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Este modo de desenho pode parecer um deserto. Um deserto apenas percorrido pelas pegadas das letras que aqui ficam gravadas. Aqui nem ventos há que apaguem os vestígios da minha passagem. Se bem que ventos solares possam, certamente e ao acaso, danificar todas estas pegadas. Não se perderiam as Crónicas da Terra Média. 

Podem calar-me. Denunciam-me à má fé à Google e fico de bico calado. Vou para o Wordpress dizer asneiras e deixo de ligar às leituras e a essa vaidade mantida em lume brando. Que me traz irremediavelmente de volta, todos os dias, a este local de algum crime. Pequena criminalidade, se as intenções fossem puníveis. Mas nem isso.

Posso mesmo ficar muito pouco fluente a polir madeiras, esquecer-me dos mancebos que criam porcos, das cicatrizes todas. Redimido de toda a insensatez desta guerra com os elementos. Esquecido de todas em que não posso participar, nem como observador, e não tenho que arcar com o peso de uma moral bacoca. Que é que eu posso fazer por vocês, para além de bancos para se sentarem, e lerem?
Lerem até conseguirem ler as as letras certas, que nos fazem continuar no emprego, no dia seguinte. Apesar de poderem colocar tudo o resto em causa.


Os castelos de nuvens brancas, em redor. Sob a luz de fim de tarde, luminosa sem ferir os olhos. E tomar um comprimido para as dores. Pintar madeira com tintas de água, sem música, sem precisar de porra nenhuma de música para me entreter; só o chilrear dos pássaros no comedouro do cão; todas as ideias para o próximo passo, o próximo passo é lixar tudo de novo, suavemente e pintar à pistola. Isso seria um próximo passo, hipotético; para alem do tecido que se pode colar e da cadeira que pode servir para uma enxertia bizarra. Ou tudo ficar como está; a cargo dos mendigos que deixaram de ensinar filosofia, para a viver. Se lhe puser umas rodas omni-direccionais e no atrelado posso improvisar uma cama móvel. Para ficar imóvel, a pensar antecipadamente em todos os novelos que gasto para compor esta renda sem padrão.

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Um local onde devia ser expressamente proibido ter comichão. seria nas nossas costas. Coço-me com uma base de incenso. E dou de caras com a cicatriz. Bem, dei de caras com ela numa foto que tirei à flor do maracujá. Precisei de afastar alguma da exuberante folhagem que o dito vai produzindo. Flores, e frutos e folhas. Cresceu durante o inverno enquanto as demais árvores respeitam a pausa do inverno. Desde que o trouxe que não tem feito parado de crescer. Já deu frutos em boa altura para começarem amadurecer. Deve ser primo das nêsperas.

A cicatriz que tantas expectativas gerou é um risquito sem grande visibilidade. Está cá, mas apenas uma protuberância me incomoda quando estico as mãos. Tenho um cadeirão e um banco prontos, e ainda anda por aqui a vegetar, arrasta-se, um pouco de tinta sarnenta, imperceptível, que caiu na zona. Conformo-me que o resultado tenha sido um banco que está no exterior. À espera que algo aconteça.

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Estou evidentemente autorizado pelo cão a divulgar a sua foto, antes de emitir a sua opinião. Nem o cadeirão nem a sala dizem muito ao Óscar. 

Os fins de semana são um desassossego para ele, por via da tanto barulho, de tanta maquineta, até eu uso um auscultadores para me proteger do ruído da rebarbadora, e ele não consegue estar na casota, nem muito perto. 

Chegada a hora do soprador é vê-lo muito agitado à procura dum refúgio daquela máquina diabólica. Como está pronto e o sossego voltou à Terra Média, está satisfeito. Embora possa ter que rever em baixa os planos para o futuro. Das paletes que me restaram ainda se faz uma mesa catita, para usar um tampo em vidro que por ai anda. Eu tinha dito que a madeira dava muito trabalho e despesas, sobretudo com o tempo que é necessário para a amaciar. Sinto-me compensado pelo tempo que gastei nele. É uma espécie de conto. Costuma ser um terno ou uma trilogia.


