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Durante aquele jogo, de intensificação do esforço, sem motivo, em que se via empenhado. Sem uma vontade consciente. O hábito antigo de querer dar o máximo. Querer dar o máximo, porque só quando se está a dar o máximo se está a progredir. Para se dar conta disso quando o relevo começava a subir um pouco mais. Descontrair, pedalar com menos furor. Com menos tensão. Até de novo se empenhar em pedalar o máximo. O contador não tem importância para este acto. Quaisquer marcas que registe, nunca regista o verdadeiro esforço que vai a fazer. Fórmulas químicas de combustão rápida de açúcar. Respiração pesada. Gotas salgadas de suor na fronte. O azul das águas a entrever-se. O cheiro do eucalipto. Vai e volta, as curvas são suaves. O piso em alguns pontos permite ser rápido. Tudo isso em vez de se sentar naquela esplanada, sem reacções químicas tão exageradas. A observar a beira rio de um ponto geográfico qualquer. Não é um homem novo. É um ciclista. Veste-se como ciclista e pedala uma bicicleta. Não é um rio de delícias nem de agruras. É apenas um momento de escape. De sacrifício inferior ao deleite. Podia expressar-se com deleite dos passeios, dos bons caminhos florestais. Com terreno acidentado e dócil. Com o sol inebriante a reflectir-se no espelho das águas. Sozinho apenas por falta de comparência de todos os que poderiam vir.

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