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Sofreguidão

05.12.15

Monólogo para Desconhecido(a)(s). Passatempo e revisionismo. Os melhores pedaços do espírito empreendedor, além das palavras. Confundem-se com elas, estão nelas de forma indirecta, ramal secundário. Devo ou devia, não consigo escolher, reverter para rascunho tudo aquilo que não me interessa ler, enquanto leitor. Outra relação de dualidade. O gozo a dobrar. O hedonismo saciado. A bênção das frases pintada nas passadeiras. A montra mais com os melhores artigos. Trabalho mais árduo e penoso do seleccionar os melhores e juntá-los em agremiações de títulos. 

 

Desconfio d' As Crónica da Terra Média porque ocorreram antes da primeira mudança de forma. Já não as recomendo. Embora se mantenham à disposição. Estou a recomendá-las. Estímulos de introspecção sem qualquer contraditório. Quando tive a energia e discernimento de os reunir gostava de os ler. Gosto mais de ler os mais recentes. É sempre assim. Doutro modo seria difícil prosseguir, muito menos penosamente. 

 

Mais do que pulsão é entusiasmo, encontrar formas em gases voláteis. Colorir. A racionalização é preferível ao romantismo de pretender chegar às uvas, pois as uvas lá permanecerão, verdes ou não, depende de quem as vê. A reinvenção é agradável, preenche o espaço vazio dos átomos, tornando-se boa condutora. A gratidão pelos desconhecido[a][s]. A mania dos parêntesis rectos. A diversão dos balanços, a puerilidade de sentidos despertados. A bitola elevada. A contenção. Entardecer o enigma, o dia seguinte um novo dia sem as rotinas da morte. Rotinas da sorte? O conforto e o desgosto.

 

Desafiar a natureza humana e os seus instintos. Contrariá-la é desviá-la para lagos de contenção, represas para domar o curso impetuoso das águas. Criar pombos correios. Conhecer a física da conservação da bolacha. [pausa sem explicação, altura de temporizar com uma expressão idiomática pré-programada para ganhar tempo]. Mesmerizar desta forma. Irritar o Corrector. Invocar um cobertor. Uma toada de bolachas. Uma toada de tempo que haverá de recomeçar. Em cada Entardecer. Em cada colina conquistada. Cuidar de uma prole de filhos legítimos, sem desfalecer, sem esperar reconhecimento nem equivalências. Pode ser uma maldição. Uma requisição em falha. Um projecto de revisão, uma sofreguidão. 

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Foto1677.jpg

«De hoje até ao dia 8 de Dezembro, dia em que se assinala a data do nascimento e da morte da poetisa Florbela Espanca, serão várias as ruas de Matosinhos invadidas pela poesia.»


entre outras iniciativas...

23.00 | Café da Praça | Poemas para engatar com sucesso
 
«Sessão desenvolvida por Renato Filipe Cardoso com leitura de poemas para seduzir mulheres sensíveis ou descaradas. Uma sessão de poesia desconcertante no Café da Praça.»
 
Festa da Poesia em Matosinhos

 

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no próximo século.png

 

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Fora confrontar-se ao cerne de si, dos seus tempos, ao interior que a seiva da memória alcançava, munido com novas ferramentas de análise . Analisar friamente, como se não fossem os seus actos que estava a dissecar. Contraído antes de um qualquer espasmo que gorgolejasse o engano, a subtileza da cura que se operava através de dolorosos processos para o visado. Não era de perdão, era de expulsão. Uma prova final, a validar a cura e os métodos de tratamento.

 

As forças da natureza brutais, à distância de três degraus, ao alcance da vista da ampla janela, a reduzi-lo à condição ínfima, desprezível do seu corpo material, da sua existência efémera no devir dos tempos. Aquela montanha formara-se há milhões de anos por forças destruidoras que o vaporizariam a ele e à sua irrisória existência, a sua dor é uma dor de quem não é nada pretendendo ter alguma importância. As galinhas a perturbarem o envolvimento com o infinito.

 

Assistiu sem pestanejar ao desfilar das suas escolhas, a considerar-se vítima de si próprio quando se julgara o herói. Circunstâncias de tempo e lugar a confiná-lo. Adversas circunstâncias emocionais despertam o instinto de sobrevivência, alocando todos os recursos para esse fim. O desafio de permanecer com a sua melhor cara e o desafio de esconjurar a desapontamento presente, umbilicalmente ligado ao passado.

 

Atravessara o tempo dos seus enganos, da sua cobardia, da sua fuga, do tempo desperdiçado. Tudo escalpelizado. Tudo analisado. Do tempo aproveitado para se elevar, se descobrir, abrir a criatividade toda aos elementos. Do tempo de se dar conta de que era mesmo aquilo que queria ser. Sem tendência para atenuantes. O salto quântico necessário para o futuro. 

 

Isolou os defeitos. Identificou as qualidades provadas. No final dessa viagem ao fim das noites e de si mesmo, restava o que podia fazer no presente para que no futuro não tivesse que se penitenciar sobre o presente quanto o estava agora a fazer relativamente ao passado. Os alicerces do seu esforço e a inspiração dos tempos em que foi herói tinham-no ali perante uma oportunidade de se transcender, de não desistir do bem, de não se encolher no seu desgosto. 

