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Hamlet'i 1991

25.09.13
Tenho aí guardados há 25 anos alguns cadernos de escrita daquela altura. E alguns artigos de jornais e revistas. Dei com a presença de roedores pelo amontoado roído de papel e temi que um buraco os tivesse já furado irremediavelmente. Não se aproveita grande coisa para publicar, e o que me ralou mais foi o afazer de limpar a sujidade deixada do que perder propriamente os escritos. Isto dá um bocado a dimensão da importância de certas coisas que guardamos. 

Coincidências, e uma vez que os manuscritos se encontram a arejar e até que lhes faça uma limpeza apropriada. Um produto qualquer milagroso de limpeza que uma dona de casa com aspecto lavado me traz para o efeito... 

e descubro a génese do Hamlet'i, seja na parte gráfica, seja na parte literária. Naquela altura ele tentava dedicar-se a jogar com as palavras. Felizmente tem tido outras coisas para fazer. Nem tudo é tão inaproveitável. De qualquer modo se o ratos os tivessem desfeito também não me lembraria muito bem do que perdi.

Agora ando a vê-los. Um por noite. Caderno de papel pardo com folhas parecidas a papel reciclado. Com capas simples. E bons para escrever com determinadas canetas. A caligrafia é fixe (para mim claro) e até o contacto físico com o papel, a caneta. A interacção disso tudo. Tempos houve que seria incapaz de escrever estas linhas a computador. Simplesmente não conseguia. A espontaneidade não se soltava das teclas como hoje. 

São os contratempos que necessariamente nos levam adiante, embora não agradem a quem planeia o futuro. 

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