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Como a nossa estação televisiva não tem meios para colocar um verdadeiro Português na verdadeira Chinatown, Para ver como é, Como se praticam ali actos simulados, sem consequências colaterais, iremos colocar, não um, mas dois Portugueses numa Chinatown virtual, a jogarem Hitman. 

O locutor fez uma pausa no comunicado que se encontrava a ler, para pigarrear. E tentar que as letras se mantivessem quietas. Por forma a ler o comunicado. De toda a importância, aquele comunicado. Não entendia a razão dos rostos pouco amigáveis que tinha na sua frente. Não conseguia estabelecer uma relação entre o comunicado que estava a ler e o ar exasperado dos presentes. 

As palavras que julgava ver dançar eram apenas sombras deixadas por uma velha impressora de jacto de tinta. Já não havia mais nada para ler. Já não os podia por mais mal dispostos. E agora? Tinha que sair dali e ir-se embora. Eles podiam perfeitamente desatar às chapadas na sua nuca. Como no jogo da infância, a estátua. Pássaros a cantar. Estaria a ficar zonzo. Estaria a perder o sentido do exterior?

Encaminhou-se para a saída e tentou fazê-lo de modo a parecer descontraído e temeroso. Assim o fez pela parte central do auditório da Fez TV (emissora pirata de TV).

O facto dos rostos exasperados serem os de um grande futebolista não deixou de o fazer pensar nas compras. Mas aqueles estavam mal caracterizados, foi só o tremor de ter lido aquele comunicado em directo que o fez ficar assim.

Rapidamente atingiu o exterior, onde o sol fraco da Primavera lhe lembrou o verdadeiro local onde se encontrava. A meio caminho de coisa nenhuma. A Fez TV mudava muitas vezes de local de filmagens.


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- Isto aqui não é como lá! - dizia o Abelho para o Outro. O Outro não parecia muito interessado naquela conversa. Aquele sujeito tinha sempre umas conversas estranhas. Sem sentido. Ficava à espera que risse às gargalhadas das historietas sobre esfregonas. Ele tentava dizer coisas através de outras. Até aí o Outro percebia. Depois não lhe seguia o alcance prático, não imaginava a que se referia.
- Lá até para nos esponjar-mos no chão temos que ter licença.
- Para se esponjarem no chão? - Aonde?
- Em qualquer local, como forma de protesto. É uma espécie de livro de reclamações. O estabelecimento é obrigado a colocar as vezes em que alguém se esbodegou no chão a protestar por algum mau serviço ou produto.
- Ah! e... prosseguiu o outro, já mais interessado, quanto mais não fosse, pelo resultado daquela historieta. Também não tinha mais que fazer. Embora as conversas do Abelho fossem sempre um pouco sem sentido, sempre era uma companhia. Um ruído de fundo, um animal de estimação autónomo. Por isso lhe aturava aquelas pretensões.
- E a roupa, as pessoas ficam com a roupa toda suja ou pedem previamente para limpar o chão. Ou tem uma mantinha para o cliente se esponjar-protestar?
- As casas mais reputadas tem mesmo mantinhas para isso, com espuma. Os colaboradores tem que ajudar a pessoa, se tiver dificuldades, a esponjar-se e dar pelos menos três voltas, ou sobre si mesmo ou...
- Há então um regulamento para isso?
- Claro! Há até fulanos que se dedicam a isso, a fazer o esponjamento a troco de um pagamento. Como as carpideiras antigamente. Só não se poem a carpir copiosamente. Suponho que o copioso dependia da importância do finado.
- De quem? 
- Do tipo que morreu.
- Então morriam tipos?
- Todos os dias morrem tipos.
- A fazer os esponjamento?
- Não...estava a falar das carpideiras.
- Ah! Carpideiras, são aquelas cobras que...
- Eram mais actrizes que cobras. 
- Pois! Onde é isso se passa mesmo?
- Para além de se passar na minha cabeça passa-se também na realidade, só que tem outros nomes. 
- Outros nomes? Para que tem outros nomes?
- É para falar de assuntos sem falar deles. Como se estivesse a tentar ludibriar a censura. Adiar o sono. Permanecer jovem.
- Tens cada ideia.


O Coro (traduzido):
Tudo se passou muito rápido e não somos irresistíveis, somos descartáveis. Dispensáveis.  

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Nesta altura da história não podemos dizer que algo ainda não foi ainda dito, com o mesmo sentido e as mesmas exactas palavras. 

