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Não andei a ler as desventuras de Justine. Não se trata da leitura de determinados textos sugerir qualquer inspiração ou história, Uma, que se apresentando como isso mesmo, resultado da imaginação, me perturba o suficiente. Vinda do nada. A repetir para mim mesmo que a natureza colocou tal capacidade de imaginação num tipo incapaz de levar a cabo qualquer materialização do imaginado. Fui vitima disso e da azia no decurso de um passeio final para merecer o banho. Não me foi possível afastar o alastrar de acontecimentos ao imaginado. A respiração era acelerada por isso, não por ir a andar rápido. Esquecia-me do cão e voltava atrás. Composto com esse nervoso todo o quadro improvável que teci, apercebendo-me que prosseguia, que a adrenalina daquela situação era superior ao correr, se bem que não pudesse, por causa da azia. Também não se deverá à azia tal fortuito filme curto. Um filme que nunca seria filmado. A prova que o Diabo existe?

 

Com o Diabo explicava sem precisar de nenhum esforço. Não me serve. Aqui, a haver um diabo, sou eu. Alguém acredita que se possa estar possuído pelo Diabo. Eu não. Andamos todos muito mais perto da loucura ou da insensatez, do que presumimos. As certezas podem falir de um dia para o outro. Até as certezas de um comportamento conforme. É apenas a minha imaginação decadente. Choca-me não ter combatido a natureza dos pensamentos, nos pormenores mais inquietantemente precisos, kakfianos, que por ali urdi em dois ou três quilómetros a correr, e a devanear de maneira inconfessável. É apenas uma história, que a ser contada em toda a sua essência, seria sempre para um livro de problemas. 

 

Concebi um filme ímpar, para exibição privada. A vinda deste assunto deve-se ao paralelo com todos os outros momentos em que me julguei acometido por maus pensamentos, e lhes declinei toda a responsabilidade, pelo seu nascimento inesperado, ilógico, problemático. Nada disso hoje aconteceu e nenhum técnica seria possível de parar aquela torrente de cenários. Talvez deixassem o David Lynch filmá-la. E talvez com o olhar de alguém pudesse toda a essência do auto-pasmo por actividades desta natureza. 

 

Aquilo que de modo cru, podia ser intragável, pode ser possível nos limites de um tempo, numa circunstância específica (a azia), apenas a demonstração de que a falibilidade dos sentimentos e a ideia muito boa que faço de mim próprio, a posso colocar em causa. São jogos mentais, Senhor. Enquanto não forem revelados, não passarei a fronteira de qualquer incómodo. Posso-o contar numa história. Há tantas maneiras de esfolar uma vaca. Suponho que não devo ter apanhado nenhuma carraça durante os mergulhos na relva, que possa ter induzido de modo veneno tal curso de imaginados eventos. 

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Eu estou aqui. Sem saber porque estou, verdadeiramente. Por nada mais me apetecer fazer. Devia dormir. Os olhos fixam-se com dificuldade no ecrã, saturados de pixeis. Um frio inexplicável, ainda que suportável. Posso sucumbir a um desses ataques de frio que dão ocasionalmente? Pode um destes arrepios, aumentado exponencialmente, provocar-me tal sorte. Morrer de frio. É uma expressão para uma determinada circunstância, em que ficamos expostos aos elementos. A de morrer mesmo, fulminado por um arrepio de frio que congele o coração, parece-me um pouco fantasioso. O fantasioso na natureza é uma balela e a minha imaginação é um grão de areia. Apesar da descontracção. Não está tudo ao contrário, apenas um ligeiro frio, um arrepanhar dos dedos, um esticar de tendões. Voltar a cartografar, através da dor, todos os tendões e músculos. Até que estejam todos desemperrados a preceito. Tudo o resto e aparar a sorte e não ficar impressionado com a grandeza deles. A grandeza deles acaba quando papeis forem dados sem efeito. A história desta morte anunciada, é apenas, como todas as anunciadas, o decurso de um destino qualquer que é ministrado a personagens. Por motivos elevados como a honra, morre-se. Quem não a tem ou não lhe é atribuída, fica isento de morrer dessa maneira e de se divertir de maneira desonrosa. Infantil ou insensata. O formato que me encaixaram pode ruir a qualquer momento, se é que já não ruiu. Fiz escolhas. Não estou a fazer figas para o que vem, não é necessário nada disso, nem são necessárias superstições. Seguir o curso possível dos acontecimentos que não dependem de qualquer empreendedorismo individual. Permanecer no púlpito? Isto é um púlpito? - que ideia mal amanhada da minha parte. Passo por cima dessas bugigangas todas com um olhar de fiel de armazém, que organiza as mercadorias. Está muito por escrever ainda, quando toda a trama dos acontecimentos for devidamente colocada na sua devida cronologia. Talvez consiga perceber-me ainda mais profundamente, para saber por onde o inimigo me poderá tentar flanquear, me me espremerem, num movimento de tenaz e com a tenacidade habitual. Jonas a ser cuspido pela baleia. Jonas intragável. 

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