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as guitarras de linda martini mordem-me

isto vai-me morder durante quanto tempo?

o semblante sem nódoa dum anónimo

a cara profunda de pensar por conta própria

no espasmo dum desejo que se esfumou

um desespero de cara levemente ondulada

são as guitarras deles, é a tristeza do fundo 

das salvas disparadas pelos canhões

as últimas homenagens, as últimas flores

lançadas para cima dum esquife

Que o digam, porra!!!

Que me abracem e me digam que os deixo a pensar durante 5 minutos.

Que é isto das visualizações?

máquinas a contarem aparições

como todas as outras aparições, os pesadelos

do tempo desperdiçado

remorsos e mais remorsos, inventados a preceito

na noite esquecida

companhia ocasional de metro

vislumbre de rua

 

a noite não me apanha assim tão desprevenido, porque organizo este festim degustativo, porque adio tarefas úteis, porque nada faço por mim mesmo senão o indispensável


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Melhor ficar a pasmar com as inverosimilhanças do futebol, praticar para conseguir apagar os cigarros, mas fico por aqui, nesta dimensão  estabelecida do tempo  Uma casa onde vivo em comodato, fornecendo toda a criação, é certo. 
 
Todos os sonhos estão intactos, não há deste mundo nada que os possa atingir. Os nunca nunca sonhados, respostas. Tenho razão na minha urgência em tudo querer. Já desperdicei tanto tempo em buscas infrutíferas, já devaneei demais. 
 
Para quê perder tempo? 
 
Perco-me atrás de um ecrã reduzido de uma pasta de recepção, enquanto direcciono mensagens, bem mais comodamente sentado e mais eficientemente que Barnabás. 

Já perdi tanto tempo no tempo que me possa ter sido concedido. É certo que devo estar grato por literalmente andar por aqui. Uma espécie de vida automática, entre o passado e o presente, uma rotina qualquer que se prepara para me almofadar. 

Por ora é o que faço, não há nada de significativo, nada de importante, nada de divertido. Amanhã é já daqui a bocado. O que faço aqui, que teias urdi? O que desejei?

Já não vale pena advertir-me para ter cuidado com aquilo que desejo. Não fugirei daqui, não me vou esconder, sou urgência, é agora mesmo que quero publicar-me. Não é aqui que vou encontrar aquilo que poderia impedir-me de escrever e por isso tenho que escrever, aquilo que poderia impedir de escrever pode sempre impedir-me e/ou acirrar-me. Não sei nada disso. 
 
 Hoje é mais um dia, mas quantos desgraçados dizem isso há tanto tempo que se esqueceram do dia em que o começaram a dizer? 
 
Com isto consegui algum alento, talvez o suficiente para ainda não me esparramar  na indigência, de chapéu roto no chão a mendigar atenção, com a ausência de presente.

Nada disto teria importância se o delator fosse dos vencedores. Dos sedutores, dos que vão sempre além, nada os perturba, nada lhes estraga os planos cuidadosos. Capazes de fazer uma viagem de circum-navegação sozinhos.

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Já tomei banho e até encontrei o estado de espírito musical no Legendary Tiger Man. Fora isso só café já frio. She is a Hellcat (a porra da noite...). De sempre, o sempre demasiado tempo, uma solidão antiga, tão antiga quanto se lembrar de ser. O peso da matéria. O peso de tudo o que não parece certo.

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[Ocre e Roxo]

29.09.15

- Vai buscar as cores, as cores que tens em ti, deixa-as sair...


 

enquanto um trio de músicos de rua, toca temas descontraídos, sem técnica apurada, sem cantarem, a amplificação roufenha, a letra herética, a letra de rascunho estilizada

 

aquele velho, de fato completo já muito usado, no canto da esplanada de cadeiras amarelas, podia ser o Cossery, observando o mundo. É de certeza um Cosseriano.

 

Isso é que é Aprender a Voar. Deixa-te suavizar pela música deles, não é para sentir nada de especial, está-se aqui bem.

 

PRIMOROSA CONFECÇÃO DE CINTOS

 

o desejo insano da vagabundagem para observação, quando se quer mesmo procurar alguma resposta em cadernos de rascunhos, uma resposta concreta, uma resposta satisfatória

 

o jeito está mesmo cá todo, quantias fantasias há para inventar? quantas desgraças para engendrar?como evitar a colecção de nódoas? As cicatrizes não mentem, as mãos não mentiram, as cores reclamadas podem fazer falta, caiu o desespero

 

o jeito está mesmo cá todo, mas não há plano nenhum para exercer, está tudo intacto, tudo conservado, em ocasionais correspondências, em imperceptíveis lampejos, em letra miúda de anotador, ocupação alternativa, ocupação temporária, ocupação principal

 

CRISIA - CARTEIRAS

 

deve ser a vida fácil, a vida apeada, enganar o tempo com estas crónicas irresolutas, pretender iludir os dias, fazendo crer ser esta uma actividade recomendável

 

Depende do estado de espírito. O estado de espírito adequado, conveniente, propício. Onde está o inesperado que se espera? Se é inesperado porque se espera por ele?