 

O Homem Sem qualidades tinha-se sumido, pese embora essas qualidades existissem antes, não sendo reconhecidas por motivos obscuros. Desaparecera a angústia provocada pela injusta ilegitimidade. Permanecia esse efeito em si e na gratidão que sentia pelo acontecido. Continuava maravilhado. Tranquilo, satisfeito pela dádiva da natureza, com a dádiva de si. 

 

No final desta catarse tinha assuntos para resolver. Era por isso que desejava sair dali. Sem nenhum deslumbramento maior do que aquele que acontecera no seu interior. A si enquanto ser, ao desabrochar para a nova física. A quântica e a sua, a perplexidade sobre o estado do gato, o seu próprio estado. Adquirida a incerteza. Adquirida a resiliência. A cura da Cryptmeria. Alvorada de um salto civilizacional. O guerreiro em paz, purificado pelo azul turquesa do mar, em comunhão com as forças brutas da natureza.

 

* Cryptomeria Japonica D. Don

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Efeito C

01.12.15

 

 

Publicação efeito C.png

 

É-se condenado, sem apelo nem agravo, sem nada para contraditar, perante memoráveis tempos, em que se fez o que nunca tinha sido feito. Servirá de consolo e de desconsolo, de perplexidade, de saudade, de nenhum arrependimento.

 

É o modo como viajas que interessa, aprecia na parte disponível. Não esperes que as flores brotem para ti, não desesperes pela vinda de quem não prometeu vir, procura quem queres que venha, não te deixes abater pelo som do elevador.

 

O espírito começava a voar para a liberdade. Como se fosse o primeiro voo, fora difícil sair da segurança e do aconchego do ninho. Não era só o voar, era também enfrentar a realidade da grande floresta. Apreciava o voar por ele mesmo, fremente bater de asas, assombro perante as maravilhas que se anteviam. Aprendera tudo o que lhe ensinaram deixando que os ensinamentos se entranhassem em si. A confiança no padrão de voo alcançada pelo entusiasmo no treino, onde, se treinou, o fez como se fosse a sério. Era a sério.

 

 

D’A (nova) Física do Ser

(A Vida Apeada – Crónicas do Porto)

 

Pode ser descarregado livremente aqui.

 

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Aconselho a audição de Time Out The World-Goldfrapp, durante a leitura do que se segue.

O seu espírito começava a voar para a liberdade. Como se fosse o primeiro voo, fora difícil sair da segurança e do aconchego do ninho. Não era só o voar, era também enfrentar a realidade da grande floresta. Apreciava o voar por ele mesmo, fremente bater de asas, assombro perante as maravilhas que se anteviam. Aprendera tudo o que lhe ensinaram deixando que os ensinamentos se entranhassem em si. A confiança no padrão de voo alcançada pelo entusiasmo no treino, onde, se treinou, o fez como se fosse a sério. Era a sério.

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Esperteza de Rua

01.12.15

O mundo dos sopradores potentes para secar as mãos. Aquecido ou arrefecido. Um mundo de montras bonitas, com chás de Roiibos Limão, de Jasmim, com toques de chocolate ou de cereja. Dizem-no Gourmet. Apreciar em vez de consumir não é pecado. Um mundo onde pegas na tua bandeja e te sentas onde queres, alguém virá levantar o teu consumo. Um mundo onde passam mulheres e homens que se preocupam com a sua aparência. Em que tentarem parecer-se mais com eles próprios eleva a auto-estima. Um mundo Alice no País das Maravilhas. Um mundo de sopradores potentes e casas de banho limpas e com papel higiénico. 

 

Um mundo de cenário, plasmado nas fachadas para casas não existentes da zona de restauração, mas não o podia diabolizar, porque se sentia confortável, quente, com boas vistas. O seu instinto de rua colocara-o lá a coberto do frio nocturno a satisfazer necessidades ainda mais prementes. De lá, em directo para nenhures, efectuou os seus apontamentos de turista, renunciada a condição de motorista, nas presentes investigações. 

 

O facto de não estar em directo fazia-o rir-se dos seus apontamentos. Havia no sorriso de SP uma ironia proveniente do modo como, com despesa mínima, se podia por ali manter por horas. Podia ir dias seguidos a diferentes estabelecimentos trazer um café para a mesma mesa ou para mesas diferentes. Podia ir dias seguidos ao mesmo café e sentar-se em locais diferentes, em todas as esplanadas, ficar depois da funcionária encarregue disso vir levantar o consumo. 


- «Um abatanado é a escolha certa, pois faz render o consumo e a legitimidade de ali permanecer. »

 

Aquele calor estaria ali quer ele ali estivesse ou não. Poderia eleger aquele centro comercial como poiso. Pouparia em electricidade  no seu alojamento solitário e arquitectónico. O facto de armar em escritor escrevendo podia dar-lhe alguma complacência se o eventual abuso fosse notado. Os seus modos eram afáveis, a sua aparência conveniente.

Tudo se passaria de modo igual se eu não estivesse aqui?

Não é igual para ele a partir do momento em que toma consciência disso. Mas não passa disso. O que veio fazer foi ocupar espaço, dar vida ao centro comercial. Estimular a sua imaginação ao quentinho. Quem o observasse perceberia que se estava a divertir com aquilo. Com aquela esperteza de rua que alia o expediente ao ânimo dos empreendimentos, com as distracções. A culinária da observação e da imaginação. Ao quente. A demorar o abatanado, antes de se ausentar para uma suposta estação de Metro que nunca toma, preferindo caminhar.

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