Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Ainda não recomecei a leitura da Arte da Guerra. O que aprendi até agora está a ser  útil, quanto baste, para me ocupar em por em prática o que aprendi antes de assimilar mais conhecimentos. Reavaliado o poder do inimigo;  dos meios que dispõe;  do terreno em que se coloca. Reconhecendo que partir para a guerra com tão poderoso inimigo só significará ainda mais miséria para mim. O falhanço da primeira investida para obter um armistício com as minhas condições revela-se um propósito inútil e destinado a um mais que possível malogro. 

 

Volto atrás e desdigo-me. Já não quero guerra, aceito a solução de armistício que terão para me apresentar e escolherei a melhor, isto é, a que menos prejuízos me cause. Prejuízos futuros evidentemente. Para ganhar tempo e conseguir captar alguém que aqui queira materializar o seu sonhos; os seus propósitos. O que quiser. Já reconheci que não tenho que dar palpites sobre o que aqui se passar quando eu sair. Se tinha saído na minha vontade. Com a vontade regresso para conseguir uma solução negociada.

 

Será apenas de mim que me posso queixar. Não quis ouvir o havia disponível. Achei-me na prerrogativa de escolher uma forma de saída e dei-a como aceite tacitamente, com o argumento das mais valias que entregaria. Caio na real a partir do momento em que reúno a informação necessária e corrente sobre o verdadeiro significado de dispositivos legais. Eu repito até à exaustão, que o banco ganha sempre, porque hei-de achar que posso impor a minha solução?

 

Sou daqueles que reconhece o erro e se dá como culpado, agindo em conformidade e abandonando esse caminho. Foi assim que aprendi tanta coisa na minha vida, por isso não tenho vergonha de errar. De me precipitar. De corrigir o azimute.

 

A presente situação é do conhecimento de mais gente do que deveria acontecer. Demasiada gente sente este tema. Não pode servir para jactâncias, para protagonismos, como aquele que poderei ter querido para mim, e que não produziu nenhum resultado senão a indiferença no inimigo. Que também andou ocupado a receber diligências externas.

 

Há algo de Kafkiano no facto de alguém, perante um banco, ter poderes de que não possui na vida real. Se vale deles para protagonizar um regresso com intenções desconhecidas. Isto não é uma fogueira de vaidades, porque em parte é por causa da vaidade congénita do reino, que todas estas situações se repetiram até à exaustão. Esta, apesar de ser sido conseguida nas condições em que foi e baseada em premissas que já não deveriam existir, nem ser reconhecidas pelo inimigo, perturbou-me uma vez que me distraiu dele. Nesta altura deveria ser o único interlocutor, não tendo sido.

 

Não é no que escrevo nem nas certezas que emito que reside qualquer validade. A minha pessoa real não é alguém a quem tenham oferecido um emprego. Se por defeito de perspectiva puderem achar que sim, posso adiantar, que todos os dias o continuo a ter que merecer. A Terra Média foi sendo modificada para ser bonita, aprazível. Não serve para obter protagonismos e golpes de bastidores. Não serve propósitos bélicos. Apesar de ser o motivo de uma. 

 

A Arte da Guerra deve falar sobre guerra de guerrilha. Ainda não cheguei lá... Acabei de escapar a uma emboscada. Ileso e ainda com crédito suficiente para me apresentarem soluções. Para poder escolher entre várias. E para corrigir qualquer azimute. Para me prevenir definitivamente de novas emboscadas.

 

Pode a terceira via vir trazer a solução, da qual serei merecedor. Fui eu que a ergui das madrugadas arrancadas à cama. Antes de mim os meus antepassados fizeram o mesmo. Embora continue preparado para prescindir disto. Continua disponível. Não preciso de viver aqui, não se justifica que viva aqui nos moldes em que vivo.

