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A mim a Arte da Guerra serve-me para enfrentar problemas. Os problemas são o inimigo. Usar as estratégias da guerra para atacar os problemas pessoais, parece-me legítimo. Deve ser por isso que alguns o etiquetam com um livro de auto-ajuda. Eu considero todos os livros que leio de auto-ajuda, embora este possa encerrar a trilogia dos livros que posso colocar mesmo nessa categoria, sem pestanejar. 
 
Não dobrei sozinho o cabo da Tormentas, nem venci o Adamastador de mote próprio. O Adamastor era o medo ultrapassar os limites. De encaixar que só podia correr durante xis tempo, ou xis quilómetros. De isso me limitar irremediavelmente. Andei assim incríveis três anos e tal, já com uma forma que permitia correr descontraidamente durante uma manhã inteira, por corta mato. 
 
Provavelmente nunca teria chegado a esse dia em que até então me tinha limitado. Em que finalmente realizei o aqueles malucos andavam a fazer nas área dos Tarahumaras, no México. Corredores por excelência. Corredores para fugir ao exterminio Espanhol e agora aos Barões da Droga Mexicanos. Por isso alguém carinhosamente me alcunhou, no tempo em que o mereci, de Tarahumara. 

Que a forma física que tinha me permitia querer correr em breve a distância da maratona, na ecopista. Sabia os tempos que poderia fazer no decurso de tal desafio que me propunha. Sabia que o ia tentar realizar daí a um mês, quando entrasse de férias. Entrei foi de convalescença. Foram dois sonhos imediatos que me preparava para realizar que sofreram um adiamento sine die. O de correr a distância da maratona, num treino, que iria começar bem de madrugada. O cão aguentava de certeza, pois os seus primos Siberianos puxam trenós na neve por sessenta quilómetros.
 
E o que seria feito no dia seguinte: subir ao Caramulo pelo parque Eólico de Mortágua, com a Molly. Devia ter ido fazer o reconhecimento com a ela. O Endomondo não me podia ajudar nesse reconhecimento. Ajudou-me a perceber os tempos certos na ecopista, os percursos e as velocidades nos diferentes terrenos, e foi registando quilómetros e estatísticas para me entreter.   
 
Se isso tivesse acontecido não estaria aqui a escrever sobre isso. Ou talvez sim. Duvido que houvesse Pancadaria diária agora... Para chegar aquele nível pessoal de forma, depois dos quarenta, é um deslumbramento. Nascido de outro livro de auto-ajuda, O Método Simples para Deixar de Fumar, de Allan Karr (está esgotado em Portugal, tanto quanto eu sei). Ter deixado de fumar fez-me descobrir o prazer de correr, e uns tempos depois, redescobrir o de andar de bicicleta a sério. Agora que fumo uns cigarros auto-enrolados e que não me sabem nada de especial, continuo a gostar de correr e de andar de bicicleta. Lembro-me de tudo o que me diverti, os locais que conheci, os nasceres do sol e pores do sol, a geada e o calor...deixei de fumar porque um tipo, o Marco Santos contou no Bitaites como tinha deixado de fumar, ao ler aquele livro. Eu também deixei no dia seguinte após acabar de o ler. A minha fé nos livros de auto-ajuda restaurou-se. 
 
Foi graças ao Born to Run que percebi que andava a pastar há três anos e tal, que podia exigir de mim mais, que o podia fazer, que podia correr mais rápido, que podia correr descalço, na ecopista e mesmo no mato. Em termos pessoais isto é uma aventura que desde que começou nunca mais abandonei, embora a corrida depois daquele percalço, nunca tivesse sido jamais o mesmo, nem me sentisse com a vontade que me sinto hoje, de prosseguir esse caminho semi-abandonado, que nunca me trouxe dissabores.

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