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Com três cicatrizes no activo tornei-me membro, por inerência, sem requerimento formal, dos coleccionadores de cicatrizes. A quarta vem a caminho e promete ser a mais impressionante. As primeiras não foram nenhuma obra de arte, na assunção que os profissionais de saúde têm, de que se deverá deixar o mínimo de vestígios. Não sendo prova de crime tanto desvelo seria desnecessário.

Devia deixar escrito no meu cadastro sanitário que desejo ficar as cicatrizes que me couberem. São a prova das minhas lutas, dão veracidade ao que conto. Por isso gosto pouco da primeira, 16 pontos num dedo e mal se nota. Se a pessoa a quem tentamos provar a veracidade do que dizemos, estiver desconfiada, dirá que estou a contar uma tanga.

Uma tanga como a do brinco ser um estilhaço. Se alguém diz que trabalha no duro e tem as mãos como um bancário, acreditam? O bancário pode ter as mãos como quem na trabalha no duro, se trabalhar no duro. O que somos acompanha-nos. É a nossa história. A nossa verdadeira apresentação. Aquela que os atentos começam logo a antever.


Se aconteceu, que fique registado. Que se registe tudo, a raiva e o perdão. O carinho e o desapontamento. Os temores e as subidas ao Caramulo. 


Como posso saber mesmo o que procuro (eu procuro?), a não ser quando o encontrar: Eureka!!! Com tantos becos sem saída que pareciam as saídas prometidas para as avenidas novas, amplas. E eram apenas graffitis muito bem pintados. Voltei para trás, umas vezes amuado, outras revoltado, triste, a sentir-me amaldiçoado sem razão. Então parecia tão fácil encontrar o que se procura. A insatisfação nem sempre tem um nome. E descobrir-lhe o nome tem algum interesse? 

O Devir enforma-se em novos horários. Hábitos novos que serão antigos ou terão desaparecido. Quando começamos nada está feito. Porque havemos de celebrar fartamente o futuro quando o caminho está todo para fazer? Celebrarei  quando tiver motivo para isso, sem apontar na agenda data para isso. Não posso estar de outra forma, senão à mercê dos elementos. Da minha instabilidade atmosférica. Queria sol. Queria pedalar. Há sempre pedras atiradas por quem nunca falhou (apenas à lição da introspecção). 

Tu grande irmão invisível, omnipresente, Ekatê, enquanto fios ínfimos de electrões de transporte se afadigam, nos corredores do devaneio, a suportar-me o temperamento e as horas trocadas (trocada para mim). Este tipo que atende quando eu não estou. Sendo que fui procurar quem me apareceu para atender. Sai com o bigode postiço pela janela à procura dele mesmo. Caí de propósito nesta ratoeira, nesta impossibilidade?

Todos esses becos onde bati com a cabeço também são cicatrizes. Mais difíceis de rastrear. Eu bem vos avisei que andava apenas aqui a vaguear, a pensar que estou nalgum Tibete a aprender a escalar ouvindo os Sherpas. Não faço parte de nenhuma expedição para subir ao Everest. Vim ter aqui a pensar que aqui terminaria a minha faceta mística, dar o último passo e despir-me de todos os preconceitos, ser sempre o mais honesto, jamais sentir que tenho que dar mais do que posso dar, e nada exigir, apenas que tudo possa finalmente desenrolar com toda a normalidade. 

Foi difícil desatar este nó que cá andou durante muito tempo. Foi feito pelos marinheiros das equipagens da Índia. Marujos e Araújos escolhidos pessoalmente pelo Vasco da Gama. 

Um nó que se formou quando. Foi por não haver TV? Os matraquilhos não responderem aos costumes, e a nada? O futebol ser da liga dos últimos. Ser semana de retiros a ler literatura profana. Os seios das Índias do Papillon, a confundirem-me quando se não pode comer carne (é alguma alusão à crucificação? nós que somos industriais e carnívoros). Hoje é sexta feira, trinta dinheiros, traição, figueiras, lavo-te os pés, o teu beijo vai ser de traição, estarás a renegar-me não tarda. O jardim das oliveira e o Golgota. Um Maria de duvidosa proveniência (dizem eles) apenas vai envolver a mortalha que cá deixarás. És algum Houdini?