 

Mais forte e mais tranquilo. Se daqui a dias me regozijar por alguma solução, significa mais uma vez que não me foi oferecida. Tive que lutar por ela para a merecer. Ainda bem. Nunca me dei bem com o que me ofereciam. Deve até ter sido por tanto me terem oferecido que me estragaram.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

A mim a Arte da Guerra serve-me para enfrentar problemas. Os problemas são o inimigo. Usar as estratégias da guerra para atacar os problemas pessoais, parece-me legítimo. Deve ser por isso que alguns o etiquetam com um livro de auto-ajuda. Eu considero todos os livros que leio de auto-ajuda, embora este possa encerrar a trilogia dos livros que posso colocar mesmo nessa categoria, sem pestanejar. 
 
Não dobrei sozinho o cabo da Tormentas, nem venci o Adamastador de mote próprio. O Adamastor era o medo ultrapassar os limites. De encaixar que só podia correr durante xis tempo, ou xis quilómetros. De isso me limitar irremediavelmente. Andei assim incríveis três anos e tal, já com uma forma que permitia correr descontraidamente durante uma manhã inteira, por corta mato. 
 
Provavelmente nunca teria chegado a esse dia em que até então me tinha limitado. Em que finalmente realizei o aqueles malucos andavam a fazer nas área dos Tarahumaras, no México. Corredores por excelência. Corredores para fugir ao exterminio Espanhol e agora aos Barões da Droga Mexicanos. Por isso alguém carinhosamente me alcunhou, no tempo em que o mereci, de Tarahumara. 

Que a forma física que tinha me permitia querer correr em breve a distância da maratona, na ecopista. Sabia os tempos que poderia fazer no decurso de tal desafio que me propunha. Sabia que o ia tentar realizar daí a um mês, quando entrasse de férias. Entrei foi de convalescença. Foram dois sonhos imediatos que me preparava para realizar que sofreram um adiamento sine die. O de correr a distância da maratona, num treino, que iria começar bem de madrugada. O cão aguentava de certeza, pois os seus primos Siberianos puxam trenós na neve por sessenta quilómetros.
 
E o que seria feito no dia seguinte: subir ao Caramulo pelo parque Eólico de Mortágua, com a Molly. Devia ter ido fazer o reconhecimento com a ela. O Endomondo não me podia ajudar nesse reconhecimento. Ajudou-me a perceber os tempos certos na ecopista, os percursos e as velocidades nos diferentes terrenos, e foi registando quilómetros e estatísticas para me entreter.   
 
Se isso tivesse acontecido não estaria aqui a escrever sobre isso. Ou talvez sim. Duvido que houvesse Pancadaria diária agora... Para chegar aquele nível pessoal de forma, depois dos quarenta, é um deslumbramento. Nascido de outro livro de auto-ajuda, O Método Simples para Deixar de Fumar, de Allan Karr (está esgotado em Portugal, tanto quanto eu sei). Ter deixado de fumar fez-me descobrir o prazer de correr, e uns tempos depois, redescobrir o de andar de bicicleta a sério. Agora que fumo uns cigarros auto-enrolados e que não me sabem nada de especial, continuo a gostar de correr e de andar de bicicleta. Lembro-me de tudo o que me diverti, os locais que conheci, os nasceres do sol e pores do sol, a geada e o calor...deixei de fumar porque um tipo, o Marco Santos contou no Bitaites como tinha deixado de fumar, ao ler aquele livro. Eu também deixei no dia seguinte após acabar de o ler. A minha fé nos livros de auto-ajuda restaurou-se. 
 
Foi graças ao Born to Run que percebi que andava a pastar há três anos e tal, que podia exigir de mim mais, que o podia fazer, que podia correr mais rápido, que podia correr descalço, na ecopista e mesmo no mato. Em termos pessoais isto é uma aventura que desde que começou nunca mais abandonei, embora a corrida depois daquele percalço, nunca tivesse sido jamais o mesmo, nem me sentisse com a vontade que me sinto hoje, de prosseguir esse caminho semi-abandonado, que nunca me trouxe dissabores.

