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Belém quase Deserta. Nunca, àquela hora do dia, a cidade estivera tão vazia, tão disponível para os raros transeuntes. Atravessam-se ruas sem vislumbrar automóveis. As pistas do gelo monopolizam os divertimentos infantis, os contentores estão atulhados de lixo que sobra para o chão, em apelativas embalagens já sem préstimo. 

 

A ironia do painel rolante de publicidade exibir uma mensagem cáustica contra o consumo, quando o seu fito é promover produtos, criar apetências. Não tem qualquer anúncio no reverso. Um descuido da JCDecoux? Um funcionário com sentido de humor? O patrocínio de um mecenas imaterialista?

 

À esquina da Praça da República uma algazarra alada, pombos e gaivotas, guinchos por pão distribuído por um trio, duas mulheres e um homem, bem agasalhados, com sacos de plástico a circundá-los, deitam pão às aves alvoraçadas. Um festim, a descontracção a deter os automóveis. O mesmo trio que mais à frente comia croissants e distribuía mais pão junto da Universidade. Uma tradição de natal ou uma promessa, um passeio domingueiro, sem ser domingo. Com restos de pão.

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