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Ainda não recomecei a leitura da Arte da Guerra. O que aprendi até agora está a ser  útil, quanto baste, para me ocupar em por em prática o que aprendi antes de assimilar mais conhecimentos. Reavaliado o poder do inimigo;  dos meios que dispõe;  do terreno em que se coloca. Reconhecendo que partir para a guerra com tão poderoso inimigo só significará ainda mais miséria para mim. O falhanço da primeira investida para obter um armistício com as minhas condições revela-se um propósito inútil e destinado a um mais que possível malogro. 

 

Volto atrás e desdigo-me. Já não quero guerra, aceito a solução de armistício que terão para me apresentar e escolherei a melhor, isto é, a que menos prejuízos me cause. Prejuízos futuros evidentemente. Para ganhar tempo e conseguir captar alguém que aqui queira materializar o seu sonhos; os seus propósitos. O que quiser. Já reconheci que não tenho que dar palpites sobre o que aqui se passar quando eu sair. Se tinha saído na minha vontade. Com a vontade regresso para conseguir uma solução negociada.

 

Será apenas de mim que me posso queixar. Não quis ouvir o havia disponível. Achei-me na prerrogativa de escolher uma forma de saída e dei-a como aceite tacitamente, com o argumento das mais valias que entregaria. Caio na real a partir do momento em que reúno a informação necessária e corrente sobre o verdadeiro significado de dispositivos legais. Eu repito até à exaustão, que o banco ganha sempre, porque hei-de achar que posso impor a minha solução?

 

Sou daqueles que reconhece o erro e se dá como culpado, agindo em conformidade e abandonando esse caminho. Foi assim que aprendi tanta coisa na minha vida, por isso não tenho vergonha de errar. De me precipitar. De corrigir o azimute.

 

A presente situação é do conhecimento de mais gente do que deveria acontecer. Demasiada gente sente este tema. Não pode servir para jactâncias, para protagonismos, como aquele que poderei ter querido para mim, e que não produziu nenhum resultado senão a indiferença no inimigo. Que também andou ocupado a receber diligências externas.

 

Há algo de Kafkiano no facto de alguém, perante um banco, ter poderes de que não possui na vida real. Se vale deles para protagonizar um regresso com intenções desconhecidas. Isto não é uma fogueira de vaidades, porque em parte é por causa da vaidade congénita do reino, que todas estas situações se repetiram até à exaustão. Esta, apesar de ser sido conseguida nas condições em que foi e baseada em premissas que já não deveriam existir, nem ser reconhecidas pelo inimigo, perturbou-me uma vez que me distraiu dele. Nesta altura deveria ser o único interlocutor, não tendo sido.

 

Não é no que escrevo nem nas certezas que emito que reside qualquer validade. A minha pessoa real não é alguém a quem tenham oferecido um emprego. Se por defeito de perspectiva puderem achar que sim, posso adiantar, que todos os dias o continuo a ter que merecer. A Terra Média foi sendo modificada para ser bonita, aprazível. Não serve para obter protagonismos e golpes de bastidores. Não serve propósitos bélicos. Apesar de ser o motivo de uma. 

 

A Arte da Guerra deve falar sobre guerra de guerrilha. Ainda não cheguei lá... Acabei de escapar a uma emboscada. Ileso e ainda com crédito suficiente para me apresentarem soluções. Para poder escolher entre várias. E para corrigir qualquer azimute. Para me prevenir definitivamente de novas emboscadas.

 

Pode a terceira via vir trazer a solução, da qual serei merecedor. Fui eu que a ergui das madrugadas arrancadas à cama. Antes de mim os meus antepassados fizeram o mesmo. Embora continue preparado para prescindir disto. Continua disponível. Não preciso de viver aqui, não se justifica que viva aqui nos moldes em que vivo.

