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Os mundos múltiplos e divergentes de Everett, a estocada final do livro cuja leitura ocorrera naquele transporte público e nele fora maioritariamente lido. A curiosidade por tema tão difícil de enformar por um iniciado. Os capítulos em  que voltou atrás. Permanece por entender o sentido da experiência das duas fendas. Todas as pontas soltas daquele livro precisam de ser clarificadas.

 

Aquela mecânica parece-lhe a metáfora da vida, da sua vida em particular. O consolo das abstracções. Enquanto as abstracções não se tornam realidade. Enquanto a experiência vem confirmar aquilo que já se teorizou, mas não se sabe se existe. A (pa)ciência que lhe falta, que lhe falta até encontrar a validação para teorias impossíveis de provar nas condições existentes.

 

Os mundos múltiplos em que se desenvolvem actividades e interacções. Os mundos múltiplos e divergentes que podem coexistir. Sem que tenham consciência do seu paralelismo. Os quartos duma mansão de afectos, com muitos quartos vazios, com muitos hóspedes a desencontrarem-se. A encontrarem-se e a separarem-se, assumindo o movimento ondulatório ou materializando-se como partículas.

 

As experiências a validarem as teorias. As teorias que permanecem por esclarecer, na dúvida metódica de quem procura respostas vantajosas; As novas experiências que ainda não é possível fazer por não haver ainda condições experimentais. O improvisado acelerador de partículas, o laboratório onde se tentam comprovar linhas gerais urdidas nas noites do pensamento. 

 

O tempo em que se aceita o que resta das teorias prevalecentes. Em que se muda de paradigma e se volta ao princípio de todas as incertezas. A possibilidade de estar errado. A possibilidade quase garantida de não ser nada como se prevê. A possibilidade de ser ir mais além do que as equações parecem prever. A impossibilidade de nada validar como definitivo. Da necessidade de ir mais além. De se congeminar modos e experiências para isso. 

 

Se no principio conhecer as partículas e o seu movimento bastava para todas as certezas, as singularidades mais profundas do átomo revelam um mundo mais catastrófico, mesmo que não seja ultravioleta, ou por o ser. As assimetrias expostas. A instabilidade da nuvem electrónica. A aleatoriadade sem regras, das interacções a modificar o Spin. As novas partículas surgidas da experiência no laboratório emprestado. A anti-matéria, os buracos negros a absorver demasiada energia. 

 

A observação a tornar o observador parte da experiência. A modificá-la, a validá-la. A experiência terminada. Permanecem as dúvidas sobre a brecha aberta na teoria. O laboratório ávido por demonstrar que outras experiências podem comprovar os propósitos formulados. A angústia física do aventureiro. O físico a engendrar novas formas de comprovação.

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