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É apenas mais um entardecer, um lusco-fusco, que aqui se desenvolve há mais tempo do que consigo imaginar ou situar. Nem sempre esteve aí esse castanheiro e vai continuar aí, a encher o horizonte da janela de verde. Vejo-o obliquamente daqui. Uma nesga perturbada pelo piar do pássaro e das variedades televisivas.

Preocupar-me com mundanidades ou com stress pós traumático de guerras passadas. Nunca fiz nada para me desprender. Passei a vida a prender-me. Talvez me pudesse ter convencido que a prisão seria o local onde conheceria a felicidade, sendo mais que certo, que nada sei acerca disso, do que é a felicidade. Sei que a felicidade é não esperar nada de nada de ninguém.

Não porque não existam pessoas que me dão o que podem dar. É apenas para resguardar dos desapontamentos.

Onde há pessoas há problemas, onde há muitas pessoas há muitos problemas. Disse-me alguém por experiência própria de vida. Evoco-o porque me parece ser quase uma pessoa feliz sem história.

Não há pessoas felizes sem história. Há uma história que começa a ser contada cedo, para não haver história, e nem grandes traumas abalam um equilíbrio de vida. Há quem saiba o que quer e para onde vai. Não admira que permaneça no trilho.

Tenho que me preocupar com aquilo que posso celebrar da vida. Fazer brindes de votos não faz sentido. Faz sentido celebrar.

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