 

Mais forte e mais tranquilo. Se daqui a dias me regozijar por alguma solução, significa mais uma vez que não me foi oferecida. Tive que lutar por ela para a merecer. Ainda bem. Nunca me dei bem com o que me ofereciam. Deve até ter sido por tanto me terem oferecido que me estragaram.

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Não andei a ler as desventuras de Justine. Não se trata da leitura de determinados textos sugerir qualquer inspiração ou história, Uma, que se apresentando como isso mesmo, resultado da imaginação, me perturba o suficiente. Vinda do nada. A repetir para mim mesmo que a natureza colocou tal capacidade de imaginação num tipo incapaz de levar a cabo qualquer materialização do imaginado. Fui vitima disso e da azia no decurso de um passeio final para merecer o banho. Não me foi possível afastar o alastrar de acontecimentos ao imaginado. A respiração era acelerada por isso, não por ir a andar rápido. Esquecia-me do cão e voltava atrás. Composto com esse nervoso todo o quadro improvável que teci, apercebendo-me que prosseguia, que a adrenalina daquela situação era superior ao correr, se bem que não pudesse, por causa da azia. Também não se deverá à azia tal fortuito filme curto. Um filme que nunca seria filmado. A prova que o Diabo existe?

 

Com o Diabo explicava sem precisar de nenhum esforço. Não me serve. Aqui, a haver um diabo, sou eu. Alguém acredita que se possa estar possuído pelo Diabo. Eu não. Andamos todos muito mais perto da loucura ou da insensatez, do que presumimos. As certezas podem falir de um dia para o outro. Até as certezas de um comportamento conforme. É apenas a minha imaginação decadente. Choca-me não ter combatido a natureza dos pensamentos, nos pormenores mais inquietantemente precisos, kakfianos, que por ali urdi em dois ou três quilómetros a correr, e a devanear de maneira inconfessável. É apenas uma história, que a ser contada em toda a sua essência, seria sempre para um livro de problemas. 

 

Concebi um filme ímpar, para exibição privada. A vinda deste assunto deve-se ao paralelo com todos os outros momentos em que me julguei acometido por maus pensamentos, e lhes declinei toda a responsabilidade, pelo seu nascimento inesperado, ilógico, problemático. Nada disso hoje aconteceu e nenhum técnica seria possível de parar aquela torrente de cenários. Talvez deixassem o David Lynch filmá-la. E talvez com o olhar de alguém pudesse toda a essência do auto-pasmo por actividades desta natureza. 

 

Aquilo que de modo cru, podia ser intragável, pode ser possível nos limites de um tempo, numa circunstância específica (a azia), apenas a demonstração de que a falibilidade dos sentimentos e a ideia muito boa que faço de mim próprio, a posso colocar em causa. São jogos mentais, Senhor. Enquanto não forem revelados, não passarei a fronteira de qualquer incómodo. Posso-o contar numa história. Há tantas maneiras de esfolar uma vaca. Suponho que não devo ter apanhado nenhuma carraça durante os mergulhos na relva, que possa ter induzido de modo veneno tal curso de imaginados eventos. 