Autoria e outros dados (tags, etc)




 
Se antes já era imponente, agora passou a ser O Castelo, com todas as demandas que para lá transitaram. Agora que fui (?) dispensado, é mesmo razão para dizer que tem mais encanto na hora da despedida, apesar da afabilidade dos Castelões. Até sempre, espero...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Óscarland

04.09.14
Afinal não me esqueci de pegar numa pá e de abrir uma cova. Nem me custou estar desabituado a isso. Gostei mais quando abri covas para plantar as árvores todas que já dão frutos. A excepção da alfarrobeira. Ainda bem que mantenho tal capacidade, pois permitiu-me pessoalmente e porque amanhã não posso, abrir uma cova para enterrar o Óscar. 
 
O Óscar veio bastante pequeno, ainda só bebia leite. Foi o primeiro a fixar aqui residência. Esteve sempre cá. Viu tudo o que fiz, é a maior testemunha do trabalho quase escravo que dediquei à Terra Média, a qual se passará a chamar Óscarland, embora não a tenha percorrido sempre toda, pois nunca pude vedá-la o suficiente para isso. Veio para o João ter um cão porque o desejava. Acabou por seu o cão com orelha espetadas que sempre quiz ter. Nunca sonhei que iria ter um amigo, que choro antecipademente, e qual quero poupar o sofrimento, dele e nosso. Tivesse eu quem fizesse o mesmo por mim em idênticas circunstâncias.

 

Correu alegremente centenas de quilómetros comigo, e só ele viu todos os amanheceres e entardeceres que vislumbrei por essa natureza fora. Fugiu algumas vezes quando era mais novo, ficou preso num local, onde o descobri a correr por mero acaso. E se fiz vedações era porque queria as flores e o cão.

 

Foi com ele que dobrei o cabo do medo e percebi podia correr o que quisese, até cair se fosse necessário, pois nunca estaria só.

 

No auge da comoção de abri uma cova para o enterrar. Porra!!! Também não estava à espera e quando assim é, custa muito mais. O facto de morrer quando me preparo para abandonar este local, com uma mágoa grande: ele ficar na posse de quem fica. O Banco nunca entenderá que escrevi o nome numa grande pedra de granito, que serviu outrora para uma parreira, ao lado de um poço onde uma burra andava aos círculos para tirar a água que fecundava estes campos. A merda que existe na cabeça dessa gente é que não serve para o fecundar. Nem para estrume servem. Jamais poderão entender a minha dor, de ter perdido um dos meus melhores amigos, e de ser nesta fase.

 

Que seja, a cova que está aberta, o osso que achei no rio e trouxe para colocar na casa de madeira dele, porque ele também tinha uma casa de madeira pintada da mesma cor desta, e está atado a essa coluna onde consta o nome dele e de que terra falamos. Podem vir arrasar tudo. Podem remover as pedras e os ossos dele, mas ele é dono disto. Acabo de doar a minha parte, a do meu imenso esforço e a parte que coube para a trabalhar, não foi sequer para me gozar dela convenientemente, ao Óscar. 

 

 

Jamais reconhecerei isto como sendo deles. Não lhes serve nada disto. A mim também deixou de me servir. Gostava que o sonho pudesse prosseguir, agora que este actor se vai retirar, ou se quer retirar. A manha deles é imensa e é apenas dum sonho de alguém que eu sentiria resgatado. Desde que o Banco saia daqui, fico quite. 
 
Ando aqui feito escritor à procura da bondade original. A bondade original foi a natureza me ter proporcionado o privilégio de ter como amigo um ser assim bondoso e brincalhão, puro. Apetece-me dizer asneiras. Se nenhum ser humano houvesse neste mundo que precisasse de mim, podia dar a minha vida para ele continuar a correr e a divertir-se, porque é uma semente mais desejável que eu para a criação. 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


