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Sento-me aqui ao entardecer dum sexta feira. Naquele banco de paletes que fiz numa tarde. Um lugar permanece vazio, à espera que alguém se sente nele. 

Mas nem eu fico lá muito tempo, não sou praticante da inactividade. 

O Óscar vem aqui ter comigo, mas nunca fica muito tempo, dá umas cheiradelas e depois baza. 

Preparar a mochila com a bebida isotónica, barra de cereais, bebida energética e a inevitável banana. Para além disso não faltará a Olympus e a carteira com uns trocos. Às 5 da matina é a alvorada aos Sábados. seguida de uma tarde na madeira, e será ainda necessário fazer os pertinentes preparativos para tal actividade.

A passarada chilreia para aí e os grilos (de que dizem ser as almas dos poetas mortos - onde é que eu li isto?), não se calam tão cedo.

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Podias?

31.05.13
noites de fadiga
e falta alguém aqui
sem aconchego
noites a sós com a Lua
o cão vai passear

e somente 
a horas improváveis
há monólogos 
sobre coisas pequenas
não me dá para os filmes
que por ai tenho

ando por aqui 
por esta terra do encanto
sem mapa
como na vida
esperando o teu sorriso
como será mesmo ele
e que tristezas esconde?




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Numa pequena varanda do meu local de trabalho tenho duas árvores, que em determinada altura do ano emitem um cheiro característico, dá para ver pássaros, há uma rola que vem poisar ao parapeito. Há um relvado. Vejo as traseiras da igreja e a residência paroquial. 

À noite o sossego é total, apenas as badaladas sonoras da igreja e um automóvel ocasional. E o barulho inevitável da impressora.

Um chá quentinho. Chá branco para amenizar a noite.

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Poesia, a minha velha amiga…
eu entrego-lhe tudo
a que os outros não dão importância nenhuma…
a saber:
o silêncio dos velhos corredores
uma esquina
uma lua
(porque há muitas, muitas luas…)
o primeiro olhar daquela primeira namorada
que ainda ilumina, ó alma,
como uma tênue luz de lamparina,
a tua câmara de horrores.
E os grilos?
Não estão ouvindo, lá fora, os grilos?
Sim, os grilos…
Os grilos são os poetas mortos.
Entrego-lhes grilos aos milhões um lápis verde
um retrato
amarelecido um velho ovo de costura
os teus pecados
as reivindicações as explicações – menos
o dar de ombros e os risos contidos
mas
todas as lágrimas que o orgulho estancou na fonte
as explosões de cólera
o ranger de dentes
as alegrias agudas até o grito
a dança dos ossos…
Pois bem,
às vezes
de tudo quanto lhe entrego, a Poesia faz uma coisa que
parece nada tem a ver com os ingredientes mas que
tem por isso mesmo um sabor total: eternamente esse
gosto de nunca e de sempre.

Mario Quintana

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navio abandonado

28.05.13
janelas quebradas 
contornos brancos 
de antiga devoção
madeiras carcomidas 
cor de quê?
e porta escancarada
tingida pelo sol

num limbo indefinido
num relance da vista
navio abandonado



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Uma corridinha/caminhada, como sempre, com tempo contado (embora não tivesse pensado muito nisso). E sem Endomondo.



E, à parte, umas horas em que o meu corpo não me lembrou estas impressões/adormecimentos/dores, cuja trégua durará esta publicação.


Vi algumas casas muito engraçadas. Casas que pudemos dizer que tem um traço de boa harmonia com o meio envolvente, que nos proporcionam momentos de prazer ao passar por elas (devagar que as sapatilhas não andam muito habituadas a corridas).