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Há uma semana disse que o cadeirão era para fazer nas calmas. Se assim fosse não estava a olhar para ele. Está pronto. Posso-lhe acrescentar mais uma camada de verniz, fazendo um polidela com com uma esponja de lixa muito fina.

Foi feito com o que cá havia. Não sobrou uma lixa, da rebarbadora, das duas lixadoras ou manual. Os último retoques foram já feitos com pedaços pequenos de lixa manual. De duas qualidades. De novo a grosa e a lima. Não restou nenhum material abrasivo. 

Com este cadeirão, surgido ontem bem de propósito. É uma justa homenagem a um homem que escreveu livros que nos prendem a cadeirões. 

Eu não sou é como ele. Decidi fazê-lo. Está feito. Nunca lixei nada tão bem; e passei horas com lixas manuais a acabar nos locais onde não se pode ir com máquinas. Até desencantei uma almofada para ele. 


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Cada ser tem a sua maneira de peregrinar por este mundo. Alguns acreditam que existe outro à sua espera. Eu não sou tão crente. E se ainda nem este consegui verdadeiramente perceber, de modo a sentir-me tranquilo. A coberto das suas armadilhas. Não vou sequer por ora preocupar-me com o outro e a sua existência ou não.

O meu entusiasmo com certos conceitos pode parecer que me vou precipitar, ainda mais do que já o faço, em problemas. Nunca faltei ao emprego por causa dum bom livro. Já fui muitas vezes para lá contrariado, ao longo desta errância, por causa de livros. 

Podemos, cada um de nós, empregar aos seus passos tendências e maneiras de estar. Eu era capaz de viver num hotel. Embora a distância entre isso ocorrer e a possibilidade de lá poder viver, seja a de uma fantasia. É apenas isso. 

E é sempre uma escolha. Grandes artistas fizeram grandes sacrifícios corporais, para realizarem as suas obras. O Henry Miller a confidenciar-nos a importância de encontrar um tanso que lhe pagasse o jantar, é da maior importância. Também teve que fazer isso e passar todas as dificuldades aparentes que passou, em termos materiais, para fazer a errância dele.

Só vemos o lado luminoso. O reconhecimento. E podemos pensar que é fruto do acaso, que quem se destacou em tais terrenos, não teve que se esforçar para produzir o que produziu, e se o produziu a tempo inteiro também foi preciso arriscar a próxima refeição, ou ignorar os piolhos. 

Sei lá o que todos eles tiveram que suportar para realizarem a sua obra. Aparentemente alguns conseguiram fazer com a calma necessária para apreciarem a vida.

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Sendo um cadeirão, deverá ser confortável. Isso será um assunto de almofadas. Sendo um cadeirão confortável será então para ler um livro, assistir a um filme, conversar. Actividades que não colidem com espírito de Cossery.

Se fosse do género dele, não andava com uma catrefada de coisas atrás de mim há tanto tempo. A aparelhagem da Sony, fabricada, de qualquer maneira, em tempo, em que os aparelhos bons eram construídos para durar.

Como o estou a fazer para mim, vou ter ainda todo o tempo e cuidado em deixá-lo com toda a madeira lisa como a pele de um bébé. Depois ainda tenho que pintar. Comecei-o hoje e está pronto para poder trazer para dentro, se for necessário. Amanhã ainda vai levar os acabamentos que for possível. Enquanto tive lixas, lixei. Poli, arredondei.

Vou ter este trabalhão esperando que no futuro possa desfrutar dele, para todas essas actividades nobres, do espírito. Até para dormir uma sesta rápida. 

E vou sentar-me nele imaginando exactamente o que poderia pensar o homenageado. Suponho que acharia natural que fizessem um cadeirão para ele estar sentado. Também acho perfeitamente natural fazer um cadeirão chamado Cossery, para eu estar sentado a dormir. É um dos passatempos dos Mandriões. 

