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Dia memorável. Para além duma expressiva vitória sobre o Vitória e consequente conquista do quarto campeonato seguido, para além de Portugal contar com mais dois santos* a quem recorrer em horas de aflição, que nos podem compreender melhor as súplicas e as aflições, ganhou-se finalmente o caraças do festival. 

 

Parte da auto-estima perdi-a justamente em tempos, quando na altura das votações do festival rezava para que os países latinos nos dessem alguns votos, para não ficarmos a zero. Desconfiava da qualidade das canções, mas naquele momento isso não interessava, urgia não sermos completamente arrasados. Mendigar por uns votos era invocar um milagre, sem se ter consciência disso.

 

Não há obviamente nenhuma relação entre a entrada do Francisco e da Jacinta para a galeria dos santos e a vitória do Sobral, acontecida por inteiro mérito de quem escreveu a canção e de quem a interpretou como se fosse sua. Na votação do júri estivemos sempre à frente. Na do público vencemos igualmente, depois do Salvador (outra estranha coincidência) ter sido escolhido para nos representar.

 

Também não me parece que na conquista do tetra tenha havido alguma interferência divina, mas aqui começou apenas a eterna discussão do mérito, porque se suspeita de interferências mais humanas e os lances que supostamente foram sendo mal ajuizados,   o combustível para todas as discordâncias, para todas as desconfianças. Milagre será quando acabar um campeonato e todos concordarem com o merecimento do vencedor. Apesar de ainda  haver esperança, pois a equipa de santos foi reforçada com mais dois Lusitanos, mais sensíveis aos problemas nacionais e não parece haver registo de falta de desportivismo nos canonizados.

 

* Dez, quase uma equipa de futebol

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