« Não era indiferente ao outro lado. Não ser indiferente e ser capaz de entender o que o outro lado sente ou pensa. O outro lado pode ser uma espécie de inimigo com o qual não pretende bater-se em qualquer batalha. Evitar a guerra é sábio quando se não está em posição de a sustentar. Se bem que todos os cálculos que fazia possam ser enquadrados numa estratégia de guerra, podem ser eficazmente desenvolvido no sentido da diplomacia. Encontra a melhor solução para todos. A diplomacia é a arte de o conseguir. Envolve os mesmos cálculos. Apenas não persegue o esmagamento do inimigo, apenas a boa convivência com ele. Sendo a boa convivência condição para a preservação do que se quer preservar. A qual ocorrera beneficiando os lados antagónicos. »



Autoria e outros dados (tags, etc)

A mendicidade é uma fatalidade que atinge pessoas. Diz-se atingir porque os desapega, contra a vontade, dos bens, serve para que se classifiquem na classe dos mais desgraçados do mundo. Que se possa imaginar que sejam os seres mais desprotegidos e carentes à face do planeta.

 

A mendicidade é um sonho, é um sonho para mim. É um sonho porque está longe do meu estado actual. É um sonho porque ainda não consigo desmaterializar-me o suficiente para isso. Sei que não. É até um daqueles sonhos que não foi sonhado. É um sonho acordado. É a ideia mais revolucionária que até hoje me foi dada a conhecer.

 

Afirmei que a mendicidade está longe, embora não tão longe como possa querer pensar, uma vez que Bancos e Estado, para citar dois magnos contribuidores para a miséria universal, se encarregam de facilitar o caminho. E como a minha força de vontade não é nenhuma porque não considero nada confortável a mendicidade, tenho este sonho. 

 

Ajuda-me a acreditar que há uma via para fugir a estes filhos da puta todos, para me rir deles, talvez perguntar-lhes se me querem despentear? Eu não quero resolver problemas nacionais, muito menos mundiais. O asco que cada vez mais todas essas organizações me metem é um problema pessoal. Nunca gostei deles.

 

Cometo erros quando me apaixono. Cegam-me, ou não me cegando, impedem-me de agir. Apaixonei-me por um monstro e fiz-lhe as vontades todas. Só isso pode explicar ter caído assim nas garras dele. E nesta parte deveria acusar-me a mim. Mas não acuso, afinal sou a vítima, ou não? 

 

Começo a acreditar que a única maneira é mesmo essa, visto também não me interessar a emigração, mesmo tendo em vista a mendicidade. É proibida na Noruega, por exemplo. Em Londres colocam picos para não dormirem à porta daqueles apartamentos janotas, por cima dos logótipos dos serviços financeiros. 

 

Podia ainda emigrar para algum país dos mais pobres e viver por lá. Os miseráveis não tem para dar ou para lhes ser tirado, vivem livres desta corja que atormenta o espírito, sobretudo. A carteira também, evidentemente. Tudo muito.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Mendigo altivo

29.08.14

Para alguns florescerem tem que existir tipos como eu. Certamente que sim. Mas para ostentarem tanto poder não pode ser apenas à minha custa. Tem que se basear na existência de incontável gente como eu. Daqueles que nunca fazem bons negócios. E se alguma vez fizeram algum, do ou dos que puderam ter feito, foi por sorte. Por acaso. É por esta universal inabilidade para negócios que grassa desde sempre, a acreditar nos relatos, que resulta a desigualdade entre a sociedade. Embora haja outras. Esta dos negócios não foi sempre assim reconhecida numa classe, mas a rapaziada esfalfou-se a fazer negócios com o trabalho dos outros e conseguiu ganhar nome de classe própria. Também pode ser a isto que Darwin se referiria com o determinismo, agora não em bicos de pássaros, mas na geral condição humana. Abuso do que não sei para invocar e cuspo nomes para dar crédito às minha palavras. Para isso parece que tenho algum jeito. Todo o crédito do Pancadaria poderá ser assacado ao facto de não me render um tostão. Conserva a pureza intocada das fantasias. Das maluqueiras. Em vez de fazer canoagem ou para-quedismo. 