Descobri há pouco tempo que escrevo no mesmo registo dum tipo há muito tempo. O facto de não ser muito conhecido não me chateia. Já me chateia ser difícil encontrar os livros físicos dele. Os e-books tem letras muito miudinhas. Aí tem residido a impossibilidade o começar a ler. 

Nesta altura tem um concorrente imbatível. Duas ou três páginas por noite e em todas elas me rio umas quantas vezes antes de pousar o livro. A loucura tornada o normal. Não é a guerra, a 2ª Guerra, que está em causa: é a natureza humana que se revela nas situações limites. Querem melhor situação limite do que sentir que os nossos são os que nos podem odiar mais? Mais do que os nazistas? A mim dá-me que pensar. Tudo o que possa parecer sensato se derrama por terra. Percebo que Yossarian (nome estranho para Americano), não consiga perceber porque o tentam matar com a artilharia anti-aérea, porque não o deixam largar aquelas bombas, que lhe disseram para largar, não foi ele que se voluntariou para isso. 

Quando está em causa o nosso rabinho, temos as nossas prioridades. A prioridade de Clevinger? Um tipo, segundo o narrador, possuidor de muita inteligência e poucos miolos... que sabendo tudo de literatura, apenas não sabia apreciá-la...

Mais alto que seja o trono, é sempre o nosso mesmo rabinho que está sentado nele. Como no selim da bicicleta. É um dos sítios preferidos dessa parte anatómica. Vai-se longe de bicicleta. Descobrem-se lugares, areja-se a alma com silêncio. ou com  a passarada a tratar da sua vida, corvos, patos bravos, e outros que não sei bem os nomes. Cogumelos nascidos em troncos apodrecidos de sobreiros. Matas limpas a revelarem melhor a paisagem. Enquanto se pedala ora com esforço, ora se desce. Viúvas conversam na soleira. Dei a volta por ali. Já que estou aqui, não resisti ao mato. Sou lá capaz de resistir ao mato, não é só por andar aos solavancos com o esqueleto, são os meus olhos que se perdem, enquanto me desintoxico de energias pouco positivas. 

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As luzes estão apagadas! Não é nenhuma imposição da Tro (onde é que está o Y?)Troyka. 

Calma. Já vai. Estou a mudar as velas. É um hora simbólica de luzes apagadas. O planeta precisa de mais do que horas simbólicas. Disso estou convencido enquanto ouço, ainda assim, uma musiquinha agradável. Jazz do Brasil na AccuRadio.

Faço o possível. Sinto que o possível não é suficiente. Não eu, mas todos nós que alimentamos a voragem com que estão a ser consumidos os recursos de comida e água. Podem preparar umas viagens a Marte para acautelar o futuro.

"Um futuro nas Colónias", era a frase que os helicópteros de Blade Runner repetiam, incitando à imigração (não foi o primeiro a dizer isso). 

Eu tenho essa ilusão quando vou para o mato andar de bicicleta, nos casebres que vejo e que deixo de fotografar, sabendo que os podia recuperar para num futuro para lá me escapar. 

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Até já

29.03.14
Sinto que os meus títulos conseguem ser apelativos. Podia arranjar um co-autor dos textos e eu apenas de lhe dava os títulos. 

Acredito que, neste formato, os títulos são fundamentais para captar a atenção para a leitura do texto. É igual ao jornalismo. São estas as regras. Isto não é um romance. É um diário. A escrever num rolo que não acaba. Folhas de papel que não precisam de ser coladas. No tempo do Kerouac não havia esta modernice. 

Não preciso é de estar aqui, que nem uma toupeira, a escrever. Com algum sol lá fora. Até já. 

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Encolhera-se perante o ódio colectivo dos componentes da Comissão Disciplinar com em face de uma luz ofuscante. Aqueles três homens que o odiavam falavam a sua língua e usavam o seu uniforme, porém, ele via os rostos hostis petrificados em linhas profundas de aversão e compreendeu instantaneamente que em parte alguma do mundo, nem mesmo em todos os tanques, aviões ou submarinos fascistas, nos bunker, atrás das metralhadoras ou dos lança-morteiros, ou até dos lança-chamas, havia homens que o odiassem mais.

Catch-22
Joseph Heller
D. Quixote

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Está numa relação? Ou numa relação ralação? Ou numa ralação? As palavras fogem à verdade. Ou não. Eu não as domino para dizer tudo tim tim por tim tim (minuciosamente).

Quais as típicas relações ou ralações em Vale de Abelha? Podemos recorrer a algum censo para isso? Precisamos de lá chegar? Qual o esforço necessário até encontra o tal tronco que vai se servir de jangada, um tronco miraculosamente à deriva, vindo em meu encontro. Crónicas de quê. Lágrimas? Olhos secos de olhar para os pixeis. Apenas. 

