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É como eu sempre digo: 
não acredito na divisão artificial do tempo. 
Cada um de nós tem os seus tempos... 
e é isso que vos desejo a todos: 
tempo para fruir de tudo o que de bom que temos, seja o que isso significar para cada um de vós...


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A esta hora devia estar a lavar os dentes. Depois de um dia cansativo e monótono, onde teria tido que fazer outras rotinas. Não sabia se era um afortunado por poder preocupar-se com paralelismos do tipo:

Pode-se confiar num tipo que usa cinto e suspensórios? Não será o mesmo usar dois camisolões com capuz? 

E depois porque é que as canções de amor são sobre perda. Não tenho nenhuma que vos possa recomendar. Uma suave, dessas que se podem cantar em igrejas. 

Lembro-me sempre de Close Watch, do John Cale. E que faço aqui a ocupar-me destes afazeres, sem um norte, porque esfrego o fogão com óleo para ficar bonito?

Sinto-me um bloco errático qualquer numa moreia...ocorre-me o tédio do J. G. Ballard. Ou pobreza de espírito, ou laços frágeis como teias de aranha, facilmente engolidos por uma vassoura. 

E não há um Deus que me tire deste torpor. Não sei bem o que me faz falta. Se descascar mais batatas enquanto penso nos Covões, ou secar roupa a pensar no museu de Arte Antiga.

Mas não me alimento de gafanhotos e mel silvestre.




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Há 3 três dias que não tomava banho e por qualquer razão que desconhecia não se via a tomar banho nos próximos tempos. Não que essa possibilidade lhe parecesse estranha ou desagradável. Simplesmente mantinha-se limpo nas zonas necessárias. A barba já fazia comichão na pele.

Pensava se não lhe aconteceria o mesmo com as unhas e os cabelos, a crescerem para dentro dum rabo de cavalo. E os pés descalços que não se magoam no rio, descalços, e aqui dão topeiradas escusados nos aros das portas.


Quase que lhe parecia aquilo uma penitência a cumprir com resignação. Assim como o automóvel. A apanhar desnecessariamente com chuva na parte da frente. Apesar das chaves permanecerem na parte exterior da porta, por esquecimento, parecia que o seu corpo está magnetizado de molde a impedi-lo de sair daqui. 

Como não houvesse nada de interessante lá fora, ou houvesse tanto que não saberia por onde começar.


E por ali andava em auto gestão de horários e de tarefas, a transportar lenha durante o dia, e a limpar o fogão como deve ser. A lavar o terraço com água aproveitada das beiras do telhado em filhas de bacias, paralelas a caixotes de plástico com tabuleiros improvisados de pedras. 

Com o Plano a falhar pelas condições adversas da meteorologia, ou por o cão se andar a escapar sempre para sitio desconhecido, ignorando bolachas.

Nem o outro está perto de ser cumprido, hoje é dia de balanço, depois de desfeito o feitiço do banho e as chaves ainda permanecerem à espera de serem colocadas no local próprio. Esquecer-me das chaves do automóvel é mesmo bom.

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E para aqui estive, duende de roupa velha, barba por fazer e cabelo despenteado, em roda de bocados de pedra que não sei qual vai ser o destino. 

Não sei se é teimosia, se é delírio, e perco-me em objectivos que não cumpro, enquanto em ritmo lento, vão saindo. E estupidamente me pergunto porque é que meti tanta cola. 


Eu sei a resposta. E não era preciso fazer isto desta maneira obcecada. Errática. Ora vou buscar as peças que mais gosto, como agora ou tenho mesmo que descolar algumas e reinventá-las (não consigo evitar).

Tudo ao som roufenho de velho carrossel que range as articulações (é o que streaming me faz lembrar). E os delírios prosseguem. Os buracos deixados por peças que estão encaixotadas. 

Aqueles azulejos servem bem para colar umas pedras e pôr na parede.

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Já aprendi a lição, a mão de cola necessária. Só que os efeitos desse desvario persistem. Há bonecos que me estão a dar mais trabalho a remover os excessos de cola do que a fazê-los. 

Mas deve ser mesmo o processo de aprendizagem: se tivesse um aprendiz punha-o logo a fazer este trabalho. Era a primeira lição, dava para aprender logo a dosear a cola e a estudar previamente a área de contacto das colagens.

Mas isto tem efeitos retroactivos, deve ser para dar ênfase à lição e não me distrair... 