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É um ser que ainda não se lavou completamente do liquido amniótico que o protegia numa gaiola onde permanecia, por nada de interessante haver fora dela, ou o conforto da gaiola e a zona de conforto o manterem confortável no seu cativeiro. Tudo misturado num caldeirão que explodiu em cores fortes, em máscaras de África. Terra mãe esquecida. Apelo as magias desconhecidas. Para portas onde bater... 

 

 

 


Toda a sorte de estratagemas mentais podem ser invocados. Se resultarem não será preciso nenhum médico da dor. Os cicatrizantes actuam, cada acordar se tornou mais um acordar automático, antes do despertador, para não o ouvir. Não se ouve nada. Toda a sorte de ruídos e de perguntas. Toda a sorte de entardeceres com a lua nítida ao lado do castelo de santa qualquer coisa, que na realidade é uma pensão...

 

Perdeu-se na pensão, na lua, na pedra pomes, nas unhas por cortar, nos cabelos desalinhados. O momento banal, o programa da máquina de lavar em modo básico, a loiça a escorrer. Dias mantidos por linhas que unem umas nas outras, num teia de entendimento, numa névoa de assentimento e compreensão. Nessa órbita sem cálculo.


A máquina de lavar roupa recomeça o seu gorgolejar de roupa. Sem qualquer programa favorito, no sortilégio de uma bancada vazia. Um jazzada qualquer, em vez de uma aspirina. Em volutas de palpitação, faço uma tangente e gosto. Calculo o exacto momento e o exacto trejeito. Valem-me sorrisos idiotas e reais.


Só que não chega. Quero que o outuno seja quente. Quero cada frase a parecer nova, a dizer o mesmo que os outros podem dizer, se se escrevessem. O jazz dos anos vinte, uma boa competição com a máquina de lavar em modo torcer. As galinhas impeditivas da Ilha Azul. As nesgas do tempo revirado sem qualquer roteiro. O roteiro do renascimento. Ainda não se lavou do liquido amniótico.

ecida. Apelo as magias desconhecidas. Para portas onde bater...


Toda a sorte de estratagemas mentais podem ser invocados. Se resultarem não será preciso nenhum médico da dor. Os cicatrizantes actuam, cada acordar se tornou mais um acordar automático, antes do despertador, para não o ouvir. Não se ouve nada. Toda a sorte de ruídos e de perguntas. Toda a sorte de entardeceres com a lua nítida ao lado do castelo de santa qualquer coisa, que na realidade é uma pensão...

 

Perdeu-se na pensão, na lua, na pedra pomes, nas unhas por cortar, nos cabelos desalinhados. O momento banal, o programa da máquina de lavar em modo básico, a loiça a escorrer. Dias mantidos por linhas que unem umas nas outras, num teia de entendimento, numa névoa de assentimento e compreensão. Nessa órbita sem cálculo.


A máquina de lavar roupa recomeça o seu gorgolejar de roupa. Sem qualquer programa favorito, no sortilégio de uma bancada vazia. Uma jazzada qualquer, em vez de uma aspirina. Em volutas de palpitação, faço uma tangente e gosto. Calculo o exacto momento e o exacto trejeito. Valem-me sorrisos idiotas e reais.


Só que não chega. Quero que o outono seja quente. Quero cada frase a parecer nova, a dizer o mesmo que os outros podem dizer, se se escrevessem. O jazz dos anos vinte, uma boa competição com a máquina de lavar em modo torcer. As galinhas impeditivas da Ilha Azul. As nesgas do tempo revirado sem qualquer roteiro. O roteiro do renascimento. Ainda não se lavou do liquido amniótico.

 

 

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A vida apeada - Crónicas do Porto. Nova etiqueta numa série infindável de etiquetas que nunca uso, alegadamente por falta de tempo. O tempo, atmosférico e o tempo para prosseguir conhecendo, ou reconhecendo os já conhecidos. As torres das igrejas e os edifícios  emblemáticos.

 

O sol quente outonal, o rio verde esmeralda. Os telhados do casario recuperado [fractais]. A magnificência e a cor. O vento a fustigar a cara. As masmorras do quartel.

 

O Pipo do Amontilhado de Poe e as alusões a jogos de vídeo.

 

- Para onde vais? Acalma-te. Onde estão as coisas simples e sem história? 


