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Alçapão

09.06.15
Alguém abriu o alçapão. Içou-se sem nenhuma relutância, titubeante pela falta de habituação à nova atmosfera, trémulo de músculos pouco desenvolvidos pelo cativeiro.

 
Resgate operado em resposta a sinais quase inaudíveis, lamentos que se perdiam na imensidão da noite descontinuada daquele subterrâneo. 

Acabaram os devaneios sobre o tempo e o modo de alcançar a luz de um dia qualquer radioso; os dias riscados nas paredes, sem uma data certa para libertação, as súplicas esculpidas em improváveis misturas de cores e formas. Pedidos de ajuda disfarçado de oferendas, sem ninguém a quem oferecer.
 
Içou-se. Está mesmo em cima. A mão dada para sair do local improvável de fuga:


-« Ainda bem que apareces tu, e não mais ninguém: és a resposta completa aos formulários submetidos, pulverizando as expectativas todas!!! »
 
Sair dali, do local onde se desenrolaram todas as dúvidas, do nicho de onde saíram ecos dos planos de fuga ou os chamamentos mais dolorosos, os momentos de dúvida ou as esperanças sem credibilidade. Permanecem as paredes escritas, sem muito sentido, sem a beleza de formas que apenas foi possível esculpir na imaginação desenfreada. 

A realidade é mesmo muito melhor do que a ficção.
 
Saem finalmente. Agora que saem não perdem tempo a olhar para lá. Saem juntos porque precisam mutuamente de prosseguir em direcção do destino concertado que se mostra exequível

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