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Tenho chagado a cabeça aos meus amigos descrições sumárias de tudo o que tenho lido sobre a serra da Estrela (também me interessam as serras do Açôr e do Lousa, mas já lá havemos de ir ter).

Com o tempo que por lá está não me apetece para lá ir... mas também não se vai para a Serra de qualquer maneira.

Alguns dos locais convém ir através de empresas que fazem os percursos, e nos servem umas iguarias locais.

Mas para além da beleza esmagadora dos rochas e da sua história, que começo a conhecer de antemão, a enquadrar, tentando mapear todos os sítios que merecerão uma visita no futuro.

Para além disso, nas montanhas nascem os rios que alimentam a vida. Literalmente. E muitas vezes para se ter o gosto de tomar banho em águas límpidas (e geladas, normalmente...) tem que se ir mais perto da nascente.

Sol e Água. Duas matérias absolutamente indispensáveis. Já disse aqui que acho mais razoável, amar esses elementos como Divinos. Atribuir-lhe essa qualidade é apenas uma evidência simples. Elementar. 


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Esqueço-me sempre de ligar a televisão ao domingo à noite. Ainda não vi nenhum episódio da série da RTP1, sobre a explosão do chamado Rock Português (tem a ver com pedras meu!


Na mesma altura deu-se um movimento radiofónico, e nasceram rádios piratas que nem cogumelos. Hoje, depois de legislação a propósito, ficaram as que são do agrado dos ouvintes.


Para mim foi um fiasco. As rádios na província era só fados e corridinhos. Não me ocorre nenhuma de que gostasse. Ao fim de umas quantas experiências voltei à Radio Comercial (na altura uma estação de rádio bem diferente de hoje...).

Ele era a Quinta dos Portugueses. Fausto lançava Por Este Rio Acima. E era O Som da Frente, do António Sérgio.


Tempo em que se gravava uma colectânea de actuações ao vivo no Rock Rendez Vous em cassetes BASF normal...
e os artistas são mesmo aqueles que ficaram pelo caminho muito cedo. Curiosidades.

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e com este tempo

27.12.13
Cada vez menos penso que sou proprietário de algo.

 Ser proprietário do que quer que seja, hoje em dia tem tributação.

No meu caso, vejo-me mais como um tipo, que para além de pagar ao banco para viver no que é dele, ainda tem o dever/prazer, de ter que tomar conta do estaminé.

Ninguém ma mandou ir ao banco. Fui porque quis, porque sempre quis viver por aqui e fazer as coisas que as pessoa que tem quintal fazem. Agricultam, tratam das árvores (nem de todas, a alfarrobeira e outras pouco trabalho dão...).

E agora que as folhas caíram todas, é preciso varre-las todas para montes para adubar a terra, aquelas que estão em áreas de passagem ou de cimento. E tirá-las todas dos cantos e recantos molhadas é cá um pincel. É cá uma mangueirada.
E não está o tempo bom, se estivesse outras coisas haveria para fazer. É por isso que lhe chamo o meu pequeno mundo. Dá-me que fazer. Férias são sempre a fazer por aqui arrumações e limpezas, para além de invenções. 

Como é que posso achar que nestas condições podia por aí andar a passear, mesmo que tivesse dinheiro para ir a todos o sítios onde gostaria de ir...

e com este tempo...



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"A verdadeira poesia não diz nada, apenas destaca as possibilidades. Abre todas as portas. As pessoas podem atravessar aquela que se lhes ajusta."



Jim Morrison

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mudos e hirtos, exército de miniatura, enquanto de novo a chuva volta a fazer-se ouvir, em revoadas. Sem som as sombras nada significam. Queria bem ficar nos versos. As pingas ouvem-se a bater no chão e um automóvel passa célere. O pau no fogão rolou de novo. Agora já não quero saber do lume nem da chuva. As peças são revistas em ritmo de glaciar (e retirar-lhe a cola é o derradeiro teste da colagem, da sua fiabilidade e robustez). Os Cântaros chamam por mim, eu que daqui nem os vejo, nem com binóculos.



Há tantas coisas a chamar por mim e eu aqui, entretido a amontoar caixotes erráticos de colagens improváveis. Vão ver lá fora e tirem vocês qualquer coisa da ideia. Das pedras não que me chegam as ideias que tenho. Outras ideias.
Bom tempo para andar de bicla. 


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