-São todas assim, a não ser que exista quem veja, quem partilhe. Continuam a ser simples e sem história e felizes. 


- Existem por si e pelo relógio de cada um. Porque está o teu tão acelerado?

 

Ele não sabe de nenhumas das alterações químicas por que tinha passado o seu corpo. Por força delas outras alterações ocorreram. Essas alterações permanecem sob rigoroso controlo clínico. Prognóstico reservado, com o paciente a reagir bem à terapia. Tais alterações precisam de consolidar e produzir oportunamente a sua função, que agora se tenta restabelecer através do repouso. 

 

Ou da exaustão. Dos pés sentidos no lajedo. Da resistência, para além dos cânones, para além dele que é muito mais além se acreditar que pode surgir daquela escavação uma luz, um buraco para respirar bom ar e para ver a luz... para conhecerem o labirinto de túneis que construiu sem nenhuma finalidade, senão a de se manter ocupado.


Crónicas daqui, sobre o que aqui se confronta, para além do olhar embasbacado, conveniente e despercebido de turista acidental. Crónicas sobre como participar com entusiasmo do movimento da colmeia, numa rebarba do tempo, num esgar duma inspiração. Na confusão natural de quem foi feito para palmilhar terreno, cumprir vocações livrescas, viver entre a fantasia e a realidade. Os truques do escapismo.

 


A observação reforçada, treinada, o olhar sem receio. Os segredos de polichinelo. A ambiguidade toda que se esfumou. Uma calmaria de Gólgota. Uma cidade ao amanhecer antes da grande azáfama. Os vislumbres do que, mais uma vez, está para além da história oficial. A linguagem serve para suavizar o caminhar exploratório, nesta forçosa vivência

 

Com a alma apertada de um actor que se estreia, com a pena leve de um cronista que vê o seu mundo inundar-se de solicitações. Os encontros das esplanadas. A pulsão de um caderno onde se manuseiam receitas todos os dias diferentes, com os ingredientes que existirem. 


«Hoje soube-me a pouco, hoje soube-me a muito», sortilégio ou predestinação? Foi tanto perseguir sonhos que não concretizo e ver os que nunca idealizei, concretizaram-se? 

 

Bem me avisaram para ter cuidado com aquilo que desejava. 

 

 

a ouvir, entre outras,  

All we wever wanted was everything

Bauhaus 

There is A Light That Never Goes out 

The Smiths 

 

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o fim de festa

28.09.15

Talvez o Brian Eno me conceda o sono. São 02:00 de um dia qualquer da história. Não quero dormir e não durmo. A energia impede-me, ao dedilhar carinhoso do piano, de a conseguir debelar. Como se pode arrumar convenientemente as vivências? Se não se dorme o suficiente? 

 

Desafios em sonolência controlada [sons de jogos de Sprectrum, nunca jogados], velho truque, refinado pelos novos temperos. Guia-se pelo olfacto restante. Como posta restante. Até ele abusa dele mesmo para fins beneméritos. Ou para fins digestivos. Sempre no limiar em que um trecho o derrube, para o [re]conhecimento. Para o patamar da incredulidade: tanto tempo desperdiçado, onde esteve a tua janela? Já não é tarde de demais para tudo, como hoje, agora, a esta hora indecente de intervenção.

 

 

Agora, que tanto desvelo 

é patente, que as barras se liquefizeram sendo imposível não sair

 

agora, que os dedos dele me acalmam numa meditação urgente, em que a relutância a ceder

se mantém, porque é melhor ficar aqui a adiar mais uma ronda pelo esquife. Mais um relambório para ajustar as semi-colcheias de uma pauta por acabar.  

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retorço o dicionário, à procura de palavras novas, de agradecimentos. As interrogações sobre este local estranho e inóspito onde acordei sem ti. À deriva, os movimentos dos dedos,  incertos, os dedos a descontrolarem os movimentos do rato, o corrector a chamar-me a atenção.

 

impossível decidir desde que fiquei na tua órbita: O sol à volta de quem descrevo movimentos de translação, cada vez mais afastados, até a mecânica das emoções se acalmar, os electrões estabilizarem, nesse estado indeterminado de não ser visto.

 

não era aqui que queria estar. Não era aqui neste rolo que devia permanecer, a lavar a roupa sem decoro. O que me vale invocar a extensão da minha inocência? Derramar ingenuidade e  desconhecimento das leis certas da atracção.


não tenho mais nenhuma estrela onde me aquecer. Tenho as vontades dum planeta crivado de vulcões, recém nascido, em transformação. Tenho enfrentado as atmosferas hostis com toda a precaução.


está tudo bem. É uma manhã de um dia qualquer. Coração selvagem e esfomeado que toma galope, numa órbita desviada, descerrada a cortina do tempo em que as elipses se encontraram e atraíram no espaço livre e sideral. 

