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Hoje vi um título na biblioteca. Tenho que entregar dois livros aos quais não me apeteceu enfiar o dente. A confusão, visível ao efectuar a pesquisa entre Yeats e Yates ainda me deu um pouco de trabalho. Não me lembrava do nome do título do romance. Sei fisicamente onde o encontrar na biblioteca. Ao menos isso. Enquanto via tudo menos um tipo que tivesse escrito aquele romance específico que quero cheirar, para ver se lhe deito ou não o dente. Não há assim tantos tão garantidos, é por isso que alguns se mantêm no seu estatuto de livros de cabeceira, mesmo não estando na cabeceira. Durante muito tempo o Livro do Desassossego não esteve lá, nem os outros todos estão lá. São tantos que teria que fazer uma cabeceira estante. Ou não, ficar com os essenciais, isso até me é fácil.

Muitos dos livros não os tenho na minha estante, não deixando de ser importantes. Muito importantes são os poucos que aqui tenho, porque são os que tenho, porque lhe posso enfiar o dente quando me apetece, ou numa emergência.

Há mesmo alguns de que não me separarei de bom grado, e não me lembro bem do que tratava O Poeta Assassinado, de Mallarmé - (?). É pequeno, por fica sempre entre aqueles que poderia eleger como de cabeceira. Nem sei onde ele está neste momento, teria que ir à procura de uma lombada escura, sem efeitos, com o título.

Sorte a minha, ter como companheiro de viagem um tipo como aquele egípcio. A fazer-me dançar a ponto de tentar perceber que para além de fazer sentido o futuro, porque pode ser mais próximo desse passo. Subir a montanha é isso mesmo. É abdicar e prosseguir com tudo o podemos levar sem ser na mochila. Nesta montanha não há sherpas a guiar-me e a transportar a carga, dos objectos que posso considerar imprescindíveis? O imprescindível sou eu, não todos os objectos que me rodeiam. Subir à montanha é sair da gaiola de conforto. Sair apenas; subir apenas; ir. 

Mesmo que o mérito não seja todo meu. São desígnios superiores, incontrariáveis enquanto constar da lista de pagamentos. Tento apenas que o que se vai passar não seja assim tão traumático quanto possa parecer. Todos os ângulos analisados. As perspectivas esmiuçadas, até onde é possível espreitar o futuro. O futuro sempre foi incerto. Se não fosse estava tudo muito satisfeito.

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