Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]












Autoria e outros dados (tags, etc)




Autoria e outros dados (tags, etc)

Casebres

31.08.13





Autoria e outros dados (tags, etc)

Dia estafante para recuperar um saco com pertences (calçado, roupa e toalhas), que ficou em Loriga. Voltei lá com uma fezada de que havia de recuperar aqueles bens materiais. 
E foi pretexto para, gorada uma visita ao H2otel, em Unhais da Serra, ir xonar um pouco, carregar com 30 kg de pedras e conhecer a praia fluvial e a localidade de Alvoco das Várzeas (porque é um vale onde corre o rio Alva, por diferença com Alvoco da Serra, que vi cá de cima duma altura considerável (infelizmente com o fumo dos incêndios que lavram pouca visibilidade havia e mais umas casas de xisto de encantar o meu coração.

But no photos yet. Amanhã é outro dia. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um destes dias, enquanto o esqueleto aguenta, gostava bastante de fazer um percurso destes. Já o desejei fazer no Gerês pela floresta de  Albergaria, mas desejo ainda mais fazê lo até à fenda da Calcedónia. 

http://trilhosdeideias.blogspot.pt/2012/07/travessia-de-loriga-manteigas.html

Isto é entrar numa dimensão diferente da natureza. É um encontro bom com a ancestralidade, com a água que jorra da Serra, com o peso esmagador da natureza a libertar-nos das nossas preocupações mundanas. 

Hoje andei por ali sozinho durante meia hora e esqueci-me mesmo de tudo, que não apenas apreciar a natureza num sentimento de deslumbramento e agradecimento, de me fundir com ela como se fundem os casebres, os  abrigos de montanha. Montanha rica em tantas coisas.

E apesar da impressão causada pelas instalações fabris abandonadas aqui a ali, Seia e arredores respiram alguma vitalidade, apesar de não estar ligada por nenhuma estrada decente, a outras estradas decentes.


 Este hotel em Unhais da Serra, o H2otel, já pertencente à Covilhã, é um exemplo de magnifica arquitectura e tem umas piscinas interiores que devem qualquer coisa no Inverno, com a Serra cheia de neve...

Seja o turismo de natureza, seja o escoamento do queijo da Serra, o mel, e outras riquezas daquela zona parecem resistir pela qualidade do que tem para oferecer. É uma cidade onde já fui de bicicleta num dos passeios mais longos que fiz, all alone, e que me deixou sempre uma boa impressão, tipo ser um local agradável para se viver, não fora o frio...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Vou chamar-lhe Tio Joaquim. Ia eu todo satisfeito e lampeiro pela encosta da praia fluvial de Loriga, na encosta Norte da Serra da Estrela, a ver até onde podia continuar. 

Tirar boas fotos e encontrar coisas, bicharada (há um lagarto
dificilmente faria uma foto destas, por isso, com a devida vénia de...
http://lagoasdaestrela.blogspot.pt/2008/05/habitantes-4-lagarto-de-gua-lacerta.html
fantástico por ali), tirar fotos à montanha, catrapiscar algum tronco, e eis que do outro lado do vale o velho me começa a dizer para não prosseguir. 

Que havia armadilhas para javalis. Pergunto-lhe eu se as armadilhas estavam no caminho. Que sim!

Pensei com os meus botões que o Ti Joaquim me estava a dar uma tanga. Que se estivesse mais perto dele, ia pôr à prova os seus argumentos, ia tentar perceber se realmente era isso ou era apenas alguém que não gosta de ver forasteiros por ali a espiolhar, ou descuidados que até ateassem algum incêndio. Não sei se ali vive, aqueles dois casebres não tem electricidade (e ali perto faz-se muita electricidade).

Lá voltei. A natureza por lá é esmagadora. Mas o fumo dos incêndios e a composição da atmosfera não permitiam ver para muito longe. Mas fartei-me de ver  castanheiros, nogueiras, sabugueiros, giestas, zimbro (que belo nome!) e quando me embrenhava numa língua de floresta desse tipo, que tanto reclamo para o pais todo, dei com um cogumelo num tronco podre de um castanheiro. Achei aquilo a minha recompensa.

Tempo no meio disto tudo de visitar as quedas na praia fluvial de Lapa dos Dinheiros. E uma caminhada junto a uma levada que, a intervalos, tem saídas. Fiquei sem saber para quê: o relevo não permite agricultura, será para irrigar a floresta?

Este tipo de floresta mais diversificada, sem a monogamia do pinheiro, existe em encostas junto a ribeiros ou rios ou a linhas de água que estão secas nesta altura, mas que em alguma altura do ano certamente terão alguma água. 

Um carro espatifado na encosta, que nem deu para ver  a marca e um castanheiro enorme, com o tronco principal a secar, mas com vários filhos em redor já com 10 metros. 

E casebres, uns quantos, que se fundem na paisagem porque são feitos da pedra, o granito, que é maioritário na paisagem. 


Começo a aperceber-me que conheço muito mal a Estrela. O Gerês é ainda infinitamente mais verde, com mais água, quedas de água, e as vaquinhas e os cavalos selvagens e Geira Romana. Mas sinto que devo a esta Serra, horizonte omnipotente dos Beirões, uma oportunidade de a conhecer melhor...

O velho PC continua incompatibilizado com o leitor de cartões, mas isso apenas me faz ser mais chato, por tentar descrever as impressões de um passeio.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Não posso teclar durante muito tempo. Apesar de ter vindo como novo de um tratamento adequado à urgência da dor, não me posso esquecer da artrose (e eu tenho posses para isso?). 


