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«Roupa-Velha»

25.12.15

A folha sem fim que se adivinha, para além da barra de rolagem. A metáfora do seu dia ainda não vivido. O que vai deitar nesse dia, tornado especial por formatação? Igual aos outros todos, um estendal de desejos, dúvidas. O quotidiano por arrumar. Resultado de equações novas, com mais variáveis, menos valores conhecidos. Recombinadas para o desafiar assim logo no principio do dia, quando ainda nem o café da manhã fez efeito. O desafio de preencher o dia, a segunda pele a descamar-se para o inverno. Os apontamentos imprescindíveis da jornada. A mania da perfeição. A presunção de eventos. As miríades de possibilidades impraticáveis. Trocar de porta-chaves.

 

As pesquisas erráticas, sem nenhum plano de estudo, com planos curtos de acção, a falta de clarividência, a paixão esvaída numa embriaguez de culinária. Os apelos sub-sónicos, neutrinos desvairados e persistentes. O texto raiado do não sentido de dias decretados, o termómetro na mesa de cabeceira, a febre ou o torpor. Os concursos adiados. Os fetiches por concretizar. Uma empatia pouco engenhosa com o tempo. A intervenção milagrosa da água quente. E depois?

 

É isto, não consegue que seja mais do isto. Conferências da Tenda. A maneira oblíqua. O dia seguinte. Que grande festa!!! Que grande ressaca, café forte. Para onde foi a serotonina? Tenho um contrato contigo para te levar aos cumes. As profecias trocadas, a posição equívoca, o poiso incerto, o mapa por desenhar, o mapa azul a fazer sentido. Há algum mapa que consiga decifrar? Com a inépcia para a topografia, para a abordagem do terreno. Fixar grampos é canja, com a adequada ferramenta.

 

O mar podia-me estar a marulhar segredos, se lá estivesse com ele. Daqui parece-me demasiado longe, eu demasiado preguiçoso para ir ter com ele, a debater-me com a irritação vermelha, das sensações quentes que me dilaceram, do mar que não está aqui para me soprar um desejo solene de boa ventura. A não admitir nada que me possa prejudicar. A mudar a pessoa que fala, a orla da floresta. As trevas para além da luz desta fogueira. Já não há fogueiras. Míriades de luzes led, aventais e conchas, turistas, caval(h)eiros do asfalto. A tristeza insolúvel do desmontar do circo? Ansiedade desnecessária. Demasiada actividade no cérebro. O desmazelo controlado, sem melros à geada, prenúncio do que já se sumiu, como os melros.

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