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Inventam de tudo; desembaciadores de vidros retrovisores, pontos com impressões digitais, etc, etc, a lista daria para preencher muito mais que seria suportável a minha paciência e à vossa. Eu como um pêssego e deixo que o sumo me escorra pelo maxilar. Agir deste modo bárbaro, sem preparação, é bem melhor do que ter passeios e não ter pessoas para os palmilharem. 

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Apesar do aeroporto desimpedido, há sempre um cano entupido que mantém a aeronave em terra. Ou um concurso, desses em que se pode cantar ópera enquanto se responde a questões culturais. Deve ser por isso que se fica aqui pousado, em terra. Sole mio. Holofotes e públicos. 

A noite está boa para voar, a rede está deserta, a rua está deserta. Porque há concursos? Certamente que não é por canos entupidos. Toda a construção que se fez ao longo de estradas principais, a rua que repete tal toponímia em todas as localidades. Com a variante da Rua Principal. Localidades a crescerem em função das estradas, que funcionam em consonância com automóveis. 

As aldeias antigas eram menos extensas. Por não haver automóveis as pessoas e os seus abrigos concentravam-se mais. Em redor de transportes públicos, de outros interesses vitais. Hoje assisto nas deambulações, a uma disposição muito mais disseminada das habitações (mansões).

Por isso não passam pessoas na rua, apesar dos passeios arruinados pelos pesados, dos jardins infantis modernos e dos poli-desportivos não usados, apesar de terem do mais moderno equipamento em tudo. Nesta estrada principal onde já passam muitos menos automóveis, estradas e intersecções desniveladas, rasgam as redondezas. 

Há sinais exteriores de progresso, faltam pessoas para o poder desfrutar. Cada vez menos pessoas, ou nenhumas.  

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RASGO AS MINHAS VESTES ao Serviço Nacional de Saúde. Numa localidade com o duvidoso estatuto de cidade, de onde "desapareceram" as urgências, mantendo-se as valências apenas em tratamentos de enfermagem e em consultas de médico de família. 

Alguém, atacado por um insecto, encontrou o Centro de Saúde, fechado, no fim de semana. Hoje, precisou de uma nova injecção anti-histaminica, a qual, não existindo urgências e encontrando-se o médico de família demasiado atarefado, não pode ser ministrada naquele centro de saúde. Nova deslocação ao Centro Hospitalar Tondela-Viseu. 

RASGO AS MINHAS VESTES pela apatia de quem deixa que se tomem decisões destas e se resigna. Hoje, por causa disso, até tive pena de mim próprio. Porque fiz parte dessa apatia geral que nada fez para que isto não pudesse acontecer. 

Aproprio-me desse gesto simbólico, e retiro-lhe, bem entendido, toda a carga religiosa. Para mim, rasgar as vestes, é um gesto que demonstra a minha mais profunda revolta e descontentamento.


Rasgar as vestesNo antigo testamento, quando alguém queria mesmo demonstrar o seu descontentamento, rasgava as vestes. Acto simbólico que consistia em rasgar, por exemplo, o que hoje seria uma camisa ou camisola. As circunstâncias em que isso acontecia na bíblia, estão associadas à morte de familiares, na maioria dos relatos. 


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Manhã radiosa ontem. Chuva ou nevoeiro. Poluição. Comichão. Dormir, manhãs radiosas adiadas sem nova data. Perseguir o tempo, causando extinções, fundir metal, plástico, causar lixo tóxico ou nojento. A febril actividade de extracção, transformação, aplicação, uso, desuso, lixo. Porque não café de saco? A superficialidade e a acidentalidade. Revirar vinte vezes uma frase? Manhã radiosa hoje de novo. Revirar os pés. Morder o lábio. Levantar-me cedo para não fazer nada. Passear o atordoamento matinal. Agendar?

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Para além de multas para quem não limpa as matas (como se isso fosse exequível/rentável para muitos proprietários), são necessárias licenças para cortar pinheiros secos, ou genericamente, pinheiros.

Para além de pode atribuir novas missões fiscalizadoras, a entidades que durante o inverno nada tem que fazer, o Estado multa. 

Não foi capaz de isolar a doença do Nemátodo quando ela foi diagnosticada e estava confinada. Agora que tal devastação se propagou a uma das maiores manchas florestais do pais, é necessário licença para cortar pinheiros secos, roídos pelos bichos, sem préstimo para madeira e pouco para lenha.

Mantém a bitola alta, não me decepcionam. De todo o modo num pinhal desses crescem bastantes sobreiros, que demorarão muitos anos a terem um tronco e a começar a fornecer cortiça; também não se podem cortar, a não ser que se paguem as licenças.

