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Mendigo altivo

29.08.14

Para alguns florescerem tem que existir tipos como eu. Certamente que sim. Mas para ostentarem tanto poder não pode ser apenas à minha custa. Tem que se basear na existência de incontável gente como eu. Daqueles que nunca fazem bons negócios. E se alguma vez fizeram algum, do ou dos que puderam ter feito, foi por sorte. Por acaso. É por esta universal inabilidade para negócios que grassa desde sempre, a acreditar nos relatos, que resulta a desigualdade entre a sociedade. Embora haja outras. Esta dos negócios não foi sempre assim reconhecida numa classe, mas a rapaziada esfalfou-se a fazer negócios com o trabalho dos outros e conseguiu ganhar nome de classe própria. Também pode ser a isto que Darwin se referiria com o determinismo, agora não em bicos de pássaros, mas na geral condição humana. Abuso do que não sei para invocar e cuspo nomes para dar crédito às minha palavras. Para isso parece que tenho algum jeito. Todo o crédito do Pancadaria poderá ser assacado ao facto de não me render um tostão. Conserva a pureza intocada das fantasias. Das maluqueiras. Em vez de fazer canoagem ou para-quedismo. 

 

Já me conformei com esta inabilidade há muito. É por isso que fujo dos negócios mais que o diabo da cruz. Todos esses números da grande farsa que decorre, os folhetins são diários. Tornou-se tudo uma complicação. É sempre assim. Números são doces para bolsos gulosos. Atraem gente de todo o lado. Os abutres já se notam ao longe, já lhe senti o esvoaçar despreocupado. Ele há-de cair. Está maduro, pensarão eles; não pensando como nós, mas voando despreocupadamente, sabendo que é apenas uma espera, como tantas, em busca de alimento. Estes abutres tem esta conotação negativa porque se referem a outros, que embora esperem que a presa caia de madura, apenas se querem saciar. Estes querem um banquete. Quereria eu um banquete destes? 

 

Não tenho nada ensaiado para a circunstância. Depois de ficar maduro para o bico deles nada do que diga terá qualquer importância. Não vieram por aquilo que eu digo, vierem em busca de me debicar sofregamente as cartilagens. Talvez me comam os olhos.  Tudo porque não me adaptei às novas condições do progresso material, do dinheiro de plástico, dos nomes pomposos que significam mais um assalto ao bolso. E tudo porque cada vez mais abomino a opressão material, quando ela se materializa em pecado capital, eu que não acredito em tais pecados como capitais, apenas como insanidade ou como defeitos da criação, seja quem for que possa reclamar a autoria. 

 

Se fossem Deus mesmo, poderiam reclamar directamente a humanidade como criação, sem se envergonharem de alguns maus funcionamentos. Eu não reclamava e até sou um pouco desleixado nisso. E nos negócios, dirão outros, cuja sacra aura dos negócios deixa em sentido. Com os sentidos em pleno alerta. Deve ser por ser distraído que me arruíno nesses negócios em que intervenho. Não que queira retroceder ao caminho do Bem, dos negócios, dos naperons, dos sorrisos de conveniência. Sem ser por nenhuma razão em especial. Por ser mau dançarino em certos ritmos e nos outros não valer nada. Triste e patético. Pau mandado de si. 

 

As mortes que sucedem na vida assustam enquanto não as encarar de frente e com o mínimo de dignidade, uma vez que ela é certa, ter medo dela é apenas o gozo supremo que lhe poderia proporcionar. Estou aqui com os abutres já não muito longe, mas esse gozo de me debicarem os olhos aterrorizados de medo, não lhes vai ser concedido. Se algum dia cair na mendicidade vou ser Altivo, muito mais altivo do que alguma vez fui até então.

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"Tirámos partido de uma proteína do pirilampo, que faz com que este brilhe à noite, e colocámos esta proteína no cérebro das moscas de fruta. Em seguida, as moscas comeram alimento que continha uma substância capaz de activar a proteína do brilho. Desta forma, conseguimos relacionar o número e a duração dos flashes emitidos pelo cérebro da mosca, com a quantidade de comida ingerida e com a cinética de absorção dos nutrientes.”

 

Há muito poucos especialistas de moscas em Portugal. Pelo menos conhecidos. O único que conheci foi na televisão e queixava-se disso mesmo. De haver poucos especialistas em moscas.
 
A única vontade de bem material que desejo que me acompanhe é precisamente um mata moscas. Não será difícil de transportar. E poderá ser de muita utilidade, sobretudo se existirem o equivalente em moscas por lá. Nunca se sabe. 
 
O incómodo e a repulsa que tais criaturas me provocam ocupou-me o espírito. As moscas são um flagelo nestas alturas, e não se coíbem de poisar num fato de seda, não se coíbem de poisar em todos os lugares em que não o deveriam fazer. 

São necessários especialistas públicos de saúde para aconselhamento dos mais desconhecedores, estratégias públicas de combate ao incómodo das moscas nos seres humanos, um apartheid com elas. Oficialmente declarado no diário da república. É certo que não transmitem doenças mortais, fulminante, como mosquitos e outra animalagem da fraca companhia. Bichos perigosos são bons para esses malucos que fazem reportagens sobre isso, precisamente para nos evitar ao contacto com eles. 
 
Até ontem, em que tomei conhecimento de que decorre um estudo, em que se verificam semelhanças entre as formas de comer das moscas e dos mamíferos (frequentam o mesmo ambiente que nós...). 
 
Mas não é com uma mosca qualquer, é uma mosca da fruta. Um mosca muito mais sensata, politicamente correctíssima em termos alimentares (para ela, ss frutas que abocanha estão fora do alcance das conclusões). Magnífica é a solução encontrada para determinar quanto tempo demora o alimento a chegar ao cérebro daqueles insectos.




 

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A vida na terra . Um estrela anã vai aproximar-se de uma data de entulho nas bordas do universo e esbugalhar-lhe as órbitas em nossa direcção.

Estará estabelecido que a extinção em massa dos dinossauros (parece que houve outras) ocorreu com a vinda de um desse pedaços de entulho. Extinção em massa, da espécie dominante. A mais conhecida e ricamente difundida é toda aquela bicharada dinossáurica. 

Se fosse agora, adivinhem quem ficava como protagonista principal desta história? 


« E se todas as extinções em massa verificadas na Terra tivessem tido a mesma origem? Só ia dar razão aos gauleses das histórias de Uderzo & Goscinny: os intrépidos resistentes não receavam os romanos e os seus deuses, mas andavam sempre com pavor que o céu lhes caísse em cima da cabeça.»
Marco Santos, blogue Bitaites, link abaixo 


De qualquer modo temos sempre os alemães para prepararem os planos para se tratar disso e os portugueses se tudo correr mal, por isso até ser-mos precisos temos que nos entreter com os cobradores de impostos e com os bancos.

Nada disto é assim tão simples, tem fim marcado para daqui a 1.5 milhões de anos.

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