Permite-me continuar a fazer de conta que o homem até quereria alguma coisa comigo. embora goste imenso de gente que leia nas entrelinhas. Eu, tal como Aldous Huxley, queixo-me apenas que as entrelinhas das ideias consigo apanhá-las mais facilmente do que certas realidades. 

Falta-me tempo para observar. Para me sentar e observar. Anotar talvez. As anotações são óptimas, sobretudo quando o assunto é bom.

As rodas podem ser uma ideia peregrina de a tornar o meu trono nestas bandas. Medições necessárias. Cálculos não tarda. É então tudo possível. Até fazer dele o cadeirão para escrever. Convertível em cadeirão para ver os motociclistas nas suas lutas mortíferas pela honra. Ali também há um lado que não é o meu, e não sei por gosto de séries deste género.

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Até o telefone ou o velho PC me querem dificultar a vida. Não se conhecem. Por isso ainda tenho que enviar as fotos pelo facebook mobile (que moderno!) e esperar que elas apareçam. Para depois as descarregar e compor o melhor possível. Até já.






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Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso, 
ou simplesmente Pablo Picasso.

Fico-me definitivamente pelo Pablo Picasso. Nem sequer vou escrever sobre a pintura dele, se é que isso é possível.

Suspeito dele. Tive alguns relances de que se trata de mais um artista completo. Um artista na vida. Um verdadeiro artista. Mas são suposições, são conversas com tipo qualquer. Passagens a sua biografia. Leio poucas enciclopédias sobre a arte. Prefiro divertir-me com ela.

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Encontrei mais um homem que para além de ser um bom escritor, um grande artista (não quero verter aqui o meu contentamento), foi uma pessoa feliz. 

Foi então muito mais artista na vida do que na arte. Foi perfeito. Sabemos que uma grande parte dos grandes artistas teve vidas atribuladas; vidas muito atribuladas, fisicamente, espiritualmente.

Escreveu em francês, sobre a terra natal, sem mais ter saído do bairro boémio onde se albergou, como se lá vivesse. Foi, fora do Egipto, mais Egípcio que os próprios 

Falta minha, eventualmente, mas é o primeiro escritor de tal nacionalidade que leio, embora não compreenda como me tenha escapado quando andei com o Henry Miller; fui dar ao Jean Arthur Rimbaud, ao Mallarmé, a George Orwell; não sei precisar quantas dicas me deu o Miller ao longo dos anos. 

Foi pela acção do Henry Miller que Cossery desembarca em Paris com Os Homens Esquecidos de Deus, publicados nos EUA e em processo de publicação em França. Na altura a cultura Francesa detinha uma maior importância global que hoje.

Percebo que não é blague Cossery afirmar que não pedia para lhe publicarem os livros. Não precisava de pedir porque eles são bons e seriam as pessoas que os editavam que tinham esse interesse.

Tudo o resto, não sei, mas imagino que se fosse dar uma volta e não tivesse dinheiro para pagar o jantar, senta-se à espera que aparecesse alguém interessado em lhe pagar a refeição. Até ficar agradecido por isso.

Teria todo o gosto de pagar os jantares todos que pudesse, para ter a companhia dum homem assim. 

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A excepção da publicidade aconteceu hoje, para promover o anúncio da venda da Terra Média. 

E ocorre-me que colocar aqui publicidade e ganhar uns cobres com isso, para depois a ATA vir ficar com a fatia de Leão, e ainda ter que sobrar para as Hienas e o Abutres, não me divertia nada.

 Não me apanham sequer com um bilhete de comboio. Se para mim nunca ambicionei ganhar mais do que olheiras (a diminuir), muito menos ia angariar impostos.

Permanece a questão da licença energética, outra boa invenção para sacar uns cobres às pessoas que fazem publicidade, não é que vendem.

Até nisto sou pequeno, ou penso que sou, embora não me compare à galinha famélica que Teymour pontapeou.

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