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Eu estou aqui. Sem saber porque estou, verdadeiramente. Por nada mais me apetecer fazer. Devia dormir. Os olhos fixam-se com dificuldade no ecrã, saturados de pixeis. Um frio inexplicável, ainda que suportável. Posso sucumbir a um desses ataques de frio que dão ocasionalmente? Pode um destes arrepios, aumentado exponencialmente, provocar-me tal sorte. Morrer de frio. É uma expressão para uma determinada circunstância, em que ficamos expostos aos elementos. A de morrer mesmo, fulminado por um arrepio de frio que congele o coração, parece-me um pouco fantasioso. O fantasioso na natureza é uma balela e a minha imaginação é um grão de areia. Apesar da descontracção. Não está tudo ao contrário, apenas um ligeiro frio, um arrepanhar dos dedos, um esticar de tendões. Voltar a cartografar, através da dor, todos os tendões e músculos. Até que estejam todos desemperrados a preceito. Tudo o resto e aparar a sorte e não ficar impressionado com a grandeza deles. A grandeza deles acaba quando papeis forem dados sem efeito. A história desta morte anunciada, é apenas, como todas as anunciadas, o decurso de um destino qualquer que é ministrado a personagens. Por motivos elevados como a honra, morre-se. Quem não a tem ou não lhe é atribuída, fica isento de morrer dessa maneira e de se divertir de maneira desonrosa. Infantil ou insensata. O formato que me encaixaram pode ruir a qualquer momento, se é que já não ruiu. Fiz escolhas. Não estou a fazer figas para o que vem, não é necessário nada disso, nem são necessárias superstições. Seguir o curso possível dos acontecimentos que não dependem de qualquer empreendedorismo individual. Permanecer no púlpito? Isto é um púlpito? - que ideia mal amanhada da minha parte. Passo por cima dessas bugigangas todas com um olhar de fiel de armazém, que organiza as mercadorias. Está muito por escrever ainda, quando toda a trama dos acontecimentos for devidamente colocada na sua devida cronologia. Talvez consiga perceber-me ainda mais profundamente, para saber por onde o inimigo me poderá tentar flanquear, me me espremerem, num movimento de tenaz e com a tenacidade habitual. Jonas a ser cuspido pela baleia. Jonas intragável. 

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Mero desleixo

22.09.14

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« - Muito me espantas - disse-lhe. - Um respeitável funcionário como tu!- Pois fica sabendo que a este respeitável funcionário, como lhe chamas, lhe tiraram a caneta - disse El Kordi. - Tirou-ma o meu chefe de escritório, pois então! «Coitada desta caneta do Governo, a enferrujar-se na tua companhia! Meu caro El Kordi Efêndi, parace-me haver quem dela faça melhor uso»: foi isto que ele me disse. Aqui onde me vês, sou um escrivão sem caneta.»

 

MENDIGOS E ALTIVOS

Albert Cossery

Edições Antígona

Tradução de Júlio Henriques

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«Estavam sempre a perder os acres em patéticas circunstâncias porque o pai velho já não podia trabalhar, a amável filha estava em decadência e o malvado credor ou o malvado lord estavam prontos a aferrar os acres ou a virtude da filha. Os pobres, para os românticos, nunca eram urbanos nem industriais; o proletariado é um concepção do XIX, talvez igualmente romantizada mas totalmente diferente.»

 

Capitulo XVIII
O MOVIMENTO ROMÂNTICO
Bertrand Russel
História da Filosofia Ocidental
Círculo de Leitores
 

 

Não tinha pedido nada disto. Calhou comprar aquele volume a baixo custo numa loja de antiguidades. De ter apreciado o estilo simples de escrita do autor da tal história. A CONQUISTA DA FELICIDADE é um livro que posso aconselhar qualquer um a ler, porque retira dele algum conhecimento para lidar com essa questão. De o considerar um observador bastante objectivo e equilibrado. Estive à espera que  o vendedor/comprador fosse ver quanto custava. O livro ainda está ligeiramente húmido. O tempo que faz não ajuda nada. Deitei fora acapa lustrosa com a cara de um dos tipos de que fala, que conheço, eu já vi aquela cara em  algum lado. Verifico através do link que fiz um bom negócio (sem pensar nisso, apenas na vontade de comprar e de ler aquele livro se o preço fosse acessível às possibilidades. E que apenas preciso de um conselho de quem sabe tratar de livros, para o livrar da humidade (um micro-ondas? - É melhor não!!!). Tem agora uma respeitável capa de cor castanha sem nada. Por ser um livro que se pode ir lendo e de consulta, convém ter uma boa encadernação. Gosto de boas encadernações. Se os livros o justificarem, evidentemente. É sempre um critério acessório, isso da encadernação.

