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Alimenta-se de luares. De sinfonias nunca tocadas. De latidos de cães vadios. A coberto da noite sonha em grandes tiras de banda desenhada. As vozes da radio longínqua. A música dos violinos que choram. Está cercado de impossibilidades. Vive dos raios solares que colecta durante o dia. Das fugas ao quotidiano que embrutece. Sem se deter nunca na erva daninha que cerca o que outrora foi construção. Ou do amaralecer dos vidros sem uso. A água é potável? O pão tem farinha mourejada por máquinas. A cigarra nunca folga, a sarranizar as mesmas ladaínhas, os lamentos espúrios das carpideiras. Traz para cá a serenidade da madeira. Convoca os conselheiros de todos os tempos e explica que é apenas a lei da conservação da matéria. A matéria dos crimes. A matéria dos vermes.

 

Bicho à Solta - Bicho Domado 

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