Tá bem que sofres-te com a cruz indizíveis dores. Deixas a mortalha e piras-te para o céu? És algum Durão Barroso? 

E a nós deixas-nos aqui com umas escrituras. Sem fazeres a desambiguação de muitas novidades. Que raio de jogo jogas com quem cá te mandou. Foi alguma partida? Levámos a mensagem a sério?Demasiado a sério para se deixarem assim crucificar. 

Confesso que foi tudo muito bem montado, cinemático: Zefirelli ou Mel Gibson. E os Quo Vadis. 

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Para ser ouvido ao som de O Falcão, dos Xutos e Pontapés

Às vezes se diz muito não dizendo, lugares comuns, o trânsito, o tempo. não é atitude, é apenas não dizer, começamos por onde?

Logo pela perguntas profundas, porque não havemos de ir direitos ao assunto? Queres ser feliz? Então anda. Deixa lá os falcões: são de papel. É apenas o vento que os faz esvoaçar.

Como as folhas de papel celofane que a miúda do Sam Sheppard tentava domar.

Andei a levar biqueiros, fui contra tantas paredes, dobrei esquinas para becos sem saída, formação profissional para a simpatia, fui sorrateiro pela zona histórica.

R. João das Regras.

Eu não, não sou capaz dessas finezas, dessas subtilezas. Não é um palco e é. Somos verdadeiros e embelezamos o corpo e a conversa.

Não falta nada, estando tudo iluminado e ciente, não é um epitáfio que cinzelo.

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Preciso de uma mensagem nova. Acabam de proibir as repetições. A população adormece. Os caracóis arrastam-se. Choveu. Aparecem todos. É um festival de caracóis. Até os juniores aparecem. Não sei de onde aparecem. Onde se refugiam. Toda essa bicharada, menos o pássaro que fez ninho numa decoração à porta de casa. Talvez veja o primeiro voo do júnior e aqui publique as minha anotações.

Ainda bem que não tinha falado nisso. Foi lacónico o comunicado. E vai haver também um algoritmo Perseguidor. De todos aqueles que andam aí no corte e cola, só a encher rolos com repetições. Por causa do armazenamento. De tanta informação. Dos Trolls (que é isso? Deve vir de troglodita.). Uma limpeza automática, em segundo plano. 

Os meus temores (mais um) derivam apenas das repetições confundirem os filtros de pesquisa e achar-me na triste situação de ser considerado um copiador de mim mesmo. Violar uma série de direitos de autor.

Para além disso, apresenta evidentes sinais exteriores de auto-convencimento. Sim. Se não fosse auto onde me ia financiar de convencimento, senão em mim. Contaria consigo, sempre tão ocupado. Tão coca-bichinhos.

- Perdão?

Estou só a jogar à defesa. A precaver-me de denuncias calamitosas...

- Caluniosas! Homem, Caluniosas.

Como queira, o certo é que são calamitosas também, já viu os prejuízos que isto me causou? Para além da perda de credibilidade. As pessoas não aparecem como antigamente.

- Todos dizem o mesmo: que o negócio vai mal!!!

Não vai! - Uma ideia de negócio destas. Por água abaixo. Tudo porque proibiram as repetições. Deve haver algum interesse por trás disto. Devem ser os Originais. Uns meninos petulantes que escrevem uma linha por semana e assim nunca se repetem.

- Haverá orientações superiores. Tudo aponta para que não sejam consideradas as auto-repetições. Deverá permanecer tranquilo. A tranquilidade reina e os quadros do Miró estão em Portugal. 

Garantem-em que estão. Que vão ficar no Porto? 50 anos? É bastante tempo. Ligo tanto a cereais de frutos vermelhos como ao Miró. Cada um no seu momento. Gosto dos pijamas dele. Naquele tempo faziam-se pijamas decentes, para homens decentes.

- Informamos também que está a ser desenvolvido um programa para rastrear as derivações. O paleio para encher rolo. Quando se tomam medidas de contenção de espaço para memórias temos que sempre privilegiar a objectividade. A concisão.

Pensei que me ia dizer para me sentar como deve ser. Isso não consta das medidas. A concisão depende muito de se estar bem sentado. Nutrido. Com café/chá. E sem notícias alarmantes. 

