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Back underground

23.12.13

So, I've decided
To take my work
Back underground
To stop it falling
Into the wrong hands

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Há um tempo atrás apercebi-me que alguém da minha família tinha ficado fixado num tempo da sua vida, e isso e umas quantas coisas que dizia cada vez que confraternizamos, alimentava o convívio. Num grau mais discreto notei o mesmo em outras pessoas.

Achei a principio talvez estranho, mas hoje sinto que faço isso um pouco por aqui. Não são apenas as minhas histórias, são histórias de muitos de nós, da nossa vivência. Mas é um exercício de memória porque muitas maneiras de viver se transformaram.

Não defendo um Portugal rural e analfabeto. Não sou nenhum iletrado e gosto de agricultar. Mas defendo um Portugal rural porque temos terrenos para agricultar e cada vez menos há pessoas nas aldeias para o fazer. Nem que fosse em part-time como eu...

Do povoamento depende utilizar a riqueza da agricultura e da floresta e depende cuidar disso mesmo. Isso exige trabalho. E exige que estejamos próximos das coisas. De as vermos. De vermos o que precisa de ser cuidado.

Não temos cinema, não temos muita coisas. Vamos deixar de ter serviços públicos essenciais nas vilas e cidades. E assim isto, no meu entender, não vai a lado nenhum, porque a riqueza, sem ser a fácil do petróleo e outras riquezas, vem destas coisas. 

Países desenvolvidos tem uma ocupação mais distribuída da população. Não se pode esperar um mega polis na Sibéria.

E tenho tentado saber de coisas mais antigas que eu. De vestígios arqueológicos que por aqui haja, ainda hoje vi uma referência aos vestígios existentes em Carregal como sendo únicos no vale do Mondego. E tento conhecer a história dos historiadores e aquela que nos contam os vestígios físicos da passagem desses homens de há 18000 anos (época da última glaciação).

É ir um pouco longe no exercício. Temo até tornar-me chato!

Este exercício de memória, mais para trás, em busca das origens, do que fez por estas paragens o homem ancestral, como viveu, do que é que viveu, como sobreviveu então, o suficiente para nos deixar marcas da sua passagem.

É tudo isto que alguns fazemos. Ser correntes do conhecimento. O conhecimento do que nos rodeia devia ser a primeira prioridade da escola. Mas não em modo Teoria.

Há algo de errado no futuro. Não sei se é de propósito, se são os ventos dos tempos. São coisas que escapam à Macro-Economia.

De qualquer modo anima-me uma lista de sítios lindos a menos de 100 km de distância. Tenho mesmo que fazer uma lista.

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Acabo de me safar de uma boa molha. Com o propósito de verificar se em S. Miguel está prevista alguma fogueira, e com o som decente que me preenche os ouvidos, fui apenas cumprir o plano. Dar uma volta.


E foi nessa linha de pensamento que me ocorreu passar pelo Rojão, Póvoa dos Mosqueiros, terminando em S. João de Areias, uma espécie de rali a butes nos locais prováveis de continuação da tradição. E a música ajudava. 

No entanto tal propósito, com as condições instáveis que se verificavam, chuviscos, adivinhava-se mesmo chuva, não o cacimbo que tem estado. Et voilá! Natal molhado.

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Os meus temores

23.12.13
afastar os intrusos à pedrada

ou os intrusos atacarem-me 

à pedrada

com as pedras do exterior

a tradição das filhoses

já te trago uma pouca de erva

não me ocorre um simples nome dessas ervas

que o coelho come

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Do meu imaginário lembro-me de ver muita gente. Vários primos, tios e vizinhos. Uma grande azáfama, bolos e petiscos vários, uma grande algazarra e festa. Boa disposição. O pessoal de porta aberta porque havia mais que uma casa onde se hospedava tanta gente, corropios de pessoas. Alegria.

E foi a lembrança da monumental fogueira, feita com cepos de árvores arrancadas, alguns deles com muita terra agarrada. E que por tradição devia estar acesa até ao fim do ano (a malta voltava lá e aos rituais que lá se praticavam, e já ficava o lugar reservado para o reveillon - não gosto do som da palavra. Garrafões de vinho maduro ou branco tinto, de produção própria, chouriços, febras, broa. E umas vozes mais corajosas entoavam canções populares (uma bela noite de Natal, fogueira à porta de casa com variedades destas valeram um directa a umas pessoas que conheço, e como é habitual, jamais revelarei os seus nomes...).

