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Já tinha conseguido escolher o tipo de letra. Há horas que aquilo estava ali. A trabalhar silenciosamente. A gastar electricidade, por hábito, daquela janela estar aberta, embora nenhuma aragem entrasse por ela. Apenas se escoava electricidade. Podia ter o som ligado. Duas selecções sul americanas e o relato esplendoroso por ora bastavam. Todos aqueles nomes, Zapata, Quadrado, Baca, Cavani, Armero, lhe surgiam suficientemente estranhos, exóticos, para que ouvi-los pudesse ser um relato fora do normal. Algo que em cinema podia ser Mogambo. A forma apaixonada de jogar dos sul americanos agrada-lhe. Para começo de noite era o suficiente. As bicicletas estavam arranjadas e o automóvel tinha levado uma barrela geral, interior e exterior. Como compensação para excessos de zelo. Para não baixar a auto estima aquele cruzamento de ferros com plásticos. De anilhas e parafusos. Mecanismos. 

Tinha olhado para o símbolo, em baixo relevo, na parte traseira. Tinha-o imaginado tapado, tinha começado a suprimir plásticos. A retirar futilidades. Não tinha ido muito longe nessa imaginação, tendo em conta que se apercebeu da sua inutilidade e de que nunca iria fazer semelhantes modificações. Era até um pouco presunçoso pensar nessas possibilidades, tendo em conta que havia modificações mais necessárias a fazer, em primeiro lugar. Era por essas que ali estava, encostado ao barracão, enquanto esperava que tudo fosse verificado.

Modificações aliás não faltavam no horizonte, em outras áreas de negócio. Por isso até seria um exercício fútil. Aquela chuva matinal é que não era fútil. Tinha um propósito qualquer. Natural. 

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