota, sem água não há kiwis.
Nem refeições de borla na natureza.
Este mau tempo que se abateu sobre os meus preciosos dias deu-me cabo do esquema todo. 

Será feita a costumada justiça às circunstâncias atenuantes do réu, não tem havido dolo em nada do que (não) tem feito. 
Edward Hopper - El Palácio
Nem os cliques, 
nem vidas desencontradas. 
apenas o barulho dos melros 
neste entardecer 
uma motorizada que passa
conjunto Mundo Novo 
dizia a capota do camião 
a noite aproxima-se
e os melros andam inquietos
talvez andem já no engate
é primavera
o cão lá se vai habituando
a andar sem trela na estrada
e à presença da Alba

e eu não procuro nada
o jeito está cá todo,
não sei bem como cheguei aqui, 
e os grilos serram a noite




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Com a quantidade de água que tem caído, estou a aproveitar para uma experiência, ou esquema mental:  não usar a torneira, tenho recipientes que são abastecidos por água do telhado.

Estou quase a apanhar-lhe o jeito. 
Ainda lá vou com mão, mas já não abro a torneira. 

O pior é o manípulo do vidro da viatura... aquele que já lá não está porque não é deste veículo.

E como sei a água que transporto, apercebo-me da quantidade de água que gasto. 
Fácil! É só abrir a torneira.
Deste modo dá muito mais trabalho.

Experiências de trazer por casa, mas sempre gostei desse tipo de coisas. À professor Pardal.

 E de esquemas mentais. 
Não de Jogos Mentais, isso é com o Mourinho. 
Ele é que é bom nisso. 

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Cada um tem os filmes da sua vida, e fará parte, tanto quanto me lembro neste momento, do meu pódio. Mas este é medalha de ouro olímpica, até porque a montagem final feita livremente pelo realizador trouxe novos cambiantes. 
Para além disso, como diria o R..., o filme tirou certos elementos desnecessários do livro de Philip K. Dick como o Mercerismo e os órgãos de estado de espírito.

http://www.stuff.tv/news/past-and-future/movie-classics/25-best-director%E2%80%99s-cut-movies?page=0,4



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Da Wikipédia

Os castrati na história

A prática de castração de jovens cantores (ou castratismo) existia desde o início do Império Bizantino, em Constantinopla em torno de 400 d.C., a imperatriz bizantina Aélia Eudóxia tinha um coro cujo mestre era um eunuco, que pode ter estabelecido o uso de castratiem coros bizantinos. Por volta do século IX, cantores eunucos eram bem conhecidos (pelo menos em Basílica de Santa Sofia), e permaneceu assim até o saque de Constantinopla pelas forças ocidentais da Quarta Cruzada em 1204, a partir de então, a prática de cantores eunucos desapareceu.
Somente no século XVI na Itália, os castrati reapareceram, devido à necessidade de vozes agudas nos coros das igrejas. No fim da década de 1550, o duque de Ferrara tinha castrati no coro da sua capela. Está documentada a sua existência no coro da igreja deMunique a partir de 1574 e no coro da Capela Sistina a partir de 1599. Na bula papal Cum pro nostri temporali munere de 1589, o papa Sisto V aprovou formalmente o recrutamento de castrati para o coro da Basílica de S. Pedro.
Na ópera, esta prática atingiu o seu auge nos séculos XVII e XVIII. O papel do herói era muitas vezes escrito para castrati, como por exemplo nas óperas de Handel. Nos dias de hoje, esses papéis são frequentemente desempenhados por cantoras ou porcontratenores. Todavia, a parte composta para castrati de algumas óperas barrocas é de execução tão complexa e difícil que é quase impossível cantá-la.
Muitos rapazes que eram alvo da castração eram crianças órfãs ou abandonadas. Algumas famílias pobres, incapazes de criar a sua prole numerosa, entregavam um filho para ser castrado. Em Nápoles, recebiam a sua instrução em conservatórios pertencentes à Igreja, onde leccionavam músicos de renome. Algumas fontes referem que muitas barbearias napolitanas tinham à entrada um dístico com a indicação "Qui si castrano ragazzi" (Aqui castram-se rapazes).
Em 1870, a prática de castração destinada a este fim foi proibida em Itália, o último país onde ainda era efectuada. Em 1902, o papa Leão XIII proibiu definitivamente a utilização de castrati nos coros das igrejas. O último castrato a abandonar o coro da Capela Sistinafoi Alessandro Moreschi, em 1913.
Na segunda metade do século XVIII, a chegada do verismo na ópera fez com que a popularidade dos castrati entrasse em declínio. Por alguns anos, ainda existiram desses cantores na Itália. Com o tempo, porém, esses papéis foram transferidos aos contratenores e, algumas vezes, às sopranos.

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Chove a potes de novo. Começa a ser água que dá fome. As sementeiras não se podem fazer, os poços ameaçam transbordar, e pouco se pode fazer, em face das condições atmosféricas nada pode ser feito.

Relativamente a muitas outras coisas também não. Ou acreditamos que não.
Nunca pusemos em causa.

Faço diariamente perguntas sobre variadíssimos  assuntos que às vezes parece que é uma perseguição, o tal mito do  Homem Renascentista ou os esquemas mentais que um tipo dum conto do Sam Sheppard (que correm sempre um pouco mal...).

É higiene ou é fuga para a frente manter a curiosidade em altas rotações? É mesmo verdade que ajuda a manter as sinapses em forma, como os músculos nos desportistas?

Ainda há bocado estava todo satisfeito com uma imagem gravada numa pedra e que me pareceu logo um crocodilo. Andava à cata de imagens baris das gravuras de Foz Côa e aquilo pareceu-me bem. Até corria bem e tinha uma frase do tipo: crocodilos no Douro?.
Mas não, a imagem era dum lago na Síria ou assim.