 

[A mecânica podia prever isto, se conhecesse as partículas e os seus movimentos?]


não sei da da chave do teu sorriso.

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retorço o dicionário, à procura de palavras novas, de agradecimentos. As interrogações sobre este local estranho e inóspito onde acordei sem ti. À deriva, os movimentos dos dedos incertos, os dedos a descontrolarem os movimentos do rato, o corrector a chamar-me a atenção.

 

impossível decidir desde que fiquei na tua órbita: O sol à volta de quem descrevo movimentos de translação, cada vez mais afastados, até a mecânica das emoções se acalmar, os electrões estabilizarem, nesse estado indeterminado de não ser visto.

 

não era aqui que queria estar. Não era aqui neste rolo que devia permanecer, a lavar a roupa sem decoro. O que me vale invocar a extensão da minha inocência? Derramar ingenuidade e  desconhecimento das leis certas da atracção.


não tenho mais nenhuma estrela onde me aquecer. Tenho as vontades dum planeta crivado de vulcões, recém nascido, em transformação. Tenho enfrentado as atmosferas hostis com toda a precaução.

está tudo bem. É uma manhã de um dia qualquer. Coração selvagem e esfomeado que toma galope, numa órbita desviada, extinta a janela do tempo em que as elipses se encontraram e atraíram no espaço livre e sideral. 

 

[A mecânica podia prever isto, se conhecesse as partículas e os seus movimentos?]


não sei da da chave do teu sorriso.

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Pela segunda vez apaga o parágrafo inteiro. De uma só vez. Coragem. Desolação. Até pode ser tédio ou indiferença. Que diferença faz? 

 

Esconjuradas as canções. Mitigadas e de novo no seu canto, palco de uma prova de esforço ao que possa evocar. O esforço é autónomo. A razão plausível. É cedo para ter sono. É cedo para não se conseguir sair da letargia. Banda sonora equívoca. 

 

Letargia? Tédio? Cansaço?

 

Os pesos que cada uma carrega, sem que possa parecer que se carregam. Incógnitos. Íntimos. Mas mesmo assim ninguém pode fazer nada.

 

Terra imediata da radio. Demitida sem apelo por interferências.

Automóveis.

 

Sangue nos Asfalto - Mão Morta.

Apontamentos de banda sonora.

 

António Lobo Antunes tem razão

Há poesias que não se conseguem imaginar. Só viver.

 

O revisionismo de baú. Os riffs ardentes e aguçados, ameaçadores, a serrarem a indiferença, os pormenores de viagem, a voz acutilante. Sentir por fora o embate do tempo. Recuar muito mais, como se não tivessem passado tantos anos e tudo estar aparentemente igual, mas muito mais colorido.

 

Nada de transcendente se passa aqui

A coragem sai de onde não se sabe

Os rolos dos filmes são rebobinados e de novo exibidos.

A cada visionamento um imperceptível distanciamento

ocorre

e se torna menos doloroso

A repetição torna a imagem mais nítida

Mais perfeito o filme

Mais filme e como tal

 

agora

 

enquanto não se é visto permanece-se como aquele bichano alemão

num indeterminado estado 

 

Confortável estado de espírito

de encomenda

não interessa o dia que é

quando se está no filme

 

já não interessa a ergonomia, nem o

impasse momentâneo

 

Uma pausa para reverberações eléctricas, guturais, extremas, serra afiada, 

 

«onde ainda servem café de saco»

 

renunciar aos cadáveres

que escureciam a pele

renunciar a toda a rotina,

a rotina não é daqui

é auto-infligida

sem desacerto

 

cada um é a sua rotina

o seu ser

as suas expressões

ao espelho

no cavaco destinado à lenha

subliminal urgência

afagar o acabamento de

medronho

 

A noite prossegue e prossigo com ela. Dói-me o rabo. Fiquei aqui plantado. Despenteado

a afagar as teclas sem olhar para elas

de novo uma correspondência:

eu, o teclado e a eternidade ou o amanhã.

E posso ficar mesmo aqui horas e horas

sonâmbulo

a destapar vulcões

a esquecer-me

como se visse TV

a esta hora não

arrepanho os cabelos

estática do êxodo

reviro os olhos sem nada ver

para os revirar

sem préstimo nenhum

 

Agora é mesmo sono e cansaço

Não sou como eles. Isto é outro interlúdo. Uma ocupação temporária. Um estágio a sério numa peça que fiquei incumbido de escrever. Ou de escrever no tempo em não vivo. 

O que é viver?

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