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A vida apeada - Crónicas do Porto. Nova etiqueta numa série infindável de etiquetas que nunca uso, alegadamente por falta de tempo. O tempo, atmosférico e o tempo para prosseguir conhecendo, ou reconhecendo os já conhecidos. As torres das igrejas e os edifícios  emblemáticos.

 

O sol quente outonal, o rio verde esmeralda. Os telhados do casario recuperado [fractais]. A magnificência e a cor. O vento a fustigar a cara. As masmorras do quartel.

 

O Pipo do Amontilhado de Poe e as alusões a jogos de vídeo.

 

- Para onde vais? Acalma-te. Onde estão as coisas simples e sem história? 


-São todas assim, a não ser que exista quem veja, quem partilhe. Continuam a ser simples e sem história e felizes. 


- Existem por si e pelo relógio de cada um. Porque está o teu tão acelerado?

 

Ele não sabe de nenhumas das alterações químicas por que tinha passado o seu corpo. Por força delas outras alterações ocorreram. Essas alterações permanecem sob rigoroso controlo clínico. Prognóstico reservado, com o paciente a reagir bem à terapia. Tais alterações precisam de consolidar e produzir oportunamente a sua função, que agora se tenta restabelecer através do repouso. 

 

Ou da exaustão. Dos pés sentidos no lajedo. Da resistência, para além dos cânones, para além dele que é muito mais além se acreditar que pode surgir daquela escavação uma luz, um buraco para respirar bom ar e para ver a luz... para conhecerem o labirinto de túneis que construiu sem nenhuma finalidade, senão a de se manter ocupado.


Crónicas daqui, sobre o que aqui se confronta, para além do olhar embasbacado, conveniente e despercebido de turista acidental. Crónicas sobre como participar com entusiasmo do movimento da colmeia, numa rebarba do tempo, num esgar duma inspiração. Na confusão natural de quem foi feito para palmilhar terreno, cumprir vocações livrescas, viver entre a fantasia e a realidade. Os truques do escapismo.

 


A observação reforçada, treinada, o olhar sem receio. Os segredos de polichinelo. A ambiguidade toda que se esfumou. Uma calmaria de Gólgota. Uma cidade ao amanhecer antes da grande azáfama. Os vislumbres do que, mais uma vez, está para além da história oficial. A linguagem serve para suavizar o caminhar exploratório, nesta forçosa vivência

 

Com a alma apertada de um actor que se estreia, com a pena leve de um cronista que vê o seu mundo inundar-se de solicitações. Os encontros das esplanadas. A pulsão de um caderno onde se manuseiam receitas todos os dias diferentes, com os ingredientes que existirem. 


«Hoje soube-me a pouco, hoje soube-me a muito», sortilégio ou predestinação? Foi tanto perseguir sonhos que não concretizo e ver os que nunca idealizei, concretizaram-se? 

 

Bem me avisaram para ter cuidado com aquilo que desejava. 

 

 

a ouvir, entre outras,  

All we wever wanted was everything

Bauhaus 

There is A Light That Never Goes out 

The Smiths 

 

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