Já devo ter tropeçado umas quantas vezes (sempre mais que as que quero) mas isso é porque não tenho um tipo que faz o trabalho de rever um livro antes de sair para a tipografia. 

Bom, coincidências ou não, literariamente dá muito jeito que o veículo ressuscite neste dia... quaresma bem difícil essa, de abstinência, mas o convento foi uma oficina de automóveis onde aprendi, a par com um videos, o completo funcionamento físico (isto é, visionar o funcionamento físico das peças e conseguir extrapolar o que fazem e como se comunicam entre si. Isto é notável?

Não de todo. Hoje toda a gente tira a carta de condução. Ensinem tudo isto nas escolas. Desde cedo. E teremos melhores condutores e melhor aproveitamento do cérebro das nossas crianças.

É um pouco triste saber-se de Filosofia de História e não saber atender um telefone ou fazer qualquer outra coisa de útil para nós, para o outros, para o bem de toda a gente. Ensinar às crianças coisas mais úteis, que lhe sirvam na vida em sociedade. 

Tudo isto correu assim porque tive um professor de filosofia na Escola Secundária em Abrantes que nos disse que aquela disciplina não era para sermos filósofos, era para aprender-mos a pensar com a nossa própria cabeça. Grande lição de vida levei então (levei mais felizmente, não se apoquentem).


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No mesmo dia em que um pensamento me acompanhou, é um pouco paradoxal topar com este artigo de uma família de um dos mais abastados países do mundo que vive quase sem usar o dinheiro.

Ver em: http://www.hypeness.com.br/2013/02/conheca-a-familia-alema-que-vive-praticamente-sem-usar-dinheiro/


... porque para além da chuva e das nuvens, foi recorrente esta ideia de que recuperei hoje parte da minha dignidade porque a viatura está pronta. Andei hoje assim todo contente a dar-lhe uma barrela.

Mas a dignidade não reside no automóvel que temos. Ou na casa, ou em outros valores materiais.


Eu sei, essa conversa do desprendimento, blá-blá-blá, mas depois sou como todos os outros. Sucumbo aos mesmos males.

Mas isto é como é. Não sou nenhuma jóia da coroa, jóias da coroa são o Gandhi, o Agostinho da Silva, o Martin Luther King, o Manoel de Oliveira, e tantos outros (só evoquei alguns mais consensuais).

Nós, seres normais, também temos todos, outros heroismos, outras façanhas silenciosas. Mas não ficam para a história (não haveria grande espaço para armazenar essa informação, nem ela é útil).

E o humanismo que tento reivindicar é isso mesmo, é perceber as fragilidades e tentar que elas  não ganhem nem que seja pela margem mínima.

Esta conversa é antiga, vem do momento em que o homem primevo olhou a Lua cheia e pensou o quê? O que é que ele pensou?

Ou o momento em que o primeiro homem olhou para uma mulher e não viu apenas o saciar dum apetite, o isco da prossecução da espécie ?(também serve para outras conversas, mas a mim passam-me um pouco ao lado).


Adicionar legenda
Ou pintou cenas de caça nas cavernas que tinha por abrigos. 

Ou esculpiu baixos-relevos com animais das redondezas. 


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Uns folgazões

28.03.13
Há 20 anos vi este filme, no cinema Spock, em Lamego. Fui com o S..., compincha de noites. Andei 15 dias a pensar no diabo do filme, é que não conseguia tirar o filme da cabeça e não conseguia descortinar maneira de perceber bem aquilo. O que era aquilo?

Fui saber umas coisas sobre o realizador, Peter Greenaway e a verdade é que se trata de um cineasta de temas chocantes e de imagens chocantes. O Cozinheiro... é uma ópera, e tem uma fotografia magnífica.

Do Blogue Escrito em Luz:
Espectacular filme em que Peter Greenaway eleva ainda mais o nível de seu cinema, com sua tradicional mistura de finesse e podridão estilizadas, muitas metáforas e simbolismos. O cuidado com cenários e cores se integra totalmente ao roteiro (ele usa cores específicas para cada set , assim como a cor da roupa dos protagonistas muda de acordo com o ambiente) resultando em um filme cerebral, do tipo que precisa ser desvendado, perturbador e inesquecível , para ser visto e revisto muitas vezes.(1)


É um filme chocante mesmo, não é uma coisa de terror à Carpenter.

E só consegui entender aquilo tudo e achar que aquele era um filme que jamais esqueceria, que entrava mesmo para o Olimpo, quando alguém escreveu que aquilo (o filme) estava para além do cinema. Noutra dimensão em que se transpôs os limites do aceitável ou da moral  Burguesa, já não sei bem. Um filme para o Fantasporto.

Só vendo. Eu há bocado até ia também para evocar o David Lynch e o seu universo próprio (ouvi aí também falar em Tim Burton? - Também pode ser.



(1) Título original : The Cook the Thief His Wife & Her Lover
Ano : 1989
Diretor : Peter Greenaway
País : França / UK / Holanda
Awards : Toronto International Film Festival / Sitges Film Festival / Fantasporto International Fantasy Film Award Portugal / European Film Award / Independent Spirit Award

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Sala Intermitente de cinema em casa:
ciclo Sam Peckinpah:

A Quadrilha Selvagem 
The Wild Bunch 

ou 
Comboio dos Duros
Convoy

ou ainda 
Cruz de Ferro
Iron Cross

ou todos, com a atmosfera tão raivosa não se pode fazer mais nada.

Ou se tiver sorte, rever finalmente 
O Cozinheiro, o Ladrão, a Mulher dele e o Amante
de Peter Greenway

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