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Mensagem nova, mensagens antigas. Publicar em fundo cor de laranja  (posso mudar esta cor dentro do blogger?). O rolo serve para publicar, as outras opções são menos necessárias? 


Pode o Chrome conhecer uma versão de Português Pt-Pt?


LOL!!!
Enquanto ando na brincadeira com a tecnologia, a fazer-me de distraído. Não consigo andar distraído se um desafio me incomoda. Enquanto assunto literário está esgotado por ora. Porque foi resolvido. Um corrector que assinalava a sua própria palavra como erro? Foi ai que topei que tinha havido marosca. Não podia era deixar de explorar isto. E ainda serve para me rir de moi-mème (esquisitos estes Franceses com os acentos...)



Chegou o clube da barba rija... era esta que me faltava. Já tinha visto o chamamento. Vem ali do lado, de um separador cada vez mais confuso e cheio de informação desconexa. Baralha-me. E mais convites, começa a ser uma voragem, começa a ser como na TV. Também andei muitas vezes de TV, muitas noites. A aversão/libertação é recente. É tudo muito recente e muito antigo. 

Seria bem melhor andar sempre cool, mas isto não é um filme nem um livro. Espero que os meus ossos se aguentem e que os meus neurónios não deixem de funcionar. Se deixarem não sou eu que vou apresentar a juízo a falência do meu intelecto. Terão que que a requerer.

Alego que não tenho consciência da ilicitude. Os livros que leio são sobre todas as ilicitudes permitidas às mentes humanas. Alguns dos mais ilícitos permaneceram, não somente em mim, perduram porquê? São clássicos hoje, estão numa prateleira que ninguém se atreve a questionar. Alguém que perceba do assunto. Outros dirão na sua incompreensão que é aborrecido. Pode ser aborrecido. Se for apresentado na altura errada. 

A mim o direito interessa-me para o misturar neste salteado de legumes. Já sem molho de soja. O molho de soja pode matar, matar o apetite, bem entendido. Embora me revire fico sempre no mesmo. O jazz anda por aí como o Toni, depois de todos estes monólogos sobre a essência da vida, parece-me merecedor de um nome humano. 

Uma certidão servida com música clássica do Youtube devia incluir a taxa dos direitos (conexos?).

Perguntar-se-ia ao requerente se a referida é com música ou sem música: é sempre bom contemplar-mos o nosso registo criminal limpo, a preto e branco, ao som de Mozart.

Brinco. Num café tal reprodução tem que obedecer ao pagamento desses direitos. Se os interesses dos direitos de autor conseguem colocar as autoridades a fiscalizar quem lhes deve. Nem todos os credores tem esta mordomia.

De qualquer modo a reprodução de música adequada é sempre agradável. É um novo mundo a desenhar-se. Um mundo Imperativo. Não foi nele que cresci. Ou tendo andado distraído.


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Posso fazer da seguinte maneira: escrevo sempre até ao fim (este rolo tem fim?),
Depois vou fatiar por derivação e aproveitar um título e é assim feita a publicação. As publicações.

Ninguém desesperado se vai sentir melhor. Pode ainda ficar mais desesperado por isso. O desespero é mau conselheiro? Por entrar pela porta do cavalo sou um privilegiado? Ou preciso de entrar?

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Apanha nódias

28.03.14
- Disse temperamental? Posso ser um no meu tempo livre...

Não recomendo o meu temperamento a ninguém. Não posso colocar isso sequer no meu Curriculum Vitae: 

Apesar de ter sido agraciado com o prémio de melhor apanha nódoas da península Ibérica, declinei a distinção. Eu sou mais de apanhar nódias, uma versão mais rural das daquelas.

As nódoas citadinas são, evidentemente, de outra espécie. São nódoas com mais sentido de estado. Com mais boas maneiras. Até mais perfumadas. O mesmo sentido de estado do estado. Não é o estado em maiúsculas. Pode ser um estado afrontado ou relaxado. As nódoas tratam com igual fervor ambos.

São nódoas mais industriais, mais ligadas a poluentes artificiais.

A lixivia não é um poluente industrial. Nem sequer devia ser considerada como tal. É um descoloramento. 

Nódoas de alcatrão, pastilhas elásticas, um almoço volante que correu mal, pó dos automóveis.

As nódoas rurais são mais ligadas á natureza, aos animais, ainda que uma nódoa da gordura dum chouriço seja um patamar muito alto no reino das nódoas. Por isso nódias. Porque me apetece, as usual.

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