Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Marlon Brando sabia dançar? Não era uma duplo, no Padrinho, de Coppola? O coronel Kurtz ... de Apocalipse Now ficará sempre como a cara do actor. Não podia ser de outro modo. O que se vê dele é apenas a decadência, «You come to colect the bils», não as atrocidades, as contas da guerra. Ele fora longe demais na liberdade de matar e mandar matar. Kurtz é um criminoso de guerra, sentenciado à revelia, e o capitão Willard ia executar essa sentença secreta. Tão secreta como ele se tinha tornado naquela selva do Cambodja, com aquele exército improvável de indígenas.

Os que mandam matar. Esses são normalmente quem consegue escapar. Não me refiro apenas a crimes de sangue. Refiro-me aos desmandos da história, em que se lançaram seres humanos em todos os tipos de morte. Em todo o tipo de carnificinas que são ensaiadas para divertir poderosos entediados, ansiosos da adrenalina que pipas de massa não dão por si só. 

Para esses não há moldura penal, nem poderia haver atenuantes. Sobretudo se o fizeram por motivos fúteis. Os motivos interessam? Interessa quando camuflam intenções pessoais, caprichos, servilismos, traições. Há sempre uma justificação plausível, mas ninguém acredita nela.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

O meu brinde ao regresso de um dos mais míticos festivais de rock, cujo inicio remonta ao tempo da ditadura (1971). 

O meu brinde pelas receitas reverterem a favor de uma instituição de solidariedade social, a AMA, que apoia pessoas portadores de autismo.

Por mim, ia lá ver esta Senhora Cantar, Sandra Nasic, dos Guano Apes,


Toda a informação em Vilar de Mouros voltou


Autoria e outros dados (tags, etc)

Os criminosos a sério nunca se gabam disso. Jamais pretenderão ser condenados. Um criminoso pode levar a mal que lhe chamem isso. Ainda que quem assim o vitupera, esteja convicto que isso define o ser humano a quem catalogam assim.

Ninguém está livre de o ser, tropeçar num crime leve e obscuro. Arraia miúda sem história criminal. Banalidades. Leviandades. Reincidências. Sem direito a umas linhas nas notícias.

Os criminosos a sério causam alarme social. Assustam velhinhas que se benzem. Em vão. Não está prevista nenhuma extinção. Desde os reincidentes aos primários, movidos por instintos que merecem atenuantes, ou não. 

Para estes arranjou-se uma moldura penal e um conceito onde podem ficar classificados. Até se extinguirem os registos. Até que o sofrimento e a tragédia causada sejam esquecidas. Até que cumpram as penas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

um dia mais novo

31.07.14
Ocasionalmente via a fotografia dela naquele mural. Não era preciso aparecer a fotografia dela para se lembrar. Lembrava-se dela sem ser recordado por uma foto. As suas rotinas não se cruzavam. Vivendo perto era como se vivesse na Austrália.


Quando via a foto nunca se passava nada de especial, para além da nostalgia que a sua observação lhe provocava. Um sentimento qualquer que permanecia igual desde o dia em que o sentira. Um sentimento agradável, portanto. Por isso estimava-o. Por todas as promessas e possibilidades que continuava a encerrar. Por isso não o deixava galgar mais do isso, poluindo-o com possibilidades ou imaginando qualquer futuro.


Era o género de sentimento que o podia acompanhar toda a vida. Que ocorreria a intervalos anárquicos, como ocorrem todas as lembranças. Era sempre aquele verso de um poema de Sam Sheppard.


«eu vejo-te quando tu não sabes que estou a olhar
e cada olhar que te roubo
deixa-me um dia mais novo»




Autoria e outros dados (tags, etc)

Sentia a cabeça zonza por causa do calor, naquele fim de tarde. O afrontamento que sentia imaginou-o generalizado a todos quantos se cruzavam com ele. A toda a gente. Com um calor daqueles era possível acontecer toda a espécie de loucuras. Loucuras daquelas que são notícia nos jornais. Uma espécie qualquer de encantamento existia em tal temperatura, a ponto de o fazer crer em todas as possibilidades. Enquanto ouvia Farewell to Fairground. Para onde se dirigia. There is no place like home, enfim.


Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

«Pretendia revolucionar o mundo com ideias extraordinárias; ideias saídas do fundo da sua imaginação atormentada, mas que não tinham nada de humano, nada que pudesse entrar no coração dos homens. Ignorava que as ideias extraordinárias não são as que nascem do egoísmo bárbaro dos seres: são as que surgem dos seus sacrifícios ilimitados.»

Os Esfomeados Só Sonham com Pão - Conto
Os Homens Esquecidos de Deus
Albert Cossery 
Edições Antígona
Tradução de Ernesto Sampaio.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Inventam de tudo; desembaciadores de vidros retrovisores, pontos com impressões digitais, etc, etc, a lista daria para preencher muito mais que seria suportável a minha paciência e à vossa. Eu como um pêssego e deixo que o sumo me escorra pelo maxilar. Agir deste modo bárbaro, sem preparação, é bem melhor do que ter passeios e não ter pessoas para os palmilharem. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Apesar do aeroporto desimpedido, há sempre um cano entupido que mantém a aeronave em terra. Ou um concurso, desses em que se pode cantar ópera enquanto se responde a questões culturais. Deve ser por isso que se fica aqui pousado, em terra. Sole mio. Holofotes e públicos. 

A noite está boa para voar, a rede está deserta, a rua está deserta. Porque há concursos? Certamente que não é por canos entupidos. Toda a construção que se fez ao longo de estradas principais, a rua que repete tal toponímia em todas as localidades. Com a variante da Rua Principal. Localidades a crescerem em função das estradas, que funcionam em consonância com automóveis. 

As aldeias antigas eram menos extensas. Por não haver automóveis as pessoas e os seus abrigos concentravam-se mais. Em redor de transportes públicos, de outros interesses vitais. Hoje assisto nas deambulações, a uma disposição muito mais disseminada das habitações (mansões).

Por isso não passam pessoas na rua, apesar dos passeios arruinados pelos pesados, dos jardins infantis modernos e dos poli-desportivos não usados, apesar de terem do mais moderno equipamento em tudo. Nesta estrada principal onde já passam muitos menos automóveis, estradas e intersecções desniveladas, rasgam as redondezas. 

Há sinais exteriores de progresso, faltam pessoas para o poder desfrutar. Cada vez menos pessoas, ou nenhumas.  

Autoria e outros dados (tags, etc)

Aeroportos

30.07.14
Finalmente! Acenderam-se as luzes da disponibilidade. Neste aeroporto improvisado foi libertado espaço para a aeronave levantar voo. Não há torre de controlo, neste aeroporto improvisado. De terra batida. Mais do que batida. A terra de onde as aeronaves levantam voo é sempre a mesma, quer seja num movimentado e moderno aeroporto, quer seja aqui. Se o avião levanta voo é um aeroporto. Baptizado ocasionalmente, sem qualquer pompa. Podia chamar-se Aeroporto Ficcional da Terra Média. 

Ao canto esquerdo pode-se ver uns dos Cântaros. Foto de David Lobo.
Percurso pedestre em Trilho do Glaciar

Autoria e outros dados (tags, etc)

O planeta roda incessantemente sobre si próprio e em volta do sol, todos todos os seres gravitam em torno de outros seres, em sóis de diferente magnetismo, atraídos por quimeras, fugindo ao esquecimento, alguns tentam rodopiar ao som da música, outros rodopiam ao sabor dos venenos que se misturam e lhes tapam os limites estabelecidos, por leis escritas por homens tão falíveis quanto os outros. Há poucos dançarinos a conseguir dançar ao som da profundidade natural deste movimento. Eleitos ou clarividentes. 

Todas essas leis não inventadas, são as que quero respeitar no futuro. As outras respeito-as apenas na medida em que aprecio mais o sossego. Temo-as ainda, por não ter ainda toda a certeza de que sou capaz de me desenvencilhar com as outras. Vencer as resistências de todas proposições falsas que me levaram por onde verifiquei serem becos sem saída.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 1/18