E dar-lhe descanso e bom trato. Se me estendo um pouco o adormecimento lembra-me logo que isto não está bem...


teclado nas pernas para descansa o braço é a minha tentativa de postar alguma coisa com o mínimo de conforto para os braços. Não é canal cárpico mas dói na mesma e eu insisto nisto. É só mais um bocadinho, é só mais um post, é só mais uma arrumadela, é só mais isto e mais aquilo...

está a resultar alguma coisa, isto é uma solução dada por alguém que merece que experimentemos o que diz... e lá vai mais um trabináculo para suportar a teoria...

apanhado por aí nas imagens 
do motor de pesquisa
Suspeito que a guerra sob a bandeira da ergonomia vai ser longa... como a da sustentabilidade e outras, isto é pior que as Nações Unidas. Tanta bandeira.

e queria eu falar da Bauhaus, logo no dia em que veio ao meu conhecimento que um jovem está a escrever uma tese  que versa isso mesmo, a influência do design no consumismo, e como isso é um assunto incomodo para os capitães da industria, mas esta Bauhaus nasceu numa época de vacas magras e teve outros propósitos.

Como sempre um bom artigo do Obvious:

Autoria e outros dados (tags, etc)

A serra cuja imagem surge como fundo aqui do Pancadaria foi recentemente palco de acontecimentos trágicos: para além do desastre ambiental que é um incêndio florestal desta dimensão, há a lamentar perda da vida humana.

Mata de Albergaria, foto gamada em
http://momentoseolhares.blogs.sapo.pt/381629.html
Mas, para além do imediatismo da comunicação social, a mim não me espanta este flagelo. A floresta Portuguesa é maioritariamente constituída por pinheiro bravo e eucalipto. 

Outrora não foi assim. A floresta era diversificada, tinha árvores que faziam imensa sombra e mantinham humidade. Os solos ocupados pela agricultura serviam de corta fogos naturais. 

Mata Nacional do Buçaco
foto gamada em
http://ferias-paratodos.blogspot.pt/2012/10/palacio-real-do-bucaco.html

O modo de vida, nesse Portugal rural, aproveitava a lenha e o mato (o tojo) e a caruma. As florestas estavam limpas.

O modo de vida transformou-se e não é legítimo pedir a alguém que limpe a sua mata todos os anos quando o produto da venda das árvores, no final, não paga a despesa, se não arderem entretanto.

E hoje a floresta está abandonada à sua sorte, basicamente. E julgo não ser alarmista quando prevejo que, com a doença que ceifa o pinhal (o Nemátodo seca a árvore sugando-lhe a seiva) vai conduzir à monocultura do eucalipto, que exaure o solo com as suas folhas ácida e bebe água a pronto de influir no nível freático. E ao aumento da tendência desertificadora.



Afinal o queremos da nossa floresta? Não a vamos conseguir arranjar em quatro anos (nem a temos conseguido proteger, quanto mais enriquecê-la), com biodiversidade e riqueza num futuro mais longínquo, para a próxima geração, com árvores boas, madeiras nobres, a cerejeira, o carvalho, o castanheiro... que antes de darem essa mais valia final, equilibraram o ecossistema, produziram oxigénio e digeriram o dióxido de carbono.

A floresta é um exemplo que pode ser estendido a outra áreas, a agricultura, a pesca. Que é que queremos destas coisas que produzem riqueza. Porque a riqueza está nisso, não está em jogos bolsistas e aplicações manhosas em off-shores. A minha parte é pequena, mas nessas actividades tenho o essencial de mim próprio e do ritmo do mundo. Apesar de ser preciso puxar pelo cabedal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Apetece-me sempre que o post que estou a escrever seja o melhor de sempre, como me apetece que outras coisas que faço corram bem, que o resultado final possa passar os subjectivos critérios da intuição. Hoje não toquei aqui no teclado, mas um Voltaren já foi necessário. Aguardo mais uma inclemente massagem Shiatsu. 

Finalmente a menina dos meus olhos, o maracuzajeiro, foi hoje colocado na terra. E o irmão, que se estava a dar mal noutro local, onde já esteve uma "Passiflora" de jardim que deu umas bonitas flores, foi também mudado.

Um arsenal de ferramentas para partir o cimento e terra de compostagem caseira. Espero que daqui a um mês esteja no cimo do bambu onde se agarra para trepar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Falo do desprendimento dos  bens materiais. Conheço alguém que já me manifestou o seu propósito de ser mendigo. Lembro-me sempre do George Orwell. Mas não é nenhuma experiência para depois escrever em livro (uma vez que ele era escritor).

É mais outra coisa, é a nossa vida e o que queremos fazer dela. Não tem a ver com teclados nem com divertimento.

Não tenho um plano, não sei se as preocupações que tenho hoje serão as mesmas daqui por um tempo. Sou muito apegado ao chão que piso. Nunca fui capaz de grandes aventuras no desconhecido, a dormir fora. Sou demasiado apegado ao conforto. Esse conforto é tiranizante. 


Gostava de ter a coragem de abdicar de muita coisa. Ser-se amigo do planeta, da natureza, vai mais além do que separar lixo. Significa prescindirmos de todas as porcarias de que vivemos rodeados e explorarmos menos a natureza. Viver com o essencial.

O plano do casebre e a habilidade para reparar coisas e fazer outras para reciclar são parte de algo que se pode transformar em outra coisa. Em romper com algo que não tem futuro, e esta crise, que é mais virtual, embora lhe sentimos bem os efeitos nefastos, é as estes considerando que me tem trazido.

As coisas decorrerão, naturalmente como tiverem que decorrer. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 1/7