- Pode-se ter muito dinheiro e não ter cheta. O que se pode fazer não é o que quer fazer. O programa de erradicação de redundância está em marcha. Se querem ser maçudos tem cadernos para escrever. Escrevam obras primas em águas furtadas. Ninguém vai dar conta.

Até todos se darem conta. De que já não há luz nas águas furtadas. Que o sentido dos rabiscos fica para os detectives do futuro. Pode bem ser a minha revista Orpheu.

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A chuva prolonga-se. A lenha arde mal, e vai-se sumindo do monte. O quintal alaga-se cada vez mais. E chover parece quase ser o tempo habitual. Habituei-me à chuva. Até levei um guarda chuva na viagem para Lisboa. A sentir-me um pacóvio na sexta-feira por levar tal apetrecho comigo, a sair para além do saco, a dar não dar jeito de transportar. cheguei a pensar deixá-lo. Dá-lo a alguém desconhecido. Ou deixá-lo em casa dos meus primos. Fazer de conta a mim próprio que me esquecia. Fez-me jeito no domingo, no regresso, muito jeito. Voltou. Aquele guarda chuva pôs-me à prova.

Convém-me que chova e que o quintal esteja alagado. Muito. Não tenho grande vontade de lá regressar. Prefiro estar aqui a gastar lenha. Ainda agora me ia deitar.

É da minha salvação que trato. A salvação dos outros pode não ser igual. Interessa ter razão, se nada muda? Se temos as inevitabilidades. O Fado. O Destino.

Caraças! que destino! O destino de pagar os WC de uma estação pública. A maneira como respeitamos o património público.

Assim quase que garanto que os WC estão limpos. Não obriga o Estado a WC em muitos locais para os licenciar?

Achavam bem os Restaurantes começaram a cobrar idas ao WC?

Afinal, o Governo não deu tolerância de ponto, uns foram trabalhar, outros foram dispensados. Deve ter havido mais dispensados do que a trabalhar.

Não me chateou ir trabalhar. Chateia-me mais ser confundido com os dispensados, e alimentar essa má impressão geral que os Portugueses tem dos funcionários Públicos.

Somos o rosto do mau funcionamento da função pública. Mas nós somos mandados. Para dizermos o que nos mandam dizer. Não temos a culpa. Somos os mensageiros das injustiças das leis (este será sempre o sentimento de quem ouve notícias diferentes das que queria ouvir).

Queremos o quê? Eu procuro esquecer-me dos rostos dos funcionários da ATA (e não DESATA). Eles não tem a culpa do que lhes mandam fazer.

Continuamos a ser os bodes expiatórios para tudo o que não funciona. Somos nós que lá trabalhamos.

Tento imaginar o que pensam as pessoas. Preocupo-me com isso. Preocupo-me que possam estar equivocados.

Neste meio termo, entre o que está sentenciado, e os sentenciados, permaneço eu, com as minhas observações. Exercendo um sentido crítico e percebendo que jamais as Leis humanas vão conseguir compor o que por natureza não é composto.

Caim e Abel. As Leis compreendo-as. Não entendo alguns dos sentenciados, não consigo. E isso atormenta-me. Padeço de muitos temores. Temores de rolo. E muita curiosidade, sempre muita curiosidade.

Não deixa de ser um jogo que neste Entardecer me deixa exausto. Fui eu que vim para aqui. Fui eu que me viciei nestes jogos mentais. Em contar tudo, mas mesmo tudo, sem esconder nada.

Para que não haja mal-entendidos.
(e brinco com o teclado como se um piano se tratasse e dou finais a palavras deslizando os dedos pelo mesmo)

Devia estar a deslizá-los em ti, numa carícia sonolenta. Isso sim. Se não houver espaço arranja-se.



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Tenho horas em que me apetece fazer uma revolução. Nada de muito definido, um boa pândega resolvia a ânsia.

Como tenho outras em que me apetece saltar, duvido imenso destes propósitos.

De resto este apetite resulta da euforia de saber que o  Tempo está por minha conta.

É difícil de explicar. É uma sensação como aquela das cinco horas...

Depois volto à vidinha, quando compreendo que está tudo na mesma. Não aconteceu nada de especial. A camioneta da venda de mercearias está estacionada, como habitualmente, no local habitual.

