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À NOSSA SAÚDE

16.05.15

Os hospitais privados proliferam. Há muito que começou esse fenómeno designado por «outsourcing». Na saúde, na justiça, na educação... a própria governação parece ser inspirada por interesses externas ao estado. É tão fácil desinvestir, é tão simples o Estado demitir-se das suas funções, sob o pretexto de que as áreas retiradas da Res Publica, funcionam mal. Podem de facto funcionar melhor, mas custarão mais dinheiro e como se tem visto, não estão imunes à corrupção. Funcionam bem, se o investimento necessário para que funcionem bem, existir. 

As primeiras palavras que um ministro deve saber soletrar convenientemente são: reduzir a despesa. Se o fazem no óbvio, esquecendo-se que as dietas assim decretadas não reduzem as gorduras localizadas, os cancros da corrupção permanecem e são as células saudáveis que se sacrificam.

A ADSE deu resultado positivo, apesar das fraudes investigadas pela justiça, que invariavelmente produzem parangonas sensacionais e condenações ridículas. Amiúde os milhões que foram obtidos de forma ilícita, não são repostos. O Estado demite-se porque é mais fácil ceder parcelas de negócio aos particulares, cedendo às pressões das áreas de negócio, do que empreender a excelência, tornando valências dos serviços, eficazes e racionalmente geridas.

São hospitais recentes, com todas as valências. Hospitais com esplanadas bem mobiladas. Átrios com esculturas e pinturas, elevadores, assistentes simpáticas, parques de estacionamento, consultas notificadas por SMS. «Mordomias» de quem se pode deslocar aos centros urbanos onde tais hospitais proliferam. Em comparação com o moribundo SNS, que cada vez mais é para quem não tem mesmo possibilidades de recorrer planos de seguros de saúde ou não tem condições materiais para se tratar, pagando.

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