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Não é uma esplanada para observar o mundo. A colina verdejante separada pela autoestrada. No meio do silvo provocado pela deslocação dos automóveis, ouvem-se pássaros cantar. A vista é agradável, não fosse o ruído de fundo e eventualmente todas as preocupações de quem sente uma parte de si doente.

 

Neste local apetece simplesmente estar, esperando consultas de diagnóstico previsível. As sequelas de todas os cuidados que não tive com o corpo, por preguiça ou por falta de aviso. A idade cobra o seu quinhão nas células que não se regeneram. O corpo sentencia sem qualquer hipótese de recurso todos os delitos contra ele cometidos, sem atender ao arrependimento. Com dispositivos de punição alicerçados na dor todo o arrependimento é possível, sem que possa trazer qualquer redução de pena.

 

É fácil aceitar que tudo seja assim quando a pena irrecorrível da dor é suportável e o dano não é definitivo e pode ser mitigado com o arrependimento. Quando os avisos e a vontade de prevenir a prática de futuros crimes se sobrepõem ao medo de enfrentar as penas aplicadas, obtêm-se tréguas duradouras ou a prazo. O respeito pelo corpo tem tudo o que se lhe diga, sobretudo quando se sabe que esta justiça descrita em compêndios de medicina , embora esteja parcialmente codificada no ADN, não está assim tão evidente  em qualquer juízo de prognose.

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