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O Coronel Cathcart, no livro Artigo 22, de Joseph Heller, aspira a ser general. A guerra serve para isso mesmo, para ele ser promovido. Uma das maneiras escolhidas foi aumentar, ao longo do livro, o número mínimo de missões que cada piloto, artilheiro, navegador tinham que executar. Até o médico, que jamais punha um pé nos aviões, constava das folhas de voo. Com resultados trágicos, uma vez que o Dr. Daneeka vai falecer numa dessas missões e é oficialmente declarado morto.

 

Ao coronel Cathcart pouco importava que morressem homens que, em teoria, já deveriam ter sido dispensados daquelas missões. Ele tem que ser general. Todos os outros coronéis aspiram ao mesmo e por isso desenvolvem toda a sua acção nesse sentido. Nem todos dispõem assim de homens para servir de alicerce à suas promoções. Mas apenas porque não dispõem.

 

O General Dreedle vai ao ponto de pedir fotografias dos bombardeamentos, com uma determinada geometria de destruição. Não se podia lançar bombas à balda.

 

Em tempos de paz os coronéis enfastiam-se. Há muito menos margem de manobra para inventar motivos para se ser escolhido para a promoção. Imagino que seja um tempo em que essas aspirações são menos prementes, em que não há tantas possibilidades de progredir. Até porque no nosso há imensa gente em posto superiores, demasiada, se comparada com exércitos congéneres.

 

No reino das ambições de promoção há mais gente com essa vontade, legítima. Se para isso é preciso lançar mão dos expedientes necessários para aliviar os bolsos do povo, então nada melhor que umas operações de nomes pomposos. A malta anda distraída, andam por aí os emigrantes a matar saudades do tinto, há sempre uns incautos prevaricadores, ignorando os avisos televisivos das operações.

 

Uma boa parte desses prevaricadores sabia que prevaricava, não sei se sabia que havia uma operação, mas há sempre essa possibilidade. Para alguns as consequências não são as esperadas. Para além de desenvolverem, com a natural dificuldade de qualquer serviço do estado, a sua actividade, há também em alguns essa ambição da promoção. Todos nós conhecemos pessoas cujo lema é não deixarem passar nada. 

 

As operações agradam a todos que com elas lucram. Não agradam nada a quem é apanhado, nem que não tenha a culpa, em urgências. A mim não me agradam. Não gosto da autoridade, é uma palavra dominadora, que vai além na invasão da vida das pessoas. Uma intromissão. 

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