Não se passa nada. Isto deve ser proveniente dos filmes, em que em cinco minutos "vivemos" horas limite. Estarei a confundir a vida com os filmes?

Como já é hábito. Se os filmes tratam da(s) vida(s)?
Quantas acções terei cometido inspirado pelos filmes.

Quero lá saber que os anjos de Berlim não sejam reais. Aqueles anjos solitários do filme preocupavam-se com as pessoas, com cada pessoa individualmente.

Não eram números. E viviam a sua vida eterna angustiados com os temores dos humanos.

Eu não sou nenhum anjo. Não tenho sequer os super-poderes que eles têm.

Eu, ao contrário deles, posso fazer algo pelo meu irmão. Tenho esse poder de intervir nos indivíduos com quem me cruzo na vida. 

Desconheço os temores dos demais.


Sou assim mais poderoso do que aqueles anjos:

Eu posso intervir.

As pedras que me falam, quase que falam.

E o que escrevo aqui, humilde púlpito, tem esse desejo de conseguir que as pessoas se possam libertar dos seus temores. Basta ter coragem de os enfrentar (não estou a falar de fobias, agora).

Creio que no futuro, se conseguir rearranjar o meu tempo, ainda poderei fazer mais pelos outros.

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Eu para ter estes pensamentos tenho que escrever. Preguiçoso para pensar como sou tenho sido, foi a maneira de me darem um empurrão. Talvez esse gajo alado, ou ninguém.

Felizmente não tenho os mesmos antepassados Gauleses de que Rimbaud...
felizmente porquê?
que eram inaptos na luta?
e tacanhos de mente?

Nunca passei pela experiência de ter sido um antepassado Gaulês do Rimbaud.

Os únicos Gauleses de que me lembro são os daquela irredutível aldeia Gaulesa, o Asterix e os outros todos.

Lembro-me do chefe, cujo único receio era que o céu lhe cai-se em cima, sabendo que o dia seguinte não seria a véspera desse dia.

Eu aplico essa atitude, ironicamente, aos meus receios, temores, desassossego, e bem!

Com isto posso divertir-me, e não me engano. Divirto-me.

Já devia estar a ler o livro, bem sei, vinha aqui, no intervalo de uma escovadela dos dentes, escrever o primeiro parágrafo.

Ainda aqui estou com uma imaginada escova de dentes, não é só entre um dentada num pão com manteiga. Pode ser entre uma escovadela dos dentes, que posso salvar o mundo a partir deste blague.

E a Blague fica sempre bem. E não estou a falar dos longos cabelos de serpente.

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Desde que o afinador de dentes me reconstituiu como pode dois dentes molares, passei a ter o hábito de passar repetidamente a língua por aqueles dentes. 

A língua chega a estar com o sabor da massa que foi usada para restaurar os dentes. Aquele mundo do dentista é muito tranquilizador. Tem uma pintura da autoria do dono da clínica:

Será possível pintar uma dor de dentes? É, o Dr. F... fê-lo no consultório. E aquelas máquinas modernas que me tratam dos dentes? Tenho lá passado muitas horas. Já convivo com o pessoal como velhos conhecidos.

E é possível pintar uma dor de dentes com um sorriso. Acrescentar um sorriso franco e amigável (apesar de estarmos numa clínica de estomatologia, o sorriso não é Colgate). A Drª fez isso. Tive sorte. É a Drª dos miúdos. E tratou-me como um miúdo grande. Os temores que me levaram lá nessa altura específica eram grandes. Não passaram de temores. Tenho tido alguns que não tem passado disso mesmo. Outros não.

Esses são os temores não previstos. Aqueles que me acontecem e para os quais não me preparei. Preparo-me sempre de véspera com tudo o necessário. Sou um cavalheiro organizado.

Deviam-me ter ensinado a respeitar os meus dentes e as minhas costas, na escola. Não me queixo do que me ensinaram. Foi muito.

O que aprendi por mim foi mais útil. E vai continuar a ser-me útil. Sirvo-me deste parágrafo do Sr. Martin Amis porque com ele posso lidar com os meus defeitos. Este jogo mental permite-me enfrentá-los como se não tivesse responsabilidade neles. 