Hoje não há porque não haja troncos, ou porque asfaltaram a estrada. Não há é a mesma convivência entre vizinhos, com pena o constato e serei o primeiro a penitenciar-me disso mesmo...


Quanto à missa do Galo, uma das poucas vezes que fui, suportei estoicamente o frio da igreja de S. João de Areias, com a lembrança dumas febras que estavam a temperar para depois, pensava eu, anjinho inocente. Enquanto eu rezava para a missa acabar, os homens que ficaram no adro, foram refastelar-se com as ditas. Jurei de nunca ir à missa do Galo.

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(...) 

«Aqui se juntaram as neves perpétuas, quando o limite inferior delas passava a cerca de 1650 metros, e daqui divergiram para formar, ao longo dos vales, os glaciares ou rios de gelo. Foram a acumulação e o lento deslizar do gelo sobre as rochas que deram origem às formas descritas.»


Goiva


«..., os glaciares, dotados de movimento muito mais lento, e de enorme peso, trabalham como uma goiva, abrindo, no planalto ou vale, bacias fechadas também a jusante.»

Pág. 884 

«Os antigos glaciares eram sete(1). O maior, o do Zêzere, media 13 km e terminava a jusante de Manteigas onde se podem ver, na Várzea do Castro, a 600 m de altitude e já em terreno de xisto, os últimos blocos erráticos de granito. Os glaciares da Estrela e de Alforfa confluíam e acabavam junto do balneário de Unhais, o de Loriga um pouco acima da povoação, todos à roda de 700 m. Os do Covão Grande e Urso, eram mais curtos. No vale de Alvoco houve apenas um glaciar suspenso.»

Blocos erráticos
Foto retirada de www.cise.pt
«Advirta-se que apenas na parte mais alta da Serra da Estrela, se encontram vestígios glaciares em Portugal; todas as outras montanhas Portuguesas estão abaixo de limite das neves perpétuas da última glaciação:
O homem existia há muito tempo quando se formaram as geleiras da Serra da Estrela. Elas são contemporâneas dos artistas das cavernas do Norte de Espanha e das rochas pintadas do Levante.»

(1) Glaciares do Zêzere, do Alforfa, da Estrela, do Alvoco, de Loriga, do Covão do Vidual e Covão do Urso

Pág. 885


(...)

SERRA DA ESTRELA, VESTÍGIOS GLACIÁRIOS
Guia de Portugal, Vol. II
Fundação Calouste Gulbenkian

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Boas festas

23.12.13


Porque a seus anjos ele dará ordens

a seu respeito,
para que o protejam em todos
os seus caminhos; 

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um gajo é tão burro! tão estúpido! até ver a luz... 

Fonte: Guia de Portugal - Fundação Calouste Gulbenkian

nunca pensei vir a apaixonar-me por uma monografia. 

Esta é uma excelente, tendo apenas como senão a letra muito pequena de alguns textos. Para os meus olhos é já um pouco difícil. Vale bem o preço que custa.

Ainda bem que não a posso comprar  a coleção toda, senão tinha leitura para o resto da vida, e passeios dentro de Portugal podia reservar mais sete vidas, como os gatos.

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(...)

Os cimos da Estrela, gastos por uma erosão multi-secular, devida sobretudo aos antigos glaciares, encontram-se hoje grande parte planificados.




Dos velhos relevos desfeitos ficaram apenas, como imponentes testemunhos, as moles graníticas, gigantescas, dos Cântaros (Magro, Gordo e Raso). 

Entre esses três poderosos relevos, as encostras mais vertiginosas (como as que constituem, por exemplo, as paredes escarpadas que culminam nas Penhas dos Abutres e do Gato), rasgam-se fundíssimas gargantas ou circos e ravinas aspérrimas, dum aspecto selvático e duma extrema declividade: são os Covões.

(...)
Fontes:

 100 Atalhos

Pág. 880/881, Guia de Portugal, Vol. II, Edições Calouste Gulbenkian, 

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Turbo Lento

21.12.13
Clip de Bruno Ferreira (1)


Há tanto tempo que nada acontece
E o mar não cresce para me enrolar, na sua afronta
Há tanto tempo que nada apetece
Já não aquece, é sempre devagar
Tudo se desmonta

Eu vou na volta em ti, traz-me de volta a mim
Pão de centeio, boca morta e língua tonta
Pão de centeio, boca
Vou na volta em ti, traz-me de volta a mim
O fado agora quer ser samba, soltar a corpo, perna bamba.


(1)  Desconheço porque não posso inseri-lo aqui... 

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