 

Já me conformei com esta inabilidade há muito. É por isso que fujo dos negócios mais que o diabo da cruz. Todos esses números da grande farsa que decorre, os folhetins são diários. Tornou-se tudo uma complicação. É sempre assim. Números são doces para bolsos gulosos. Atraem gente de todo o lado. Os abutres já se notam ao longe, já lhe senti o esvoaçar despreocupado. Ele há-de cair. Está maduro, pensarão eles; não pensando como nós, mas voando despreocupadamente, sabendo que é apenas uma espera, como tantas, em busca de alimento. Estes abutres tem esta conotação negativa porque se referem a outros, que embora esperem que a presa caia de madura, apenas se querem saciar. Estes querem um banquete. Quereria eu um banquete destes? 

 

Não tenho nada ensaiado para a circunstância. Depois de ficar maduro para o bico deles nada do que diga terá qualquer importância. Não vieram por aquilo que eu digo, vierem em busca de me debicar sofregamente as cartilagens. Talvez me comam os olhos.  Tudo porque não me adaptei às novas condições do progresso material, do dinheiro de plástico, dos nomes pomposos que significam mais um assalto ao bolso. E tudo porque cada vez mais abomino a opressão material, quando ela se materializa em pecado capital, eu que não acredito em tais pecados como capitais, apenas como insanidade ou como defeitos da criação, seja quem for que possa reclamar a autoria. 

 

Se fossem Deus mesmo, poderiam reclamar directamente a humanidade como criação, sem se envergonharem de alguns maus funcionamentos. Eu não reclamava e até sou um pouco desleixado nisso. E nos negócios, dirão outros, cuja sacra aura dos negócios deixa em sentido. Com os sentidos em pleno alerta. Deve ser por ser distraído que me arruíno nesses negócios em que intervenho. Não que queira retroceder ao caminho do Bem, dos negócios, dos naperons, dos sorrisos de conveniência. Sem ser por nenhuma razão em especial. Por ser mau dançarino em certos ritmos e nos outros não valer nada. Triste e patético. Pau mandado de si. 

 

As mortes que sucedem na vida assustam enquanto não as encarar de frente e com o mínimo de dignidade, uma vez que ela é certa, ter medo dela é apenas o gozo supremo que lhe poderia proporcionar. Estou aqui com os abutres já não muito longe, mas esse gozo de me debicarem os olhos aterrorizados de medo, não lhes vai ser concedido. Se algum dia cair na mendicidade vou ser Altivo, muito mais altivo do que alguma vez fui até então.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Passei aquele tempo a fazer de conta que era o John Wayne ou o Schwarzenegger, para conseguir representar bem aquele papel e lhe dar a verosimilhança da selva. Cindido o véu com os heróis oficiais, a albarda cá continua. Ainda perdurará o tempo que o necessário abrandar do metabolismo conseguir. Uma inscrição num marco da estrada iniciática, revisitada como quimera. São duvidosas até para o narrador, supostamente omnisciente. Terá elevado a piedade a virtude revolucionária?

 

http://pancadariaoanoitecer.blogspot.pt/2014/08/o-segredo-da-opressao.html?view=classic

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Encontrar uma maneira agradável de passar os serões, ou entardeceres, como eu, que gosto de me deitar tarde, por encontrar em tais agradáveis actividades, alento para prolongar os serões até os transformar em Entardeceres.

 

Ler, por exemplo, aos som de música a gosto, não é nenhuma excentricidade. Acontece que para muitas pessoas os serões são forçosamente de actividades úteis caseiras. Poderem dispor de tempo para si próprios será ainda mais luxo do que é para mim, apesar de nada luxuoso existir em tirar um tempo para nós. 

 

Não é de agora que considero cada vez mais o tempo, em que posso determinar o rumo dos acontecimentos domésticos, o mais valioso dom a que posso deitar o dente, mais que a uma costeleta grelhada, com salada multifacetada. 