Quem não tem alma não tem calma, diz o Pessoa. Ele diz tanta coisa que receio por vezes dizer coisas que ele já tenha dito, mas eu não li. Não há problema! Eu sou muito diferente dele. Porque haveria de ser igual? Ou parecido?

O desassossego não é um mal estar civilizacional. Não é ainda tributável em sede de emoções. É uma sina que algumas pessoas carregam e que as faz procurarem respostas para perguntas que não tem resposta. 

Os sonhos que sonho são tão diferentes de todos os outros sonhos, de toda a gente. Que sonhá-los eu pode não ser absurdo. Mas outrem os sonhar os pode levar à revelação? 

Eu tenho imensas revelações. Mas é apenas porque me esqueço das coisas e lhe encontro imensa novidade quando me lembro delas.

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A amiga T... tem um jeito especial de me meter em sarilhos. A imaginação dela é mortífera para um gajo como eu. 

Levei-lhe o texto do sonho e pusemo-nos logo a imaginar o final do texto segundo diversos autores: Henry Miller e outros que não me consigo lembrar, mas do género.

E a brincadeira consistiu em o que escreveriam eles depois de acordar. O que fariam especificamente tendo em conta os temas que versavam nos seus livros, em vez de lavarem a cara...ou o que fariam mais na descrição daqueles pândegos.

Lembro-me do Miller porque a dele foi a mais acutilante.

No meio desta reinação toda, espeta-me a farpa:
isto que escreves-te é muito Livro do Desassossego...

Porra! 
(ainda não consigo escrever certas expressões aqui).

Eu tenho lá esse livro....

Tenho cá esse livro tenho e apesar de não me lembrar especificamente do seu conteúdo, primeiro fiquei renitente neste reencontro com o Pessoa. 

O Pessoa era um remediado. Um gajo que trabalhava para viver modestamente.
O que escreveu foi nas horas livres. E para escrever o que escreveu dificilmente podia ter mulher ou vida social,   porque todo o seu foco estaria virado para a escrita. Imagino-o febril a escrever. Noite após noite, a viver as vidas dos heterónimos, e a passá-las para o papel.

Pouco publicou em vida e foi sempre em revistas.

O homem sacrificou-se à escrita. Não tenciono fazer isso, nem nunca tencionei. O que não quer dizer que não possa acontecer. Acontece cada coisa (tenho que parar de usar a palavra coisa para tudo...).

E a seguir lança uma farpa final, uma farpa venenosa e pontiaguda:

E o livro, "a mancha", é a de um blogue! Escreveu isso ao longo do tempo.

E não é um romance, são crónicas, pensamentos, onde está parte substancial daquilo que ele foi. 

Apetece-me mesmo praguejar que nem um Nortenho ou uma peixeira: isto não se faz!

Adrenalina... perder o fôlego...temores... inquietações... Desassossego!

Pá onde andas-te estes anos todos? porque pensas que resistis-te ao reencontro? 

E porque diabo tens este livro encadernado com este tecido ?
Foi uma cena que fiz quando andava a recortar reproduções de quadros famosos, de revistas dadas, para passar as minhas noites. E andava também nos cadernos do Hamlet'i.

Pois. Tá bem!
Há reencontros, percebo agora, que são inevitáveis.

Este foi um dos que convidei para o meu espírito, em que percebi logo muitas convergências, muito espírito.

Foi o acto final de quê?
 Numa religião qualquer Oriental podemos ir subindo de nível.


Este é o meu exame de admissão.

Crónicas da Terra Média
os melhores momentos do Pancadaria ao Entardecer


Brevemente disponível de borla.

Ainda nem sei se ela me pode fazer o prefácio. Depois desta é mínimo que pode fazer por mim.

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Aqui, muito no fundo da terra funda
neste bar de rock provinciano
Lou-Ann morde o microfone
Cospe os blues
ao longo da longa noite húmida.


25/10/80
Austin, Texas
Motel Chronicles, Sam Sheppard

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Ando há duas semanas com a iminência, em cada banho, da botija alojada no exterior terminar a meio dele (pronto se for a meio perde-se algum conforto mas seguem-se as fases seguintes).

Aconteceu hoje.

Diferença entre este e ou antecessores, é que este se realiza. Só não é quando.

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