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Na frente do Castelo, perscrutando o movimento da grande avenida. Não são as grandes avenidas que Cossery fala, e poderia evocar essa passagem do livro Uma Conjura de Saltimbancos. Tal rumo de identificação com aquele cenário foi feito sob o olhar descontraído de quem não a iria ver na manhã seguinte.

 

O automóvel da Googel Street View assoma à entrada da avenida, entra na mesma e passa em frente de si com aquele equipamento fotográfico nas costas. Só neste momento penso que poderei ter sido fotografado e que a minha cara aparecerá "blurred". 

 

Podia ter pensado nisso. Agora até penso que seria exactamente isso que poderia ter pensado, se não me tivesse ocorrido imaginar (e esta só na imaginação) que a Google estava encarregue de desenhar o Mapa Judiciário. De pensar que nada daquilo que já tinha visto se passaria. Aquele automóvel podia ser a salvação de toda a gente. Ri-se para si próprio, porque sendo isso impossível, só se podia rir da comparação. Podia lá ser, a Google a desenhar o mapa judiciário. Nem nos melhores sonhos isso seria permitido. Além disso desisti de tentar fazer isso uma piada.

 

Enquanto escrevo isto lembro-me logo do GooglePlex e das G-bikes. Agora é que posso começar a sonhar com tudo isso. Na altura não. Arranjei um modelo qualquer lógico, que pode não corresponder à realidade. Dou comigo a imaginar as aplicações (Wintermute levou um impensável tempo para se fundir com o seu irmão Neuromante, levou o livro todo). E posso começar a ver fluxos de dados que tentam encontrar o correspondente local onde ficar alojados, que tentam desesperadamente encaixar-se devidamente, pois de outra forma não seguirão viagem, a viagem dos dados. 

 

Os dados são os mesmos, não se destinam ao mesmo local. Será porque querem que todos façam isso ao mesmo tempo que as estradas dos dados ficaram entupidas, choques em cadeia aconteceram, os veículos com informação agregada misturam-se com outra informação agregada, produzindo desinformação, confusão, perda de confiança. O sonhador pouco percebe de linguagem HTML ou de DBase, jamais conseguirá ter o pormenor dos bits no seu cerébro como Case, para poder contar, não o que acontece no exterior, mas ver mesmo na matriz o desenvolvimento da teia montada para capturar o mais fraco, ou na capitulação voluntária dele. Pode o mais forte recusar-se a interiorizar o mais fraco?

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