O Xerife de Nottingham deve aplaudir no túmulo, pela disseminação do seu xerifado. Pelos vistos vou ter que frequentar um curso de aplicação de produtos químicos nas árvores, se os quiser comprar no futuro.

Estipular taxas para trabalhar, para limpar uma mata? Para aproveitar os sobrantes, para reaproveitar o que resta da devastação, o resultado da incúria desse mesmo estado?

O estado que podia recrutar muita gente, que sobrevive às expensas de quem paga impostos, a limpar matas, e ribeiras, e bordas de rios, na falta das pessoas que são expulsas pela (i)emigração, pelas politicas de ordenamento do território.


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O dia estava de novo cinzento e fresco. As nuvens, sem especificar de que tipo (para desgosto do cidadão), apareciam, a tremelicar, em cima do distrito, e em quase todo o território nacional, no mapa das previsões. Também lá constava a temperatura prevista. Devia, portanto, aproveitar aquele estado do tempo para iniciar a sua jorna. No entanto, como aquele estado de tempo se prolongaria, também podia iniciá-la mais tarde, sem recear a inclemência do sol de verão. Com tanta informação seria impossível colocar lá o nomes das nuvens. Podia constar da informação descritiva...

Mais uma vez fora derrotado pelo dever. A continuação da jorna de limpeza prosseguiria, com o trilho do glaciar como miragem, oculto sob as nuvens que se formam na zona mais alta da serra. Estava de novo aprisionado aquele pequeno reino. A limpá-lo. A tentar que os dias restantes fossem de despreocupação. Resignava-se, esperando que toda aquela tendência de confinamento um dia seria invertida. «Deve ser assim que pensam todos os resignados deste mundo, deve ser isso que os mantém resignados». Também não existem outras opções disponíveis para isso, para além da revolta e da má disposição. Embora não tenha escolhido, porque ninguém escolhe, o modo como se sentia, preferia a resignação. Tinham escolhido bem. Conformado. A aceitar tudo o que não podia acontecer. A preparar-se para aceitar o que ia acontecer, naquele limbo de folhas e de paus, de silvas, de letras, em que se entretinha, à espera de decisões que deviam ter sido tomadas. Quando fossem tomadas e comunicadas, teria que tomar as suas. Até esse momento abstinha-se de conjecturas, boas ou más. Talvez se lembrasse delas lá no cimo, talvez se lembrasse de uma lente partida, talvez se esquecesse na conversa com um amigo de sempre. 

O limbo, o momento em que os exércitos se preparam para batalha, em que se dizem palavras corajosas e se incute o ódio pelo inimigo, não acontecia aqui. O inimigo manda cartas a comunicar as perdas. É um inimigo muito despachado, nem se dá ao trabalho de combater. Não usa estafetas, envia pelo modo mais económico. Por isso não há nenhum desses momentos inspiradores, de acção psicológica. É efectivamente tudo muito mais banal do que as comparações com as guerras. Quando não se espera que o inimigo capitule, por missiva, e nos anuncie mais uma derrota, apreciamos até o atraso das missivas, ou das decisões. Podia, neste caso, usar o plural com toda a autoridade. Por todos os que atravessavam igual limbo, aguardando notícias sem esperar que as mesmas sejam boas.

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Esta foto documenta-se por si própria. Uma descida, no meio de ervas e silvas, no chão, tout venant. Situa-se no inicio da ecopista do Dão, logo após o final da plataforma dos passageiros, da estação de comboios de S. Comba Dão. Segue-se um caminho de terra batida de cem metros. 

Passar por lá com a Molly é agradável. É todo-o-terreno. A ecopista não é um local específico  de todo o terreno. Este é um cartão de apresentação dum investimento vultuoso. Mau, que não faz justiça àquele. Nunca entendi porque é que estes cem metros apenas receberam umas placas. Isto é piso para pessoas que querem ir a pé? ou de bicicleta ao lado, pois nem todos fazem BTT? Para crianças descerem em iguais circunstâncias. Todo aquele investimento não previu o arranjo destes cem metros do inicio?

Imensas leituras se podem tirar do pouco cuidado com os pormenores. Ilustra o (des) empenho que se pode ter num equipamento destes. Envergonha-me, embora não consiga explicar porquê. Para além de ainda me deixar espantado. Cem metros de desinteresse que prosseguem na antiga estação. Quarenta e sete quilómetros de desinteresse em fontes de abastecimento de água. 

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