 

 

O Capítulo que deu cabo de tudo 

 

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«O que nele lhe agradava, antes de mais, era a sua extrema futilidade. El Kordi era um revolucionário, tinha ideias revolucionárias, tinha ideias a respeito do futuro das massas e da liberdade dos povos; e no entanto era fútil, não escapava a este mundo irrisório. Bem podia insurgir-se contra a opressão, julgar-se perseguido, ele e todo um povo, mal se via apanhado pelo instinto, tornava-se superficial, comprazia-se nas mais frívolas das acções.»

MENDIGOS E ALTIVOS
Albert Cossery
Edições Antígona
Tradução de Júlio Henriques 

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Quando a realidade extravasa os piores cenários começa a confundir tudo. Esta realidade aprisiona-me num sentimento de derrota, de exclusão. Tiraram a caneta ao Escrivão. Há um mês ria-me ao fim da noite com este episódio, longe de imaginar que me iria acontecer o mesmo. Aqui o episódio romanesco aterrou-me como realidade. É quanto basta para explicar a angustia e o torpor (isentos de impostos).

 

Um Escrivão sem caneta

 

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As actualizações através de comunicado sucedem-se: agora podem fazer isto no Citius velho (consultar na anterior geografia os correspondentes processos, dar informações, obter informações dos mesmos, ir buscar algum modelo de documento para um acto urgente...). 

  

Hoje já se fez alguma coisa nas novas comarcas, ainda sem processos, a zeros. Com subterfúgios, foi possível começar a dar sumiço a pilhas de papeis e de ofícios e de requerimentos, que se foram acumulando ao longo destes dias de inactividade (comecei a ver uma oportunidade de negócio em pedras pisa-papeis...)

 

 

  

Foi por tentativas durante o dia que foi possível aparecer o que já havia aparecido. Um magnífico Citius a zeros, nem os processos que lá deveriam constar, entrados após 1 de Setembro, estão, pois não entraram. As entidades tem que ser todas de novo criadas, para identificar o remetente.

  

A migração dos antigos processos pendentes continua, deste lado, por realizar. Esta será nos próximos dias a questão crucial, trazer à vida nas novas comarcas todos os processos que estão na antiga, com toda a informação intacta.

  

Contornou-se um problema lançando finalmente a normalidade para os novos processos, ainda que o cerne do problema subsista: a migração faz-se ou não se faz? 

  

Decerto que toda a gente bem intencionada a deseja. Espera-se pelo Citius como por Godot? Os processos em curso são os que são importantes, são esses que faltam.

 

Ainda bem que esse contornar apareceu e me permitiu sentir que estou a fazer algo para pegar no que há para pegar e começar a trabalhar a sério. Isto assim não é vida para ninguém.

 

 

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Encontrei no Porto uma pequena loja de bonecos. Esses bonecos são bonecos de gesso ou de barro tradicionais, como o Santo António, pintados com vestes de personagens da banda desenhada ou dos filmes, ou o Galo de Barcelos pintado ou decorado com outras cores.
Ter descoberto o trabalho do artesão e lhe ter podido pessoalmente transmitir os meus elogios e a promessa de voltar para comprar um daqueles bonecos, foi gratificante.
 
Para além da ideia de reinventar símbolos nacionais, o trabalho enquanto artesão é que me deixou rendido. É com uma enorme satisfação que divulgo o trabalho que faz, esperando que seja bem sucedido, porque merece, no meu entender, um visita à sua loja.


Socorrendo-me doutra mente perspicaz, de Marco Santos, a quem vou colocar o link deste artesão como comentário ao artigo para acabar de vez com a publicidade.

... quando soube do projeto do francês Etienne Lavie de trocar placards publicitários por obras de arte lembrei-me de Andy Warhol. Lembrei-me porque tenho tanto interesse nas obras dele como em comer as sopinhas que pintou.

 

The Portuguese Cock

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