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Seria capaz de adornar num sofá qualquer, a ver se algo aborrecido, em baixo volume para ser incompreensível, como ambiente propício para uma soneca, um descansar dos olhos. Daquelas que adiam o cansaço, ou daquelas que se tornam definitivas, em que se acorda, a meio da noite, no sofá.

Os paus dos arbustos mais grossos e os montes de folhas e de ervas já não podem ser olhados. Aquilo que é excesso, removido. Os montes de ramos decepados, a atestarem a punição aplicada. Tudo isto se destina a olhares humanos, olhares que despertam necessariamente uma tomada de posição. Ao passar. Ao seu próprio olhar. Ele é o primeiro a considerar que aquele ar de limpeza é indispensável. Aquilo satisfaz a sua ideia de ordem. É por isso que o faz. Está a fazê-lo na perspectiva séria de ser a última vez, por isso não ia agora deixar tudo mal feito, apesar disso ser irrelevante quando tudo crescer de novo espontâneamente, ao ritmo do sol e da chuva. E de nada deste esforço de ordem e de limpeza permanecer. É por isso que corta mais do que o habitual, para ficar ainda mais limpo, mais livre, mais desembaraçado. 

Para quê? Para quem? Para admirar limpezas depois de efectuadas. Há alguns frutos nas árvores habituais. A erva cresce livremente até ser cortada, tem um tapete de erva cortada a impedir que nova erva cresça livremente, folhas, ramos secos e verdes, em montes destinados a apodrecer, não a queimar, a fim de todos aqueles desperdícios se confundirem com a terra, enriquecendo-a. Preservação e conservação à custa de podas e de cortes radicais, pela base. 

É o horizonte da Terra Média, será por isso que, para merecer as vistas melhores vistas, enquanto delas se gozar, melhor as gozará deste modo.

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