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A pressa em publicar um post. O tempo que (não) tenho para deixar que certas coisas fiquem no seu lugar. Estas dores que me começam a chagar quando aqui chego. Tudo isso serve para por vezes me demorar aqui menos tempo do que devia. Aqui tenho mesmo que colocar o braço direito. Hoje isto por agora não está mau, mas não deve demorar até que me seja penoso estar a escrever. 
Radu Belcin - Constructing the Night
(Gamado duma postagem do Dieubussy numa rede social)
A perspectiva não é animadora, logo agora que encontrei um nicho para esta veia, vem uma dor que me ameaça (nos meus temores) impedir de teclar.
Transitar de novo para a caneta seria um processo muito mais além da sua transição, por assim dizer, mecânica.
Esta viagem dura há quase um ano (tenho que me lembrar de fazer uma cópia de segurança). E o motivo de prosseguir é ter escrito aqui algumas coisas que me dão prazer ler, não tanto por as achar muito bem escritas, mas porque consegui dar expressão ao que senti, de forma perceptível e com um fundo pouco fingidor.
É provavelmente o ângulo com que vejo as coisas. Ou o que os acontecimentos me fazem sentir. Todos esse pulsar que nos diferencia e pode atrair mesmo por isso, por ser diferente.

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I got some John Coltrane on the stereo baby
make it feel all right
I got some fine wine in the freezer mama
I know what you like
I gonna take it, turn it, set it loose
we gonna learn about love on a three ply rug
hah
Gonna be all right
It's gonna be all right
I feel it
gonna be all right
Há cerca de 20 que anos que não ouvia este álbum dos Norte-Americanos Dream Syndicate.

A última vez ouvi-os num Sony Wallkman que andava comigo nas longas viagens de autocarro (e destas viagens surgiu uma outra bem mais longa, cujo epílogo se escreverá a seu tempo, que o tempo põe muitas coisas no seu lugar).


Medicine Show é um álbum magnífico (deve estar na lista d' O Homem que Sabia Demasiado, aquela dos Discos que mudam uma vida).

Para mim traz-me lembranças especificas do meu viver, é bem certo. Mas é adequado este som, e esta faixa, Tell me when it's over tem um devaneio de piano fantástico. E é um álbum muito equilibrado na qualidade das canções.

E nada melhor que o John Coltrane stereo blues para achar que isto nasce tudo no Blues, e o Blues no meu coração está sempre actual.




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Eu que finjo manusear a arte de não me meter em sarilhos.  Rolam casas monumentais e verdes, rios e margens. Tudo muito depressa (não acalmo). E tudo é um manancial, devoro a paisagem.

Paisagens decepadas de pessoas, em muitos sítios na rua não se vê ninguém. O o centro comercial ou o hipermercado para onde converge o pagode, em substituição do antigo "passeio dos tristes" (não fui eu que lhe dei o nome), é o palco do dito passeio. 



Preferia o antigo. Hoje passei de raspão por Penafiel e fiquei muito agradado por ver muitas pessoas na rua e muitas lojas tradicionais abertas. E passeios largos para as pessoas. Algumas das lojas foram recuperadas respeitando a traça original. 


Mas a arquitectura sem as pessoas não faz sentido. Se é para elas que se imaginam formas. Só não vi esta. Mas vi uma ao vivo em pedra junto do Parque Municipal que me deixou os olhos em bico.

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Nesta meia noite sem bruxas, até porque não gostam muito de rock 'n roll, a não ser para aí de Ozzy Osbourne ou de trash metal, desenrolo de novo o tapete, o tapete voador que sobrevoa com o luar, o sossego da região e tenta, debalde, ouvir, como os anjos de Berlim, os pensamentos das outras pessoas. 

Todos esses pensamentos, de qualquer qualidade, cujo eco nos seres celestiais não era avaliado segundo critérios humanos, mas numa bondade intrínseca daqueles seres. E a sua imensa e longa no fundo do tempo, solidão, deixa-me emocionado (eles estavam ali desde a criação).

Mas não, sem esse dom, que faria certamente mal a um humano que o possua, não passo dum adivinhador. Dum efabulador.

Mas cirando circunspecto e sem alarido, por aqui e por ali, tentando captar sinais vitais neste oceano revolto de emoções que me roçam no quotidiano. Algumas violentas. 

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