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Inesperadamente, como é inesperadas aquilo que se pode designar por surpresa: a estação de comboios onde toda a vida (o que devia ser, por si só, uma qualquer garantia) houve alguém por trás de uma bilheteira, existe uma porta fechada, pelo estio do meio dia e meio, com um aviso que não se pode ignorar, que a porta se deve manter fechada por causa do ar condicionado. 

 

Não querendo saber do ar condicionado reparo que, para cada dia do mês existe um horário diferente. Não me apeteceu perguntar informações sobre horários a um pedaço de ferro com uns orifícios. A estação estava deserta, uma ovelha berregava num pasto. Não fosse uma família a almoçar sob a sombra duma árvore, não se descortinava viv'alma.

 

A ausência de vida. Espera-se que uma estação seja local de gente que chega e parte. Vítima de uma informação errada, calhou-me o lado fantasma da estação. Por isso me deve ter parecido ainda mais deslocada. Mais inútil. Porque se pode começar um filme, um livro, uma vida a partir de uma estação de comboios.

 

O mesmo que o pó que se acumula nos ecrãs, tornando falível e pouco tecnológica qualquer tecnologia, a mesma tecnologia que dispensa pessoas de serviços. Uma máquina não te dá uma borla, mas dá informação, cujo processamento altera a maneira como qualquer voz humana soaria, se não fosse através daqueles orifícios metálicos por trás de onde provém. Não soa a humana. 

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