 

Por isso mesmo a hora de almoçar é quando tiver fome para comer, se já estiver cozinhado, se não invento, na circunstância. Ou vou confeccionar um que me pareça agradável, sempre com a dose inata de improvisação e/ou invenção. É bom ter a necessidade de comer e saber cozinhar o pretendido. Não há horas marcadas para publicações. Neste tempo pauto-o pelo meu ritmo, tanto quanto possível. É uma riqueza a que me sinto a agarrar, a do tempo. A de fazer dele o que devo, em tudo o que é actividade doméstica, ou não, às horas que posso.

 

Se algum dia puser em prática esse propósito despropositado de publicar durante 24 horas, terei sempre que negociar uma actividade física para o intervalo, doutra forma jamais nas teclas conseguirei gastar a vontade de me movimentar. O movimento, por exemplo, a correr num local como a Pista, não precisa de cuidados onde colocar os pés, deixa margem para todo o tipo de ideias (parvas, obsoletas, fantasiosas ou o contrário). 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

O Pancadaria alojado no Sapo Blogs sobrevive, sendo certo que já teve mais movimento do que os meus passos o mais furtivos possíveis (ele conta os meus passos todos). Para variar e porque não é dia de nenhuma festa, hoje coloquei, em vez do habitual e único post mais lido, uma catrefada deles, do fim de semana. Com agendamento para serem publicados ao longo do dia. Trata-se de uma experiência em curso com o objectivo genérico de alcançar outro público, a partir do zero, sem utilizar a rede de conhecimentos reais. A única expectativa é que um dia algo possa acontecer, um clique que propaga cliques. É assim que pode ser possível expor a juízos desconhecidos os pedaços desconexos dum romance não declarado; fazer publicidade com o próprio produto. Arrisco-me apenas a alguém engraçar com um texto, ele ser divulgado num círculo mais amplo. 

 

 

 

O Pancadaria tem vindo a crescer, sendo certo que a mudança para as visualizações dinâmicas terá feito mais, repentinamente, do que tudo o que fui escrevendo. O facto de ter todo este material publicado é a verdadeira causa, não me valeriam nada as visualizações dinâmicas se não houvesse nada para ver, no passado há muito mais para ver do que para ler (a perda da Olympus obrigou-me a escrever mais). Tornei possível, sem o pretender fazer, o acesso a tudo o que está para trás e que um novo visitante possa navegar pelo material todo, enfim. A assiduidade foi aumentando com o apreço das estatísticas, e sendo os números de todo uma abstracção vaidosas, servindo apenas para fazer comparações cegas, eu procuro algumas resposta para além dos números quando olho para as estatísticas.

 

 

Bungalow wood Alcobaça - Goodmood

 

 

 

O registo pessoal, diarístico, não é um assunto que se possa tornar popular, nem a maneira como escrevo é descuidada ou leviana. Com a prática desenvolvi técnicas, truques; ganhei fôlego para sair do eu declarado para o misturar com outros e ousar escrever, aqui, contos publicados aos fascículos. Um blogue não é um livro, estar-me-à a temperar para isso, a permitir um exercício que sempre me faltou, que nunca fui capaz de materializar como agora. Apesar de escrever a partir duma Terra Média inventada (começou por ser uma alusão ao Senhor dos Anéis, perdurou com a tomada de consciência da cota a que se encontra implantada). Da Terra Média para a Montanha. 

 

 Comecei tudo isto porque me comecei a divertir imenso a escrever numa rede social, embora tivesse percebido que não era a montra correcta. Saí do armário. Tenho saído do armário muitas vezes, confundindo a minha história pessoal com a colectiva. Os textos reunidos são esse romance, não a minha biografia, tão só as reflexões que me provoca. Um espécie de romance psicológico em que o narrador conhece intimamente o sujeito narrado e assim pode discorre com autoridade de auto-análise. Nem sempre me prende ao presente, que é uma óptima dica de auto-ajuda. Embora seja sempre o presente e o instantâneo. As etiquetas são atalhos de navegação para esta babel, assim toscamente erigida por um principiante tardio, ou no tempo certo. «O que eu andei para aqui chegar»

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags: